João José recusava atirar a toalha ao chão por uma questão de crença, Filip Cveticanin recorria à fé e dizia que “era rezar uma ‘Ave-Maria’ e agradecer”. Uma coisa era certa: depois da derrota frente a Israel na terceira jornada do grupo B, seguida de novo desaire diante da Ucrânia, Portugal necessitava quase de um “milagre” para chegar aos oitavos do Campeonato da Europa de voleibol. A primeira metade da conjugação cósmica aconteceu esta terça-feira, com um triunfo diante da Macedónia do Norte, mas faltava a outra parte, por sinal ainda mais complicada do que a inicial. No entanto, aconteceu mesmo. E o objetivo foi alcançado. Se existisse alguém que estivesse já a preparar as malas para o regresso, o melhor é esperar mais um bocado…
Num jogo atípico face ao que se tinha visto até ao momento das duas equipas, com a Macedónia do Norte a mostrar uma enorme capacidade de manter a solidez no sideout e aproveitar de forma cirúrgica os erros que iam sendo cometidos pelo adversário contra uma formação de Israel que fez de longe a pior exibição na prova, os macedónios conseguiram vencer pela diferença máxima de 3-0 (25-21, 25-23 e 25-22) e “deram” mesmo a passagem a Portugal, que com uma vitória e três pontos terminou o grupo B na quarta posição.
A Seleção vai agora defrontar nos oitavos a França, bicampeã olímpica que ganhou o grupo D apesar de ter ainda uma partida por realizar diante da Roménia e que respondeu da melhor forma à grande surpresa (pela negativa) que protagonizou no último Mundial, sendo eliminada logo na primeira fase após perder com a Argentina e a Finlândia. O encontro será realizado na Arena 8888, em Sófia, no sábado ou no domingo.
A qualificação acaba por ser quase um acerto de contas com o passado, neste caso com o que aconteceu em 2019. Nessa edição, que marcava o regresso a Europeus depois de alguns anos sem qualificações, Portugal acabou por ser afastado dos oitavos por apenas um ponto no confronto direto com a Grécia tendo também um triunfo e quatro derrotas (386-432 dos helénicos, 386-433 dos portugueses). Nas edições seguintes, a Seleção chegou sempre à fase a eliminar, perdendo com os Países Baixos em 2021 (3-2) e com a Ucrânia em 2023 (3-0), naquela que igualou a melhor participação de sempre com uma décima posição como em 2005 (antes, nas décadas de 40 e 50, Portugal ficou em quarto e em sétimo mas com muito menos equipas).