Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
"Quente e Frio", todas as tardes com a Filomena Martins. Olá, Filomena.
Olá, Nelson.
Grande ventania que aqui vai, principalmente em Lisboa e Faro. Aqui o mapa do IPMA ainda tem até às 9h um aviso amarelo, precisamente devido ao vento. Vai continuar ou vai acalmar?
Vai perder força. A partir desta noite, o vento começa a perder força e esta quinta-feira já não será assim, mas não vai desaparecer. Isto é particularmente importante porque as temperaturas vão começar a subir. Hão de subir muito no fim de semana, mas vão começar a subir já esta quinta-feira e o perigo de incêndio, por causa disso, vai disparar, porque com mais calor e com vento está feita a mistura perfeita. Mas depois das rajadas fortes desta quarta, deixa de haver esse aviso amarelo, como disseste, só que o IPMA continua a prever vento de Norte e Noroeste, por vezes ainda forte na faixa costeira ocidental e nas terras altas, sobretudo à tarde. É a tal combinação a acompanhar, porque com combustíveis muito secos, porque não tem chovido, com temperaturas novamente a subir e com este vento, é muito fácil favorecer uma propagação rápida de um fogo. O perigo de incêndio mantém-se máximo e muito elevado em várias zonas do interior. Para quem quiser consultar, o IPMA tem um mapa diário do perigo de incêndio e olhar para ele às vezes é assustador, porque neste momento estão, para esta quinta e sexta, muitas zonas num vermelho muito escuro, que assusta mesmo.
Que é significado de perigo máximo de incêndio. O calor, então, dizes, volta já este fim de semana.
Volta. A mudança mais evidente nos próximos dias é esta subida que já falámos, a subida da temperatura. Depois desta descida acentuada no início da semana, os termómetros vão começar a recuperar nesta quinta-feira, ligeiramente ainda. A subida torna-se mais evidente na sexta e depois no fim de semana é uma subida abrupta. A pausa no calor, portanto, foi pouca dura. No interior, voltaremos a aproximar-nos já e a ultrapassar os 30 °C a partir de quinta e depois mais marcada no domingo e na segunda-feira, com grande parte do país novamente acima dos 35 °C. A comparação que interessa fazer é entre as máximas de quarta pra quinta e com as de sábado pra domingo, porque em algumas regiões é a tal subida que vai dos 10 °C aos 11 °C, que é uma coisa brutal. Mas há aqui ainda um outro efeito que vai ficar do vento, porque mantém aquele afloramento costeiro. A água vai continuar bastante fria na costa ocidental, sobretudo, 17 °C a 19 °C no Oeste. No Algarve, um pouco mais morna, 20 °C a 22 °C. Só que também um outro apontamento, possa estar alguém de férias em Espanha, porque enquanto Portugal permanece seco, basta atravessar a península pra encontrar um cenário completamente diferente. As Baleares, Valência e outras zonas ali do Mediterrâneo, naquela parte, estão sob o risco de chuva e trovoadas fortes ou muito fortes. Nas Baleares, a AEMET, que é o equivalente ao nosso IPMA, colocou Maiorca, Ibiza e Formentera sob aviso laranja pra esta quinta-feira. O cenário é de precipitação torrencial, com 40 ml/m² numa hora em algumas horas.
Preocupante.
Sim, é.
Vamos falar agora de um fenômeno menos conhecido, mas que favorece as condições para haver incêndios. É o que é?
É uma, chama-se VPD, Vapor Pressure Deficit, e é uma maneira de medir não apenas se o ar está seco, mas também a acidez que a atmosfera tem, um déficit de pressão de vapor, e tornou-se uma variável importante pra perceber as secas, o estresse da vegetação e as condições favoráveis aos incêndios. É um princípio relativamente simples. A quantidade máxima de vapor de água que o ar consegue conter depende da temperatura. Quanto mais quente estiver, mais vapor a atmosfera vai ter de ir buscar. E este VPD mede a diferença entre essa quantidade máxima que o ar pode conter e a quantidade de vapor que efetivamente existe no ar. Se a diferença for pequena, a atmosfera está próxima da saturação. Se for grande, o ar tem capacidade pra receber muito mais água e vai começar a ir buscá-la ao solo e às plantas. À medida que a temperatura aumenta, aumenta também a capacidade da atmosfera de conter vapor d'água e se a água não estiver a acompanhar essa subida, o VPD aumenta e as plantas vão perder água mais depressa, apesar de elas terem algumas formas de se defenderem. Um estudo publicado já este ano concluiu que, à escala global, a importância do VPD na forma de limitar o crescimento da vegetação aumenta com as temperaturas mais altas e faz com que haja secas mais prolongadas.
E há aí uma consequência particularmente importante para os incêndios, porque essa perda de umidade da vegetação deixa-a também mais disponível para arder, não é?
Mais seca e mais disponível pra arder. Como é óbvio, fica mais seca e há mais combustível, apesar de ser sempre preciso uma ignição.
Claro. Vamos à curiosidade de hoje. Falamos de duendes vermelhos em Espanha. O que é isso?
Não tem nada a ver com futebol, mas parecem uns gigantes fantasmas vermelhos a subir de uma trovoada. Foram fotografados nos últimos dias sobre o Mediterrâneo, ali em Valência e Almeria, e podem estender-se até 80 km de altitude. Na verdade, eles chamam-se red sprites, ou duendes vermelhos. São um dos fenômenos elétricos mais difíceis de observar na atmosfera, porque, ao contrário dos relâmpagos, que vemos facilmente dentro das nuvens ou entre uma nuvem e o solo, estes sprites aparecem muito acima das grandes trovoadas, tendo a ver com descargas elétricas muito intensas, porque elas alteram o campo elétrico das camadas superiores da atmosfera e podem desencadear estes clarões avermelhados na mesosfera. Mesmo que eles ocupem estas dezenas de quilômetros, são muito fugazes. Os observados agora em Espanha duraram apenas 3 a 10 milissegundos. Não sei como é que isso se diz bem, e nem sei quanto tempo é, na verdade.
É pouco.
Sim.
É rápido, é muito rápido.
Muito rápido. E quando para observar bem uma tempestade precisamos estar muito perto dela, nesse caso convém estar muito longe, porque as trovoadas que os produzem podem estar a cerca de 200 km, e só assim permitem ver por cima das nuvens o que acontece também a muitos quilômetros acima dela. O vermelho, só para sabermos, é uma excitação das moléculas de azoto na atmosfera que está rarefeita. Os fenômenos são conhecidos há décadas, mas agora, com estas novas câmeras digitais e muito sensíveis, conseguem finalmente ser registrados com muita frequência, porque os nossos olhos não os veem assim à vista desarmada.
Andas a trazer muitas coisas que os nossos olhos não veem. Estas curiosidades meteorológicas que trazes aqui ao "Quente e Frio". Hoje falamos destes duendes vermelhos, é uma imagem que acontece na trovoada, que nós não conseguimos ver, que é muito rápido.
Vou mandar-te fotos.
Mas manda uma foto, que agora fiquei curioso, parece uma coisa de filme ficção científica.
É, parece. E muito grande.
Vamos conhecer melhor esses duendes vermelhos. "Quente e Frio" de hoje está feito com a Filomena Martins, sempre disponível em podcast. Até amanhã, Filomena.
Até amanhã.