Quase euforia, algum desalento. Mais um bocado de euforia, mais uma dose de desalento. O jogo de Portugal frente a Israel tinha um carácter quase decisivo nas contas do grupo B do Campeonato da Europa de voleibol, com o vencedor a dar um passo muito importante para o apuramento e o derrotado a ter de fazer contas em busca de um “milagre” para chegar ainda à quarta posição. Entre o equilíbrio, que o deixou de ser na parte final de todos os sets, a decisão acabou por cair para a “negra” – e foi aí que a Seleção caiu. Muitos erros na receção, ataques falhados, más escolhas no sideout, um invulgar parcial de 10-1 que acelerou a vitória israelita num momento chave para Portugal aspirar a igualar ou melhorar o décimo lugar da última edição.

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Significava isso que tudo tinha acabado? Não. Ainda assim, o caminho para a qualificação para a próxima fase tornava-se bem mais apertado, logo à cabeça porque o encontro que se seguia não era aquele que na teoria era o mais acessível (Macedónia do Norte) mas sim o duelo frente à Ucrânia, uma das equipas que tem apresentado melhor rendimento face ao que era esperado e que no fim de semana conseguiu gelar a Arena 8888, em Sófia, com um triunfo categórico diante da vice-campeã mundial, a Bulgária. Além da recuperação da “mossa” provocada pelo desaire com Israel, Portugal jogava a derradeira possibilidade de chegar ainda a um apuramento para os oitavos contra uma equipa invicta e que cedera apenas dois sets até agora.

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“Nesta fase já não estamos dependentes de nós mas temos de reagir ao dia de hoje [domingo]. O desporto é mesmo assim. Amanhã [segunda-feira] temos um jogo difícil com a Ucrânia. Queremos recuperar do jogo difícil que tivemos e prepararmo-nos para o que se segue. O que falhou? É que temos uma equipa do outro lado que fez um bom trabalho e que nos causou muitas dificuldades, mesmo na sua defesa. Eles reagiram no segundo set e faltou-nos capacidade de fechar o jogo. Trabalhámos bem no jogo todo, há muito mérito nosso e de Israel. No quinto set, numa situação simples, a equipa colapsa e sente o momento do jogo. Aí não há nada a fazer”, assumiu João José após a derrota, apontando ainda para a ténue esperança de qualificação.

Espero que consigamos reagir ao jogo com Israel. Não podemos levar esse desfecho para o próximo jogo, temos de levar o que trabalhámos bem para conseguirmos ter oportunidade para lutar pelo objetivo. A Ucrânia ainda ontem [sábado] ganhou à Bulgária e é uma das favoritas a chegar à fase seguinte, à meia-final ou à final”, apontara o selecionador antes do penúltimo jogo.

Portugal já tinha várias ausências para este Europeu, a que se juntou ainda a lesão de Nuno Marques na fase final de preparação para a competição. O jogo com a Polónia tinha sido quase de “apresentação” de alguns jogadores a uma nova realidade, a partida com a Bulgária mostrou alguma evolução na capacidade de jogo, o encontro com Israel tornou evidente a inexperiência ainda existente de assumir nos momentos decisivos. Agora, mais do que ganhar ou perder diante de uma Ucrânia que partia como clara favorita, havia também um teste à capacidade de redenção de uma equipa muito jovem e com uma média de alturas abaixo de todas as outras, naquele que seria um reencontro em Europeus depois da derrota nos oitavos em 2023.

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Portugal até teve uma entrada confiante na partida, com três pontos consecutivos no serviço de Bruno Dias que colocaram a equipa a acusar menos a pressão do jogo, mas a Ucrânia não demorou a equilibrar a partida com o serviço de Oleh Plotnytskyi, que chegava a este encontro com a média de pelo menos um serviço direto por set, a fazer a diferença. A Seleção tinha um dos desafios mais complicados a nível de receção e primeiro toque, com o sideout a assumir especial importância pelo peso que os ucranianos colocavam nos serviços (e que fizeram a diferença contra a Bulgária, por exemplo). João José parou a partida depois de um parcial de 3-0 para o 14-11. Ainda houve uma reação, com os ataques pela zona central com Kelton Tavares e Cveticanin a terem resultados, mas a rotação com Dmytro Yanchuk a servir acabou de vez com a resistência nacional, com a Ucrânia a fechar o triunfo no set inicial por 25-18 muito assente na capacidade de serviço.

O segundo set teve um início ao contrário do primeiro, com a Ucrânia a começar logo com um 3-0 que foi desequilibrando muito cedo o parcial. Ainda era possível de quando em vez ouvir os cânticos por Portugal nas bancadas da Arena 8888, em Sófia, mas o serviço contrário continuava a colocar problemas sem solução à receção baixa nacional, com esse condicionar do primeiro toque a complicar depois tudo o resto. Os ataques pela zona central continuavam a ser uma arma capaz de causar mossa no bloco ucraniano mas eram curtos perante os argumentos do conjunto de Leste. João José foi testando outros esquemas, com André Pereira a dar o lugar a Manuel Figueiredo quando estava a receber na rotação, mas o resultado foi resvalando com o tempo até ao 16-7, com os jogadores portugueses com semblantes cada vez mais carregados perante a dificuldade em encontrar caminhos para dar outra luta à Ucrânia, que fecharia o set por 25-18.

João José manteve a aposta em Manuel Figueiredo, já depois de ter rodado alguns jogadores no final do segundo set, mas Portugal jogava mais pela honra do que propriamente pelo resultado apesar de toda a importância que o triunfo num set poderia representar para as contas mais otimistas para a última ronda. Problema? A Ucrânia não facilitou em nada, apostando nas mesmas unidades com maior rendimento para tentar fechar mais um triunfo por 3-0 antes de discutir com a Polónia o primeiro lugar do grupo. Mais uma vez, a maior qualidade individual e coletiva dos ucranianos fez toda a diferença, com a Seleção a ter apenas argumentos para fazer mais um ponto no terceiro e último set do que nos anteriores (25-19). Resta um jogo com a Macedónia do Norte e a viagem de regresso a Portugal depois de um Europeu com pouco de positivo…