O Presidente da República, António José Seguro, defendeu esta terça-feira, em Troia, o desenvolvimento de tecnologias que possam ter aplicação na defesa e na sociedade civil, contribuindo, simultaneamente, para a defesa do país e para a criação de riqueza.

“É importante que exista essa aplicação dual e que ela possa servir a nossa economia através do incentivo tecnológico dos equipamentos, como tivemos a oportunidade aqui de verificar, e também ter esta aplicação, digamos, civil”, afirmou António José Seguro durante uma visita ao exercício REPMUS26, que decorre na península de Troia, no concelho de Grândola, distrito de Setúbal.

O chefe de Estado acrescentou que seria extraordinário que essa utilização civil pudesse ser alargada, salientando a importância de Portugal desenvolver capacidades tecnológicas próprias.

“Isso cria riqueza no nosso país, ao mesmo tempo que nos defende”, sublinhou Seguro, durante uma conversa com um representante da empresa portuguesa Beyond Vision, Pedro Figueiredo, que apresentou ao Presidente da República drones desenvolvidos em Portugal e destinados a aplicações civis e militares.

Durante a visita, António José Seguro viu vários sistemas que estão a ser testados em Troia e contactou com representantes das Forças Armadas, universidades, centros de investigação e empresas que participam no REPMUS – Robotic Experimentation and Prototyping with Maritime Unmanned Systems.

O Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), almirante Jorge Nobre de Sousa, destacou a importância da integração dos diferentes sistemas como um dos principais desafios do desenvolvimento das novas capacidades militares.

Segundo o CEMA, uma das questões fundamentais é conseguir que equipamentos de diferentes fabricantes e países comuniquem e operem de forma integrada.

O almirante Nobre de Sousa acrescentou que, nesse sentido, está a ser desenvolvida, com participação portuguesa, a norma NATO STANAG 4817, destinada a estabelecer protocolos que permitam a interoperabilidade entre sistemas não tripulados, para que equipamentos produzidos por diferentes fabricantes possam ser integrados nos sistemas de comando e controlo quando chegam à área de operações.

O almirante realçou ainda a ligação entre a Marinha, a academia e a indústria, lembrando que a Marinha portuguesa apresenta no exercício 45 configurações de capacidades ou sistemas próprios para teste e validação, enquanto a indústria participa com 51 e a academia com 11.

Segundo os dados apresentados durante a visita do Presidente da República, estão inscritos no REPMUS26 um total de 4.445 participantes, cerca de um terço militares e dois terços civis, e encontram-se em experimentação 575 sistemas diferentes.

Participam nesta 16ª edição do REPMUS 26 países, além de outros dez como observadores, com Portugal a apresentar o maior contingente, seguindo-se a Alemanha, com cerca de 500 participantes e perto de 100 capacidades em teste.

O REPMUS, que teve início a 31 de agosto e decorre até à próxima sexta-feira no Centro de Experimentação Operacional da Marinha, em Troia, é apresentado como o maior exercício mundial de experimentação operacional de sistemas não tripulados, reunindo Forças Armadas, indústria, universidades e centros de investigação de vários países.

Entre os equipamentos presentes encontram-se sistemas submarinos, de superfície e aéreos, redes de comando e controlo e, com uma presença crescente nesta edição, sistemas destinados a combater drones.

Estas tecnologias estão a ser testadas em áreas como a guerra antissubmarina e de minas, operações anfíbias, segurança marítima, caracterização ambiental, comando e controlo e operações contra sistemas não tripulados.