Cate Blanchett, Michael Fassbender e Selena Gomez estiveram em Portugal a gravar o novo filme do realizador norte-americano Brady Corbet (O Brutalista), apurou o Observador. A rodagem decorreu de 17 a 19 de setembro, em Almada, sob forte secretismo, com gravações noturnas incluindo na Ponte 25 de Abril. Trata-se da longa-metragem The Origin of the World (“A Origem do Mundo“, em tradução literal).

A Portugal Film Commission, a entidade pública integrada no Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) que tem como missão promover Portugal como destino de excelência para produções cinematográficas e audiovisuais internacionais, remeteu as questões do Observador para a No Murphy, a produtora local, com experiência em produções da Netflix e Amazon, que não respondeu ao pedido de contacto deste jornal.

Já a Câmara Municipal de Almada adianta ao Observador que “garantiu apenas uma articulação com a produtora e demais serviços municipais envolvidos”, uma vez que as filmagens “decorreram em espaço privado (antigos Estaleiros da Lisnave) e em espaços concessionados (Ponte 25 de Abril)”. De facto, no fim de semana de 19 e 20 de setembro, vídeos de gravações noturnas na zona circundante à Ponte 25 de Abril surgiram em grupos de moradores de Almada no Facebook. A Infraestruturas de Portugal não respondeu às questões deste jornal sobre se foi necessário o encerramento da ponte para as gravações. O Observador também contactou a Lisnave — estaleiros da Margueira, em Cacilhas, mas não obteve resposta.

Numa resposta por escrito enviada ao Observador, a autarquia liderada por Inês de Medeiros diz ver “com bons olhos a realização desta produção pelo seu impacto económico, turístico e de promoção do território”, notando que “o profissionalismo e qualidade dos técnicos, artistas e demais profissionais ligados a estas indústrias, residentes ou com forte ligação ao concelho” reforça “a atratividade de Almada como destino privilegiado para a realização de produções nacionais e internacionais”.

Para já, pouco se sabe sobre o filme, além do casting de luxo, no qual se inclui Michael Fassbender — que tem casa em Lisboa desde 2017. A página do IMDB tem pouco mais além dos restantes nomes do elenco: Cate Blanchett, Selena Gomez, Joe Alwyn e Lily McInerny.

Em maio deste ano, o cineasta e argumentista levantou um pouco o véu sobre o projeto durante o festival de argumento Storyhouse, em Dublin, na Irlanda. “O meu novo filme aborda, de certo modo, o misticismo americano e a história do oculto nos Estados Unidos. Tenho lido imenso material sobre a migração de sistemas e estruturas de crenças de cultos”, explicou, citado no site Deadline. Corbet disse estar a colaborar no projeto com o historiador Mitch Horowitz.

Com um argumento de 200 páginas — superando as 165 páginas que deram origem às três horas e meia de O Brutalista —, Corbet antecipava então um plano de trabalhos dividido em duas fases: “É um plano de rodagem de 50 dias, o que me deixa muito satisfeito (…). Trata-se, no fundo, de duas filmagens de 25 dias para 100 páginas de argumento. Veremos. Daqui a uns meses farei o ponto da situação.”

Brady Corbet, 38 anos, começou por trabalhar como ator. Na realização, estreou-se com a curta-metragem Protect You + Me (2009), distinguida no festival de cinema de Sundance com uma Menção Especial do Júri. A sua estreia nas longas-metragens deu-se com A Infância de um Líder (2015), a que se seguiu Vox Lux (2018), selecionado para a competição oficial do Festival de Cinema de Veneza.

O reconhecimento global consolidou-se com a sua terceira longa-metragem, O Brutalista (2024), um drama épico de três horas e meia protagonizado por Adrien Brody sobre um imigrante húngaro que tenta recomeçar a viver nos EUA depois da Segunda Guerra Mundial. Com um orçamento de produção independente inferior a dez milhões de dólares e posteriormente distribuído pelo estúdio A24, o filme alcançou dez nomeações aos Óscares, conquistando três estatuetas nas categorias de Melhor Ator, Melhor Fotografia e Melhor Banda Sonora Original.

Nos últimos anos, o realizador e argumentista tem mantido uma relação regular com Portugal, tendo participado como convidado no festival de cinema Leffest — Lisboa Film Festival em três edições: 2018, 2024 e 2025.