O Presidente do Brasil, Lula da Silva, justificou hoje a proibição de apostas desportivas na Internet com o número elevado de pessoas endividadas, durante um comício em São Paulo, no âmbito das eleições presidenciais de 4 de outubro.

“Tomei essa medida drástica, porque sei que há muitas pessoas endividadas por causa das apostas. O jogo tornou-se uma desgraça na vida das pessoas pobres, porque apostam, perdem, endividam-se para continuar a apostar e perdem o controlo sobre a dívida”, afirmou o chefe de Estado, que aspira à reeleição nas eleições de 4 de outubro para o seu quarto mandato não consecutivo.

A proibição das apostas e dos casinos virtuais, anunciada na sexta-feira pelo Presidente, foi o tema mais destacado no discurso que Lula proferiu no comício eleitoral que liderou em São Miguel Paulista, um bairro carenciado na zona leste de São Paulo.

Foi a sua primeira declaração pública após a controversa proibição das casas de apostas, que se tinham tornado importantes patrocinadores dos clubes de futebol e das redes de televisão.

“Assinei um decreto executivo para acabar com as apostas. Quem quiser ganhar dinheiro, que encontre uma forma honesta de o fazer e não matando a gente pobre, endividando a gente pobre, vendendo mentiras”, afirmou Lula da Silva, que lidera as sondagens de intenção de voto, mas aparece tecnicamente empatado com o senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, ex-Presidente do Brasil.

Lula afirmou que ninguém enriquece a apostar, com exceção dos donos das casas de apostas, e que tinha de tomar uma decisão para impedir que um pai usasse o dinheiro destinado à alimentação dos seus filhos para apostar.

Flávio Bolsonaro acusou, por seu turno, Lula da Silva de promover uma “fraude eleitoral” por anunciar a proibição apenas a nove dias das eleições, uma vez que, argumentou, foi o próprio Governo do Partido dos Trabalhadores (PT), que regulamentou as apostas, autorizou 85 empresas a operar e arrecadou cerca de 20.000 milhões de reais (cerca de 3.855 milhões de dólares), em impostos dessas operadoras.

Acrescentou que a “fraude eleitoral” ficou comprovada pelo facto de Lula ter optado por um decreto executivo para determinar a proibição, mas esta medida tem de ser aprovada pelo Congresso num prazo de 120 dias.

“Quando esse prazo terminar e se não houver aprovação do Legislativo, as apostas poderão regressar com mais força, mas as eleições já terão passado”, afirmou.

O líder do PT concentrou os seus comícios nos últimos dois dias no estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil e onde as sondagens mostram Bolsonaro com vantagem sobre Lula.

No mesmo discurso, o líder do PT defendeu a soberania do Brasil e insistiu que “ninguém de fora pode meter o bedelho” nas eleições brasileiras, numa referência à alegada ingerência do Governo do Presidente dos EUA, Donald Trump, na campanha eleitoral no Brasil a favor de Flávio Bolsonaro.