A estreia correu bem, mas ainda havia muito para melhorar. No Estádio José Alvalade, a nova era da Seleção Nacional começou como se competia, com a equipa agora liderada por Jorge Jesus a superar o País de Gales, fruto de um golo de João Félix ainda na primeira parte (1-0). Para lá do resultado que, naturalmente, é o principal ponto positivo a retirar da estreia na Liga das Nações, a mudança no comando técnico chegou com um ajuste no sistema tático, com Jesus a abdicar do 4x3x3 de Roberto Martínez e a partir de um 4x4x2, com Félix a juntar-se a Cristiano Ronaldo — que saiu a cerca de 25 minutos do fim — no corredor central, Pedro Neto a surgir na direita e Bruno Fernandes a partir da esquerda para terrenos interiores. Ainda assim, percebeu-se que há muito a melhorar, numa altura em que o tempo é curto e o nível dos adversários começa a subir — e de que maneira.

Há muita estrada para andar, mas Jesus continua a saber o que fazer com o prodígio que passeia (a crónica do Portugal-País de Gales)

Diante da formação galesa, as diferenças foram mínimas em relação ao jogo que ditou a eliminação do Campeonato do Mundo, com Jesus a optar por trocar apenas João Neves por Rúben Neves. A entrada em campo acabou por ser intermitente, embora o golo do jogador do Al Nassr tenha acalmado a equipa das quinas. O domínio desapareceu depois do intervalo e, na segunda parte, a Seleção decaiu em termos exibicionais, acabando o jogo a sofrer, com o País de Gales a ameaçar o empate. No final, o novo selecionador nacional não escondeu que é possível fazer melhor, mostrando-se satisfeito com a primeira amostra. Agora era tempo de viajar até à Escandinávia para defrontar a Noruega de Erling Haaland, mas que também é de Fredrik Aursnes e Andreas Schjelderup.

Ficha de jogo

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Noruega-Portugal, 1-2

2.ª jornada do Grupo A4 da Liga das Nações 2026/27

Ullevaal Stadion, em Oslo (Noruega)

Árbitro: François Letexier (França)

Noruega: Orjan Nyland; Fredrik Aursnes, Kristoffer Ajer, Torbjorn Heggem, Julian Ryerson (Leo Ostigard, 67’); Sander Berge, Martin Odegaard, Patrick Berg (Oscar Bobb, 72’); Andreas Schjelderup, Antonio Nusa (Jorgen Strand Larsen, 81’) e Erling Haaland

Suplentes não utilizados: Sander Tangvik, Egil Selvik; Odin Bjortuft, Fredrik Sjovold, Ole Blomberg, Marcus Pedersen, Kristian Thorstvedt, Thelo Aasgaard e Erik Botheim

Treinador: Stale Solbakken

Portugal: Diogo Costa; João Cancelo, Rúben Dias, Renato Veiga, Nuno Mendes; João Palhinha (Rúben Neves, 81’), João Neves (Vitinha, 55’), Francisco Conceição (Rafael Leão, 55’), Pedro Neto (Bernardo Silva, 87’); João Félix e Gonçalo Ramos (Francisco Trincão, 81’)

Suplentes não utilizados: Rui Silva, Samu Soares; Diogo Dalot, Tomás Araújo, Nuno Tavares, Cristiano Ronaldo e Gonçalo Inácio

Treinador: Jorge Jesus

Golos: Félix (17’), Haaland (51’) e Ramos (54’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Ryerson (16’), Aursnes (47’), Palhinha (49’), Ajer (65’), Veiga (67’), Vitinha (76’), Cancelo (76’), Dias (88’) e Bernardo (90+4’)

“É uma das equipas mais fortes da Europa. Têm jogadores que nós conhecemos. Vão criar situações muito mais difíceis para a última linha. Espero que a equipa tenha capacidade para responder. Não há muito para evoluirmos em relação ao último jogo. O que nos vai fazer evoluir é o jogo que já fizemos, mas estou confiante que a equipa vai dar resposta defensivamente e que, ofensivamente, a equipa possa ser individualmente mais criativa. É difícil pela qualidade que têm coletiva e individualmente, como demonstraram no Mundial. Têm os seus trunfos e têm qualidade, mas nós também. Acredito muito no que vamos fazer amanhã [domingo]. Não vou ter medo da Noruega e vou lançar uma equipa que até olho mais de forma ofensiva do que defensiva”, assumiu Jorge Jesus na antevisão ao duelo de Oslo.

Os vikings chegaram à Liga das Nações depois de terem alcançado a melhor prestação da sua história em Mundiais na América do Norte, tendo caído nos quartos de final, diante de Inglaterra. A estreia na nova edição da prova da UEFA não podia ter corrido melhor, com a Noruega a vencer a Dinamarca pela primeira vez desde 2000 (3-2). “Sabemos como ele [Jesus] costuma jogar nos clubes que já orientou e vimos no jogo com o País de Gales como Portugal jogou um pouco diferente. Temos de ter isso em consideração no nosso plano de jogo. Creio que será equilibrado, é em nossa casa, temos de tentar parar as melhores unidades mas também fazer o nosso jogo e sermos leais à forma como temos jogado nos últimos anos”, sublinhou Stale Solbakken.

Na Noruega, Jorge Jesus voltou a abdicar de Fábio Silva da lista de 23 convocados para o jogo deste domingo, com Bruno Fernandes a juntar-se ao avançado do Borussia Dortmund, já que o médio tem jogado com uma dor e fez apenas trabalho de recuperação no sábado. Para o lugar do capitão do Manchester United entrou Francisco Conceição, que ficou pelo corredor direito e “obrigou” Pedro Neto a deslocar-se para a esquerda. A grande novidade foi a presença de Cristiano Ronaldo no banco, onde o capitão já não marcava presença há mais de dois anos, no que concerne à Seleção. Deste modo, o selecionador optou por juntar Gonçalo Ramos a João Félix, lançando ainda João Palhinha e João Neves no meio-campo, de onde saíram Rúben Neves e Vitinha. Na Noruega, Fredrik Aursnes e Andreas Schjelderup foram titulares no lado direito.

O início do jogo trouxe uns vikings mais ofensivos e fortes fisicamente, o que obrigou Palhinha a baixar para junto dos centrais em diversas ocasiões. Ainda assim, a primeira oportunidade de perigo pertenceu aos portugueses, com Neto a recuperar a bola em zona ofensiva, antes de perder a bola quando tinha tudo para faturar (13′). A Noruega respondeu por Erling Haaland, que foi acionado por Martin Odegaard e obrigou Diogo Costa a uma grande defesa (14′). Pouco depois, Nuno Mendes desbloqueou pela esquerda, serviu o extremo do Chelsea na profundidade que, sem oposição, cavalgou para a área e cruzou para Félix que, em zona frontal, recebeu e atirou colocado para o golo inaugural (17′).

A segunda metade da primeira parte foi amplamente dominada pela Noruega, com Portugal a conseguir, a espaços, apenas mais um remate, por intermédio de Conceição, que rematou perto do poste (32′). Antonio Nusa acabou por ser o elemento mais preponderante do ataque caseiro, aproveitando as facilidades de Cancelo para servir o ataque, sendo que foi dos seus pés que saiu mais um remate de Haaland para defesa de Costa (35′) e um remate que saiu a rasar a barra (45′). Já depois de Chico se ter lesionado, Sander Berge cabeceou com perigo (45+3′) e o avançado do Man. City cabeceou para as mãos do guarda-redes do FC Porto na derradeira oportunidade da primeira etapa (45+4′).

A etapa complementar arrancou mais quezilenta e com a Noruega a aproveitar a bola parada para empatar, com Martin Odegaard a cobrar um livre em zona frontal para defesa incompleta de Diogo Costa, que deixou a bola à sua frente e permitiu a Patrick Berg tocar de cabeça para o desvio certeiro de Erling Haaland (51′). A reação portuguesa não podia ter aparecido em melhor altura, já que Orjan Nyland começou a entrar em ação pela negativa e, sem oposição, colocou a bola nos pés de Gonçalo Ramos, que fez o 1-2 com um chapéu (54′). Jorge Jesus reagiu de imediato com Vitinha e Rafael Leão nos lugares de João Neves e Francisco Conceição e, na primeira tentativa, o avançado do Galatasaray enviou a bola à barra depois de um defesa ainda ter tocado, com Ramos a rematar para fora na recarga (57′).

No lance seguinte, Nyland voltou a meter água em mais um lance aparentemente inofensivo, saiu da baliza para aliviar, falhou a bola e permitiu ao ponta de lança do AC Milan o bis, mas o VAR acabou por descortinar um fora de jogo de Ramos por conta do calcanhar e a Noruega continuou no jogo (58′). Já com Leo Ostigard e Oscar Bobb em campo, os vikings voltaram a assumir as despesas da partida e, em mais uma jogada desencantada por Antonio Nusa, Andreas Schjelderup isolou-se, mas hesitou muito e permitiu nova defesa a Diogo, que fez bem a mancha (78′). Para a reta final da partida, Jesus abdicou do ponta de lança com a entrada de Francisco Trincão para o lugar de Ramos, trocando ainda João Palhinha por Rúben Neves, ao passo que Stale Solbakken lançou Jorgen Strand Larsen por Nusa. Ainda houve tempo para Bernardo Silva entrar, mas a vitória não viria a fugir à comitiva nacional (1-2).