O município de Ferreira do Zêzere vai apresentar no dia 30 de setembro, quarta-feira, uma proposta de mobilidade para 10 anos, com zonas 30, percursos pedonais, rede ciclável, alterações no estacionamento e reforço do transporte público.
“O Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) é um plano estratégico que procura definir uma estratégia integrada para a mobilidade no concelho, promovendo deslocações mais seguras, acessíveis e sustentáveis”, disse esta segunda-feira à Lusa o presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, Bruno Gomes.
O PMUS, ainda em fase de proposta, será apresentado às 18h30, nos Paços do Concelho de Ferreira do Zêzere, no distrito de Santarém, seguindo-se um período de apreciação e discussão antes da versão final.
Segundo o autarca, entre os principais problemas identificados estão “a dependência do automóvel, o tráfego de atravessamento”, as condições para as deslocações a pé e de bicicleta, a articulação com o transporte público, o estacionamento e a segurança rodoviária.
A proposta prevê reorganizar a circulação viária, criar zonas 30, áreas urbanas onde a velocidade máxima é limitada a 30 quilómetros por hora, e zonas de coexistência, melhorar percursos pedonais e acessibilidades, intervir nas envolventes escolares e desenvolver gradualmente uma rede ciclável.
Inclui ainda o reforço dos transportes públicos, a beneficiação da Central de Camionagem, medidas de acalmia de tráfego e uma gestão “mais racional” do estacionamento.
As intervenções de maior expressão deverão concentrar-se no núcleo central da vila, nos principais eixos urbanos e junto de equipamentos, embora Bruno Gomes tenha salientado que “a configuração concreta das soluções dependerá do posterior desenvolvimento dos respetivos projetos”.
O plano define um horizonte principal de 10 anos, com medidas de curto prazo até 2028, médio prazo até 2031 e longo prazo até 2036, além de algumas intervenções estruturantes previstas para um período posterior.
As primeiras ações ainda não estão definidas, podendo o município optar inicialmente por “intervenções de curto prazo, de implementação mais simples ou de caráter experimental”, antes de soluções definitivas de maior investimento.
O documento contém estimativas de custos para parte das ações, mas o presidente frisou que esses valores “não correspondem, nesta fase, a compromissos financeiros já assumidos”, uma vez que várias medidas carecem ainda de estudos e projetos.
Entre as fontes de financiamento consideradas estão verbas municipais, fundos estruturais e outros programas nacionais e europeus.
Bruno Gomes afirmou ainda que o PMUS foi preparado em articulação com o ordenamento do território e com investimentos previstos nas áreas da educação, habitação, equipamentos e requalificação urbana.
A mobilidade sustentável já integra o Plano Estratégico Ferreira do Zêzere 2030, que prevê a qualificação de percursos pedonais e cicláveis e medidas de acalmia de tráfego. A revisão do Plano Diretor Municipal, publicada em dezembro de 2024, inclui igualmente uma componente dedicada à rede viária, mobilidade e transportes.
A nível regional, Ferreira do Zêzere integra a estratégia da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, que inclui o serviço de transporte público MEIO e o Transporte a Pedido.
Para Bruno Gomes, o plano “não deve ser entendido apenas como um instrumento de organização do trânsito”, mas como uma ferramenta de qualificação do território.
“A melhoria da segurança, das acessibilidades, do espaço público e das alternativas de deslocação pode contribuir para tornar Ferreira do Zêzere mais confortável e inclusivo para quem nele vive, mas também mais atrativo para trabalhar, visitar e investir”, afirmou.
Os PMUS estão previstos na Lei de Bases do Clima e visam, segundo o Instituto da Mobilidade e dos Transportes, melhorar a acessibilidade, a segurança rodoviária, a eficiência dos transportes e a qualidade do ambiente urbano, reduzindo emissões e consumo de energia.