Agentes económicos e associativos dos Açores defenderam esta quinta-feira “medidas imediatas” para recuperar a procura turística nos Açores, como a intervenção direta do Turismo de Portugal, mobilizando os seus meios, canais e capacidade de promoção internacional.

A Associação do Alojamento Local dos Açores, a Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, a Associação da Hotelaria de Portugal e a Federação Agrícola dos Açores reuniram-se esta quinta-feira, na Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, para avaliar a situação atual do turismo e “reclamar soluções de curto prazo que permitam recuperar a procura e reforçar a competitividade do destino Açores”.

Em nota enviada à agência Lusa, defendem que a resposta “deve concentrar-se em medidas com capacidade para produzir resultados no curto prazo”, começando por um “reforço imediato e significativo da promoção turística dos Açores”.

“É necessário aumentar a presença do destino nos principais mercados emissores, desenvolver campanhas orientadas para a época baixa e apoiar a procura com objetivos, calendários e resultados mensuráveis. A promoção não pode continuar a ser encarada como uma despesa, mas como um investimento essencial para proteger a atividade económica, o emprego e a receita fiscal gerada pelo turismo”, lê-se na nota.

Os agentes económicos consideram ainda “indispensável uma intervenção direta do Turismo de Portugal, mobilizando os seus meios, canais e capacidade de promoção internacional para apoiar os Açores num momento particularmente exigente”.

Além disso, acrescentam, é igualmente urgente “aumentar a capacidade aérea e recuperar uma presença relevante de companhias de baixo custo na região, sobretudo durante o inverno”, notando que a entrada de uma companhia ‘low-cost’ contribuiria para “aumentar a oferta de lugares, reforçar a concorrência e criar pressão para tarifas mais acessíveis, tornando o destino novamente competitivo e estimulando a procura durante a época baixa”.

Embora reconheçam como positivo o enquadramento legal dado ao Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas dos Açores, os agentes económicos e associações que se reuniram esta quinta-feira na ilha de São Miguel alertam que o fundo “só produzirá efeitos quando estiver efetivamente operacional, com dotação financeira, regras transparentes, calendário definido e objetivos concretos para a captação de rotas, companhias e frequências”.

Segundo os agentes económicos, entre janeiro e agosto de 2026, as dormidas turísticas nos Açores “diminuíram 3,1%, o que representa uma perda estimada de cerca de 102 mil dormidas face ao mesmo período do ano anterior”.

No alojamento local, a quebra “atingiu 6,1%, correspondendo a aproximadamente 91 mil dormidas perdidas”, enquanto “no mesmo período, Portugal registou um crescimento de 1,5%”.

“Esta evolução demonstra que os Açores estão a perder procura num momento em que o mercado turístico nacional continua a crescer. O impacto não se limita ao alojamento, estendendo-se à restauração, comércio, ‘rent-a-car’, animação turística, transportes, agricultura e restantes atividades ligadas à economia do turismo”, salientam.