Várias casas de apostas já divulgaram as previsões para o vencedor do prémio literário mais relevante do panorama internacional e a escritora portuguesa Lídia Jorge figura na lista. A uma semana da atribuição do Nobel da Literatura, em Estocolmo, a chinesa Can Xue lidera as perspetivas da Ladbroke e da Bethard.
Como é hábito nesta altura do ano, a expectativa face ao próximo vencedor do prémio literário começa a agitar o mercado de apostas. Menos incisivos do que em 2025, quando o galardão foi atribuído ao húngaro László Krasznahorkai, os prognósticos das casas de apostas favorecem Can Xue — a quem a plataforma Bethard atribui a probabilidade de 4/1, isto é, 20% de probabilidade de receber o prémio, e a Ladbroke 10/1 (cerca de 9,1%).
Em 2025, a autora chinesa já havia sido uma favorita entre os corretores de apostas da Ladbroke, que lhe haviam atribuído a mesma probabilidade (10/1) de receber o prémio que o vencedor final, Krasznahorkai. Este ano, a projeção que surge associada à escritora de 72 anos repete-se, com uma diferença: no topo do pódio, Can Xue não enfrenta uma concorrência tão obstinada, seguindo-se os prognósticos de 14/1 (6,7%) para Haruki Murakami e 16/1 (5,9%) para Gerald Murnane e Thomas Pynchon, respetivamente.
Entre os primeiros dez candidatos ao Nobel previstos pela casa de apostas, um nome português salta à vista: Lídia Jorge ocupa a sétima posição, depois da mexicana Cristina Rivera Garza e do espanhol Enrique Vila-Matas. À autora de A Costa dos Murmúrios e do mais recente Misericórdia a Ladbroke atribui uma probabilidade de vencer o galardão de 20/1 (4,8%), citada pelo site norte-americano Literary Hub.
Por sua vez, a Bethard divulgou projeções mais inflacionadas. Nos dados publicados pela casa de apostas, a poeta canadiana Anne Carson figura no segundo lugar da lista, com probabilidade de vencer de 6/1 (aproximadamente 14,3%), seguida de Murnane, com 7/1 (12,5%). Seguem-se Amitav Ghosh, César Aira, Cristina Rivera Garza, Thomas Pynchon, Jamaica Kincaid e Alexis Wright. Esta lista não inclui nenhum escritor português.
Can Xue é apontada como uma das favoritas ao Nobel da Literatura pelo menos desde 2019, quando foi nomeada para o Prémio Booker Internacional com o romance O Amor no Novo Milénio. Em 2015, o seu livro A Última Amante ganhou o Best Translated Book Award, concedido pelo site de crítica literária da Universidade de Rochester, em Nova Iorque. A autora chinesa, que nasceu na cidade de Hunan, no sul do país, em 1953, é conhecida pela sua ficção experimental e avant-garde.
O Nobel da Literatura é um prémio concedido anualmente, desde 1901, pela Academia Sueca a autores que fizeram notáveis contribuições para o campo da literatura, e tem um valor pecuniário superior a um milhão de euros. Até à data, o galardão distinguiu 122 escritores, apenas um dos quais português: José Saramago, que também é o único autor lusófono premiado pela Academia. Durante a vida — o prémio não pode ser atribuído postumamente —, António Lobo Antunes figurou sistematicamente na lista dos preferidos pelas casas de apostas, embora nunca em lugares cimeiros.
[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]