O secretário-geral do PCP pediu esta quinta-feira à ministra da Saúde que “desça à realidade”, fazendo “um ultimato” à governante e ao primeiro-ministro para o acompanharem numa visita às habituais longas filas num centro de saúde do Cacém.
Paulo Raimundo falava aos jornalistas durante uma ação de contacto com as dezenas de utentes que, de três em três meses, se concentram à porta do Centro de Saúde do Olival, em Agualva-Cacém, concelho de Sintra, numa longa fila para tentar tirar uma senha que lhes permita marcar consulta.
A iniciativa do líder comunista tem-se repetido trimestralmente, coincidindo com os dias de distribuição de senhas nesta unidade de saúde. Dos relatos dos utentes que ouviu, Raimundo sublinhou que os primeiros a chegar à fila apresentaram-se cerca das 2h00 para garantir que conseguiam marcar uma consulta.
No passado 1 de julho, data da última visita ao Centro de Saúde do Olival, Raimundo insistiu no desafio ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, e à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, para que o acompanhassem na visita seguinte, realizada esta quinta-feira, e, perante a falta de resposta do Governo, subiu a exigência.
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“Já não é um convite, já é um ultimato. Fiz esse apelo, o primeiro-ministro não teve tempo de vir cá […]. A ministra da Saúde também não teve agenda para cá vir, mas teve agenda de vir cá na semana passada inaugurar um hospital privado aqui no concelho de Sintra. É preciso que quem tem responsabilidade política perceba a vida das pessoas“, atirou.
O líder do PCP sublinhou que são mais de 15 mil os utentes sem médico de família nesta unidade de saúde e que a “vida das pessoas é esta vida”, referindo-se à longa fila no Cacém.
Raimundo considerou que “era bom que a ministra [da Saúde] descesse à realidade para perceber o que é que acontece na vida real“, criticando o “discurso de sempre” de Ana Paula Martins, em que alega que os tempos de espera nos hospitais estão a diminuir ou que, de forma geral, o “país está melhor” na área da saúde.
“Tudo a funcionar, tudo a funcionar, menos a vida das pessoas. Ora, isto é que é preciso resolver de uma vez por todas”, reforçou, acrescentando que “o país está melhor segundo a opinião do primeiro-ministro”, mas as “pessoas continuam na fila à espera de um médico de família que não têm”.
Raimundo acusou os membros do Governo de viverem numa bolha e “num país diferente”, pedindo-lhes que “tenham contacto com o país real” e parem de se ocupar com o que considera ser uma agenda ocupada com o encerramento de serviços de urgência e o “desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde”.
“A fila hoje está maior do que da última vez que eu cá tinha estado. O resultado deve ser o mesmo, centenas de pessoas sem acesso a cuidados de saúde, a consulta. Mas é preciso resolver, eu virei cá às vezes que for preciso para denunciar a situação e exigir ao Governo a resolução do problema”, sublinhou.
O líder comunista caracterizou a situação neste centro de saúde como “desumana e indigna” para pessoas que “trabalharam a vida inteira e se sentem justamente injustiçadas”.