Surgiu como um mero movimento, sem intenções (pelo menos a breve prazo) de entrar em qualquer corrida eleitoral, com o único propósito de juntar benfiquistas dos mais variantes quadrantes para analisar o clube, detetar os problemas e projetar soluções – num debate aberto a todos e com as conclusões a serem entregues à Direção e restantes Órgãos Sociais do clube com o intuito de tornar o Benfica mais forte. Nome: UNUM, o mote inspirado no “E Pluribus Unum” – “de muitos, um”. E com 32 figuras a darem a cara pelo projeto.
“O UNUM apresenta-se publicamente como uma casa de ideias benfiquista, criada para reunir conhecimento, experiência e diferentes perspetivas em torno de um propósito comum: contribuir para um Benfica mais forte e mais vencedor. Assenta em quatro princípios: compromisso, independência, pluralidade e consequência. Compromisso porque o Benfica é o ponto de partida e o critério final. Independência para pensar o clube com autonomia e sentido crítico. Pluralidade para reunir gerações, percursos, opiniões e sensibilidades diferentes. Consequência para transformar estudo, análise, dados e contributos em propostas úteis”, anunciou o movimento na primeira apresentação pública, ainda em forma de um mero comunicado.
Criou-se alguma expetativa no universo encarnado para perceber o primeiro passo do UNUM e o mesmo não demorou: esta terça-feira, o movimento vai ter o primeiro evento público, neste caso sobre arbitragem: “Em vez de se limitar à análise de casos concretos, o paper organiza a sua proposta em seis pilares e 17 medidas, com implementação faseada e preocupação com a viabilidade jurídica e financeira. Entre as medidas apresentadas, destacam-se: criar uma estrutura operacional autónoma para a arbitragem profissional, com direção, orçamento e prestação de contas próprios, separação funcional, regras claras de nomeação e fiscalização externa. O objetivo é reduzir conflitos de interesses, clarificar responsabilidades e reforçar a independência e a credibilidade do sistema. Implementar o fora de jogo semiautomático em todos os recintos da Liga, através de um sistema certificado e de uma dotação de seis milhões de euros suportada pela FPF, reduzindo o erro manual, o tempo de decisão e as desigualdades tecnológicas entre estádios”.
Agora, pouco mais de 24 horas antes dessa mesma apresentação que deverá contar com participações de figuras do futebol mundial como os antigos internacionais ingleses Steven Gerrard e Alan Shearer, o Benfica falou de arbitragem, de medidas… e de quatro pilares. De acordo com os jornais Record e A Bola, os encarnados entregaram à Federação Portuguesa de Futebol, na sequência de uma reunião que existiu a 11 de setembro, um documento com propostas de reforma para a arbitragem nacional com eixos de atuação estratégicos definidos: independência, profissionalização, transparência e responsabilização. “Foi uma proposta de reforma total e completa da arbitragem com um documento substancial e extenso”, referiu fonte do clube ao Record, explicando algo que aconteceu há três semanas mas só agora se tornou público.
De acordo com essas mesmas propostas, o Benfica defende a criação de uma entidade autónoma da FPF, da Liga e dos clubes para a gestão da arbitragem “com mandatos fixos, desfasados de ciclos eleitorais e sob concurso internacional”, separação dessa entidade independente em relação à avaliação dos árbitros, profissionalização do VAR, bónus por mérito e o inverso para desempenhos insatisfatórios. “A excelência tem de ser distinguida e premiada”, defendeu o mesmo documento que foi entregue pelo Benfica.