O antigo diretor técnico da empresa que gere o SIRESP, Carlos Leitão, garantiu no parlamento que se o apagão de 2025 fosse hoje não teria originado os problemas que ocorreram então nas comunicações de emergência.

Carlos Leitão foi o primeiro coordenador de uma equipa de trabalho destinada a fazer um estudo técnico estratégico para substituir o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança (SIRESP), criado na sequência de problemas com o sistema durante o apagão de abril de 2025, altura em que, nas palavras do responsável, “25 a 30%” das estações tiveram anomalias. O responsável, que falava na comissão parlamentar de inquérito aos negócios dos incêndios rurais, regressou no início do mês à empresa que gere o SIRESP.

No ano passado demitiu-se do cargo após o Governo ter mandado suspender os trabalhos da comissão e ter deixado passar cinco meses sem justificação, recordou esta quarta-feira.

Atualmente, explicou, a situação de anomalia verificada no apagão não teria acontecido porque houve uma substituição de baterias que permite uma maior duração em caso de falta de energia. A substituição das baterias, precisou, já estava em curso no ano passado.

Na audição, Carlos Leitão disse não saber o que levou à paragem do estudo, afirmou concordar com as conclusões, posteriores, desse estudo, recordou que o inquérito disciplinar que lhe foi movido foi arquivado e garantiu que teve uma conduta transparente, e negou ter tido alguma vez conhecimento de qualquer caso de corrupção ou de ilícito ligado a meios para os combates a fogos florestais.

Carlos Leitão disse ainda que na empresa SIRESP não se fala em extinção e acrescentou que a mesma está a trabalhar, a executar projetos para aumentar a resiliência e a evoluir para um modelo mais avançado tecnologicamente.

Atualmente, garantiu, há cada vez menos queixas sobre o SIRESP, que conta agora com estações móveis mais abrangentes, inseridas num conjunto de projetos que foram financiados com apoio do PRR. “Hoje a rede está apta a cumprir com os desígnios para que foi construída”, assegurou, acrescentando que com a evolução da tecnologia o sistema vai sendo substituído para suportar essa tecnologia, como a transmissão de imagem.

A comissão de inquérito ouviu também o antigo inspetor-chefe da PJ António Carvalho, já reformado e formador em investigação das causas dos incêndios, que questionado sobre se tem conhecimento de ilícitos ou corrupção na questão ligada a meios contratados para combater os incêndios disse que não.

Nas respostas aos deputados admitiu ter encontrado alguns “interesses específicos” em situações de fogo posto, apontando casos, não significativos, de madeireiros locais, e que não tinha conhecimento de casos envolvendo “grandes instituições” ligadas à madeira.

O responsável disse que a causa predominante dos incêndios é o dolo eventual e menos o dolo direto, acrescentando que “não há tantos incendiários como isso”.

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