Nem tudo foi mau na paragem – ou, pelo menos, nem tudo era mau para Rui Borges. Alguns jogadores do Sporting aproveitaram da melhor forma a oportunidade nas respetivas seleções para fazerem a estreia, para serem pela primeira vez titulares ou para ganharem outra confiança com golos (e aqui falamos de Fresneda, Doumbia, Ioannidis, Suárez, Geny Catamo, Maxi Araújo e Zalazar…), outros tiveram oportunidade e mais “espaço” para recuperarem de problemas físicos (como Ibrahima Ba), outros ainda foram chamados à equipa A para deixarem cartões de visita como aquele que valeu a Flávio Gonçalves a subida ao conjunto principal. Em paralelo com tudo isso, houve margem para “apagar” aquele que estava a ser o momento no Campeonato. Aqui, entroncava outro problema: com o regresso das provas de clubes, os números eram os mesmos.
Sp. Braga-Sporting. Leões jogam na Pedreira após dois empates consecutivos na Liga
“A semana foi tranquila. Treinámos, tentámos estar ligados ao próximo jogo. Vamos para Braga sem nunca treinarmos com todo o grupo mas são grandes jogadores e estão completamente focados no que têm de fazer, preparados para a exigência do jogo. O Sp. Braga é uma grande equipa. Muito agressivos na pressão alta, muito intensos e competitivos. É das melhores equipas, se não a melhor, nos duelos ganhos em termos defensivos. Uma equipa que em termos da transição, no momento do ganho da bola, é a que mais finaliza nesse momento. Uma equipa com padrão de jogo muito específico, muito associativa, das equipas com mais posse de bola no nosso campeonato. É a equipa que menos se consegue pressionar porque fica difícil arranjar os momentos de pressão. Temos de ser muito pacientes e organizados nesse momento. Têm cinco jogos em casa, cinco vitórias e nenhum golo sofrido. Perante isso, queremos ser Sporting. Dentro do que podem proporcionar, sermos fiéis à nossa identidade e trazer os três pontos”, dizia Rui Borges antes do encontro.
ANTEVISÃO : Alheira sobre brasas, na Pedreira ????
???? A Liga está de volta e logo com um escaldante Braga – Sporting, com odds a traduzir a imprevisibilidade do desfecho
???? Minhotos não arrancaram com o fôlego que esperavam, um pouco como há um ano e Vicenz procura um "restart"… pic.twitter.com/q6VG9heSRb
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Toda a descrição era um problema adicional dentro de três problemas que assolavam o Sporting: 1) os dois empates consecutivos antes da interrupção, diante do Famalicão e do Arouca, que deixaram os leões a seis pontos do líder FC Porto; 2) as dificuldades em conservar vantagens ou gerir os encontros estando na frente do marcador, no caso da última igualdade com a expulsão de Zeno Debast a contribuir também para a quebra a pique na derradeira meia hora; 3) as barreiras que o conjunto verde e branco continuava a não conseguir derrubar sempre que defrontava adversários do topo da Liga. Aliás, nem era preciso recuar muito: nos três encontros diante dos minhotos desde que assumiu o comando leonino, Rui Borges nunca tinha ganho.
“Também nunca perdemos…”, começou por ironizar sobre as três igualdades com os arsenalistas. “São épocas diferentes, jogos diferentes, jogadores diferentes. Obriga-nos, dentro do nosso jogo, a tentarmos ser o melhor possível, a fazer um grande jogo. Sabemos que vimos de dois empates que deixam alguma intranquilidade, mas ao longo destes dias, apesar de não termos o grupo todo, fui sentindo a equipa muito motivada, tranquila e com vontade de dar uma grande resposta perante uma grande equipa e conseguir os três pontos. A pressão do Sporting, de equipa grande, é ganhar todos os jogos. Vamos tentar fazer isso perante as dificuldades que vamos ter. Que sejamos sempre capazes de as anular”, argumentou o técnico verde e branco, relativizando a pressão crescente adensada pelo último empate com o Arouca.
“A contestação é natural, em todo o mundo no futebol. A exigência do Sporting é enorme, sabemos bem o que representa estarmos à frente da equipa do Sporting e em alguns momentos vai existir. Lido bem com isso. Percebo-a, respeito-a e sigo muito focado no meu trabalho de dar a volta a momentos menos positivos que possam acontecer”, defendeu, antes de falar também do “voto de confiança” do líder do clube, Frederico Varandas: “A confiança do presidente vem desde o primeiro dia e é diária. Sinto-me bem e feliz no Sporting desde sempre, com o carinho que tenho de todos. A confiança é diária, já disse várias vezes aqui. Estou super tranquilo. A pressão é a mesma desde o primeiro dia. Percebo a grandeza e a exigência deste clube, trabalho todos os dias também para ela. Às vezes conseguimos, noutras não, o futebol é isso”.
Os assuntos podiam mudar, a tentativa de relativizar todos os temas era frequente. E nem mesmo em relação à equipa sobraram muitos dados na antecâmara da partida na Pedreira, também pelas dúvidas que existiam sobre a condição física sobretudo dos internacionais sul-americanos (Luis Suárez, Maxi Araújo e Zalazar) e pelo encontro de terça-feira com o Lens para a Liga dos Campeões. Aí, Rui Borges acertou em cheio: com uma poupança assumida do trio por saber que não estava a 100%, esperou para ver o que o jogo dava, correu o risco no início da segunda parte quando ainda perdia por 1-0 mas mudou por completo o encontro quando lançou a armada pesada, em especial Zalazar, que esteve nos dois últimos golos e foi o MVP.
Sem três habituais titulares, Rui Borges não demorou a mostrar ao que vinha em Braga: Silas Andersen, com um novo visual que permitia com muito maior facilidade identificá-lo no terreno, foi lançado para fazer um duplo pivô com Altimira, Doumbia ganhou outro raio de ação com bola no apoio a Ioannidis e Geny Catamo e Irankunda davam a profundidade pelos corredores laterais. Já Carlos Vicens mantinha a habitual estrutura em 3x4x3, apostando em Gabriel Silva para ajudar em coberturas defensivas na esquerda e surgir depois em zonas de finalização pelo meio em posse. Entre um encaixe tático desenhado à medida dos estudos feitos do adversário e a falta de vontade em colocar risco no jogo, Ricardo Horta teve o único remate do primeiro quarto de hora, num remate em balão de fora da área que saiu fraco e à figura de Rui Silva (9′).
Com o passar dos minutos, o Sporting cresceu. Mais do que conseguir períodos em posse mais longos, contra um Sp. Braga que tinha o dobro das ações na área dos leões aos 25′, a formação lisboeta começou a encontrar o espaço na profundidade para criar desequilíbrios nos corredores laterais. Vagiannidis, lançado na esquerda com um grande passe de Irankunda, teve todo o tempo para decidir a quem passar na área, arriscou fazer a surpresa mas Bernardo Fontes defendeu para canto (19′). Pouco depois, Geny Catamo ganhou no 1×1 pela direita, cruzou ao primeiro poste mas o desvio a meias entre Silas Andersen e Vítor Carvalho acabou por bater na trave, com Irankunda a não conseguir depois fazer a recarga (24′). Houve ainda uma boa saída em transição conduzida por Ioannidis, que falhou o timing para soltar em Irankunda antes de Fresneda perder a bola na área sem conseguir rematar, mas o melhor período da primeira parte não foi materializado.
25m [ Braga 0-0 Sporting ]
???? Um bom exemplo de jogo, na hora de perceber como por vezes os ascendentes de posse simples nada dizem: SCP com 58% de posse "tradicional" mas, no último terço, está 75%-25% a favor do Braga, que soma o dobro das acções na área (10-5)#SCBSCP pic.twitter.com/vJSgMGQcBf
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O rumo da partida foi depois começando a virar, com o Sp. Braga a tentar fazer provar ao Sporting o mesmo veneno com mais jogo na profundidade à procura de Pau Vítor e Gabriel Silva. Foi o brasileiro que teve a melhor oportunidade nessa fase, na sequência de um grande passe de pé esquerdo de Vítor Carvalho, mas Iván Fresneda foi capaz de corrigir o erro posicional no início do lance para cortar na área para canto (36′). O intervalo estava cada vez mais próximo mas havia ainda mais história por escrever, numa das raras ocasiões em que os minhotos conseguiram criar desequilíbrios com a colocação dos seus jogadores: perante todos os encaixes que existiam entre Doumbia e Gorby, Silas Andersen e João Moutinho e Altimira e Pau Vítor (o que foi deixando o espanhol várias vezes como um terceiro central), Denis Huseinbasic foi ao corredor central criar a superioridade numérica, recebeu de Moutinho para arriscar a meia distância de pé direito, acertou no poste mas a bola bateu depois na perna de Rui Silva e encaminhou-se para a baliza para o 1-0 (41′).
INTERVALO ⏱️
[ Braga 1-0 Sporting ]???? Leões em desvantagem pela primeira vez na Liga e, para piorar a "azia" leonina, com golo "assistido" por João Moutinho, o MVP de um 1º tempo sem ocasiões flagrantes criadas (directamente) e com um golo… auto, de Rui Silva
???? Segue-nos… pic.twitter.com/MjBNZVuYhZ
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INTERVALO ⏱️
[ Braga 1-0 Sporting ]Com 2 autogolos e outro erro directo para golo, Rui Silva é o guarda-redes da Liga com maior número de erros directos para golo (3) e com maior % de envolvimento directo nos golos sofridos, 33.3% ????????????#SCBSCP #RatersGonnaRate pic.twitter.com/j7eu9vKCJa
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Nenhum treinador decidiu mexer ao intervalo, nem por isso se viu “outro” Sporting no arranque do segundo tempo. Mais: o Sp. Braga criou em sete minutos mais oportunidades de perigo do que fizera na metade inicial entre uma tentativa de Pau Vítor que desviou em Quaresma e saiu a rasar o poste (47′), uma bola perdida após canto rematada por Ricardo Horta que foi cortada por Gonçalo Inácio quando seguia para a baliza (49′) e um chapéu de Pau Vítor travado por Rui Silva que teve recarga de Gabriel Silva contra Iván Fresneda (52′). Pelo meio, também os leões podiam ter empatado, numa bola longa do guarda-redes verde e branco para Irankunda que terminou com um remate rasteiro de Geny Catamo na área que saiu ao lado (51′). As opções do banco começavam a mexer e seria uma questão de tempo até serem chamadas ao encontro.
55m [ Braga 1-0 Sporting ]
???? 5-1 em remates a favor do Braga na 2ª parte. Rui Borges não fez qualquer mexida ao intervalo, apesar da desvantagem#SCBSCP pic.twitter.com/yVMr1VxTiV
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Sem grandes surpresas, Maxi Araújo, Zalazar (muito assobiado no regresso à Pedreira) e Luis Suárez foram a jogo, com trocas diretas por Vagiannidis, Silas Andersen e Ioannidis com Doumbia a descer no meio-campo para terrenos mais próximos de Altimira. Mais do que aumentar o risco, Rui Borges recuperava dinâmicas que a equipa não estava a mostrar e desfazia o jogo de pares sem bola em busca de um golo que pudesse dar outra esperança à equipa da possibilidade de sair com três pontos da Pedreira. Aí, houve muito demérito à mistura: num raro erro de Vítor Carvalho no jogo, Geny Catamo definiu mal numa situação de 3×1 e passou demasiado longo para Suárez, com Bernardo Fontes a chegar mais cedo à bola (63′). Carlos Vicens via os problemas que os minhotos enfrentavam e preparava já substituições. Por duas ocasiões, chegou tarde.
Primeiro, numa jogada de envolvimento que passou por Zalazar e Doumbia, Irankunda arriscou o 1×1, fez o cruzamento e Luis Suárez desviou de cabeça para o 1-1 (66′). Vicens lançou Gabri Martínez e Dorgeles. Uns minutos depois, Zalazar arrancou de forma fortíssima pela direita, fez o cruzamento atrasado, o corte de Vítor Carvalho bateu em Bernardo Fontes e houve novo autogolo de um guarda-redes no jogo (71′). Vicens apostou em Tomás Marques e Wind. No seguimento dos espaços que iam ficando, e já depois de um grande passe de Zalazar para Flávio Gonçalves que não teve finalização, o mesmo Zalazar fintou Bajrami ainda no seu meio-campo, seguiu até à entrada da área contrária e atirou para o 3-1, vendo a bola bater ainda em Vítor Carvalho (82′). Vicens lançou Fran Navarro. Foi sempre tarde e bastaram 30 minutos do Sporting para que vários fantasmas fossem espantados num triunfo muito importante para… Rui Borges.
[ Braga 1-3 Sporting ]
Borges mata borrego minhoto e de reviravolta ???????? Os leões venceram os minhotos pela primeira vez na era Rui Borges e de reviravolta, após um histórico de 3 empates, todos a deixar fugir a vantagem
???? SCP foi para o intervalo a perder, Braga até entrou… pic.twitter.com/oYb5au98sl
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