Uma ativista pediu esta sexta-feira ao Presidente da República para ouvir os opositores à mina do Barroso, em Boticas, com António José Seguro a responder que terá muito gosto em compreender melhor os argumentos e a causa.

À chegada ao Museu Nadir Afonso, em Chaves, uma ativista quis alertar o Presidente da República para a luta dos que se opõem à exploração mineira, em Covas do Barroso, concelho de Boticas, e que esta sexta-feira bloquearam os trabalhos da empresa Savannah numa das áreas da servidão administrativa.

“Em Covas há também um grupo de pessoas, neste momento, de ativistas, que estão em defesa daquilo que é o nosso maior património e a nossa maior riqueza, que é a biodiversidade“, afirmou Paula Chaves, deputada municipal em Chaves eleita por uma lista independente.

E continuou: “portanto, o povo de Covas deixa-lhe, em meu nome como porta-voz, um convite a ir a Covas do Barroso ou quem sabe até a poder recebê-los também e poder ouvi-los”.

Paula Chaves disse que se “esgotaram todas as formas já de luta”, mas que os ativistas “não se resignam naquilo que é a salvaguarda do património, da região”.

“Eu tenho muito gosto em compreender melhor a vossa causa e as razões e os fundamentos e os argumentos que sustentam a vossa causa, tenho muito gosto”, afirmou António José Seguro.

À pergunta se aceita o convite respondeu: “Ou ir lá ou receber, enfim, devemos encontrar uma forma”.

Seguro disse ainda que “é esse o dever do Presidente da República, é ouvir todos e escutar todos”.

Em maio, o Ministério do Ambiente autorizou uma segunda servidão administrativa, que permite à Savannah entrar em terrenos comunitários e privados para trabalhos de geotecnia, a qual foi contestada em tribunal através de uma providência cautelar interposta pelo Conselho Diretivo dos Baldios da Freguesia de Covas do Barroso, que levou à suspensão das prospeções por cerca de 20 dias.

A associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) iniciou esta sexta-feira um bloqueio que visa a interrupção dos trabalhos numa das áreas da servidão administrativa e admite que se trata de uma necessidade de “escalar a resistência” perante a falta de respostas e da “inflexibilidade do Governo em escutar” as reivindicações da população.

A GNR foi chamada ao local e, depois de contactada pela agência Lusa, disse que foram identificadas 27 pessoas que estão a participar no bloqueio, referindo ainda que a empresa suspendeu esta sexta-feira os trabalhos.

Fonte da empresa acrescentou que “por precaução, e em coordenação com as autoridades, o trabalho no terreno foi interrompido esta sexta-feira continuando nas suas muitas outras vertentes”.

O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a emissão de uma DIA favorável condicionada em 2023.

A empresa Savannah Resources pretende iniciar a construção em 2027 e alcançar a primeira produção em 2028.