Vinte e oito autores, de nove países, participam no 1.º Guadiana — Festival de Literaturas Afro-Ibero-Americanas, que arranca esta sexta-feira em Évora e pretende afirmar o Alentejo como “território de encontro de diferentes geografias, línguas e tradições literárias”.
O certame, que decorre até domingo e tem direção e curadoria de António Sáez Delgado, escritor espanhol, professor e atual vice-reitor para a Cultura e Sociedade da Universidade de Évora (UÉvora), está integrado na programação de Évora_27 — Capital Europeia da Cultura (CEC).
Segundo a organização, a cargo de Évora_27, UÉvora e Cátedra de Estudos Ibéricos da academia alentejana, o festival conta com 28 autores, de nove países, concretamente Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, México, Nicarágua, Portugal e São Tomé e Príncipe.
O programa para os três dias é diversificado e inclui mesas de conversa, música, oficinas de desenho e literatura, uma sessão de spoken word e momentos de encontro entre autores e leitores.
A sessão de abertura está marcada para as 15h30 desta sexta-feira, no centenário Teatro Garcia de Resende, que é o centro do festival, que contempla ainda iniciativas numa livraria e num bar da cidade.
A cerimónia tem intervenções de Maria do Céu Ramos, presidente da Associação Évora 2027, Carlos Zorrinho, presidente da Câmara de Évora, e António Sáez Delgado, curador do Guadiana, indicou a organização.
Entre os autores participantes estão Lídia Jorge (vencedora dos prémios Camões e Pessoa), Juan Gabriel Vásquez (Prémio Bienal de Novela Mario Vargas Llosa), Gonçalo M. Tavares (Prémio Formentor das Letras), Ondjaki (Prémio José Saramago), Sara Mesa (Prémio Herralde de Novela) ou Tatiana Salem Levy (Prémio São Paulo de Literatura).
Afonso Cruz, Anna Pacheco, António Sáez Delgado, Aroa Moreno Durán, Claudia Neira Bermúdez, o fotógrafo Daniel Mordzinski, Dulce Maria Cardoso, Emiliano Monge e Frederico Pedreira são outros dos presentes.
Também Javier Rodríguez Marcos, Joana Bértholo, Joana Estrela, João de Melo, Jorge Reis Sá, José Luís Peixoto, Luca Argel, Miguel Filipe Mochila, Pilar del Río, Raquel Gaspar Silva, Raquel Lima e Sara Rodi participam no evento.
De acordo com a organização, este é um “novo projeto cultural que pretende afirmar o Alentejo como um território de encontro entre diferentes geografias, línguas e tradições literárias”.
“Não vai ser um festival onde os autores apresentam livros, fazem leituras, dão conferências ou fazem palestras. O que vamos fazer é colocar à frente do público pessoas, autores com um mediador, que vão dialogar entre si” e “debater assuntos de atualidade”, revelou à agência Lusa António Sáez Delgado.
Entre as matérias em análise, de acordo com o diretor, estão temas como “a democracia e a literatura, os meios de comunicação, a verdade e a ficção, a natureza e a literatura ou se o Alentejo é um bom espaço para escrever, se as pessoas fogem daqui ou vêm para escrever”.
“São assuntos que têm a ver com este mundo em que estamos a viver”, tendo também “como pano de fundo” o Vagar, que é o conceito central de Évora_27.
Uma segunda edição do Guadiana está assegurada para outubro do próximo ano, em plena Capital Europeia da Cultura, para culminar o investimento de cerca de 300 mil euros (nos dois anos), com a organização a ambicionar que o certame tenha continuidade para além do ciclo de Évora_27.