Os 50 anos da Constituição da República Portuguesa vão ser o ponto de partida para o regresso do Festival Política a Loulé, com 17 atividades gratuitas entre 22 e 24 de outubro, anunciou esta sexta-feira a organização.
A programação deste ano “pergunta o que os direitos proclamados no texto constitucional significam no quotidiano, o que prometem e o que ainda falta cumprir”, através de teatro, música, humor, cinema, conversas e exposições, adiantou a organização, em comunicado.
A maioria das atividades terá lugar no Cineteatro Louletano, mas o festival vai percorrer outros espaços e freguesias do concelho de Loulé, no distrito de Faro.
No primeiro dia, Mariana Martins, vencedora do concurso de bolsas para jovens artistas, ativistas e criadores promovido pelo Festival Política, apresenta Artigo 1.º, uma releitura do texto constitucional.
Sara Barros Leitão sobe ao palco com o monólogo Nós, Sozinhas, que, a partir de um verso de Maria Teresa Horta, “revisita os julgamentos, os dois referendos e a mobilização da sociedade civil que levaram à despenalização do aborto, há quase duas décadas”, destaca a organização.
No dia 23, D’Sousa “transforma a palavra dita em presença e encontro” num espetáculo de spoken word, a artista drag Sincera Mente apresenta Livre Mente, “um stand-up que toma o livre arbítrio como mote para falar das escolhas, boas e menos boas, que fazemos em liberdade”, e a sessão Corpos em Trânsito reúne três curtas-metragens sobre “as vidas na periferia, a violência que levou à morte de Odair Moniz e as decisões impossíveis no Portugal pré-25 de Abril”, lê-se na nota.
O último dia do Festival Política em Loulé desloca-se para outros pontos do concelho, incluindo uma visita guiada ao Geoparque Algarvensis, território partilhado com Albufeira e Silves que este ano foi reconhecido como geoparque mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Será ainda apresentado o resultado da residência “Mapeamento Cultural Simbólico de Quarteira”, com um fanzine e uma conversa aberta ao público sobre as diferentes formas de habitar aquela cidade, seguindo-se o concerto-conversa Artigo por Artigo, com Selma Uamusse e António Brito Guterres.
A cantora emmy Curl encerra o festival com Solarpunk – Um Pastoral do Futuro Regenerativo, que imagina “um futuro em que a política ambiental e a gestão dos recursos se alinham com o bem-estar humano”.
A agenda inclui ainda as exposições A Nossa Constituição É a Mais Bonita do Mundo, com dez fotografias de Frederico Martins, e Constelações Parlamentares, de João Bernardo Narciso, que mostra “as relações de poder no Parlamento Europeu” a partir de milhares de votações.
“Cinquenta anos depois, a Constituição continua a ser um texto que precisamos de conhecer, discutir e pôr à prova no dia a dia”, salientou, citado em comunicado, Rui Oliveira Marques, codiretor artístico do Festival Política.
Segundo o responsável, “o festival é um convite para perguntar o que os direitos prometidos significam nas nossas vidas e o que ainda falta cumprir, (…) através da arte e do diálogo, de forma gratuita e aberta a todas as pessoas”.
Todos os espetáculos têm interpretação para língua gestual portuguesa e todos os filmes serão legendados em português.
O Festival Política de Loulé resulta de uma coprodução entre a Associação Isonomia e o Cineteatro Louletano.
Depois de Loulé, o Festival Política passa por Coimbra (12 a 14 de novembro) e por Torres Vedras (28 e 29 de novembro).