Um golo ainda na primeira parte, uma vantagem ao intervalo, algumas possibilidades de aumentar o avanço no decorrer do segundo tempo, uma quebra a estender a passadeira para o adversário levar a melhor, com o empate ou até mesmo o risco de reviravolta. Em várias ocasiões na presente temporada, este foi o filme do Sporting em campo. Agora, no regresso das competições de clubes, viu-se o oposto. Nos dez minutos iniciais após o intervalo o Sp. Braga teve hipótese de chegar a um segundo golo que nunca apareceu. Quando Carlos Vicens percebeu e quis mexer, foi tarde. Uma vez, duas vezes. A partir daí, o atraso era irrecuperável.

Nem todos os jogadores conseguiram afastar os seus fantasmas e Rui Silva foi o exemplo paradigmático disso mesmo, consentindo um autogolo com muito azar à mistura e tornando-se o primeiro guarda-redes dos leões a marcar por duas vezes na própria baliza (já o tinha feito na temporada do bicampeonato, em 2024/25). No entanto, houve caça-fantasmas que saíram do banco para mudarem o rumo dos acontecimentos da época verde e branca, com Luis Suárez a marcar pelo sétimo jogo consecutivo e Zalazar a ser decisivo no regresso a Braga com um golo marcado e outro “criado”… para um autogolo de Bernardo Fontes.

“Festejo dos golos? Festejei igual, como festejo sempre. Claro que os jogadores estavam mais emotivos e nós também entrámos nisso mas foi apenas e só isso. Estou feliz pela vitória, pela atitude competitiva dos que jogaram e dos que entraram. O espírito de grupo foi importantíssimo aqui”, começou por referir Rui Borges na zona de entrevistas rápidas da SportTV, antes de deixar mais elogios à exibição no Minho.

“Foi uma primeira parte equilibrada, o Sp. Braga acaba por ser feliz no remate que faz. Tentámos sempre. A equipa foi audaz, tentou ir homem a homem. Sabemos que o Sp. Braga tem muita mobilidade e tínhamos de ter uma grande capacidade física e mental para acompanhar essa exigência, não deixando o Sp. Braga entrar no jogo de posse que acaba por adormecer um bocadinho o adversário. Não queríamos isso. Fomos conseguindo manter o bloco alto. No único remate que têm, acabam por fazer golo. O resultado ao intervalo é injusto, até pelas situações que temos junto à baliza. Na segunda parte não entrámos muito bem, o Sp. Braga tem duas aproximações perigosas mas depois fomos perigosos, intensos, competitivos. Aumentámos a exigência física, acompanhámos as referências e ganhámos muita bola. A qualidade individual e coletiva levou à vitória”, referiu o técnico leonino, antes de abordar as três primeiras mexidas.

“O Maxi, o Zalazar e o Suárez não estavam com minutos estipulados. O Suárez veio direto para estágio e não treinou, o Zalazar e o Maxi também. Sabíamos que alguns jogadores não tinham condições. Gosto de perceber os jogadores. Sabia que a equipa que entrasse de início teria de estar a 100% e, dentro do espírito de todos, a estratégia funcionou. É óbvio que são jogadores diferenciados e não fugimos a isso. Sabemos que a qualidade coletiva e mesmo individual aumenta. Mas confio em todos. Jogadores diferentes, os que chegaram e estão à espera de oportunidades… Iam ajudar a equipa. Toda a gente é igual e merece oportunidades, é preciso agarrá-las. Esses jogadores não estavam preparados para serem titulares”, frisou.

Em paralelo, Rui Borges fintou a questão da primeira vitória contra os minhotos no comando do Sporting, num encontro em que voltou a não sofrer golos na parte final. “Outro ânimo? Isso são vocês que têm de arranjar as narrativas, agora têm de arranjar outras. O meu foco é ser o melhor, fazer o melhor pelo Sporting e ganhar todos os jogos. Às vezes vamos conseguir, outras não. Mas faço tudo o que posso para sermos melhores do que os adversários. Estou feliz pela vitória contra uma grande equipa. Agora é descansar e preparar a Champions”, apontou, projetando já a deslocação a França para defrontar o Lens na terça-feira.

“Diferença de três pontos para o líder? Estou preocupado com o que podemos fazer e com o que controlamos. Estamos focados e concentrados nisso. No fim, logo se verá. O FC Porto foi mais capaz do que nós na época passada e esta época veremos. Já perdemos pontos que não queríamos e não devíamos, agora temos de ir atrás do prejuízo. Mas com este espírito e atitude iremos fazer grandes jogos”, concluiu Rui Borges.

[Pela primeira vez em doze anos, Annie regressa finalmente a Lisboa. A revolução está nas ruas e Fernando Silva Pais está preso em Caxias. A filha vai fazer tudo para o tentar libertar, mas também vai aproveitar para festejar — e não só. Já pode ouvir “Uma ‘deusa’ no 25 de Abril”, o quarto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]