O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) afirmou esta quarta-feira, na comissão de inquérito no parlamento, que nunca teve “conhecimento objetivo” da viciação de concursos públicos relacionados com os meios de combate aos incêndios rurais.
“Eu tenho uma longa carreira na Administração Pública e não tenho – nunca tive – nenhum conhecimento objetivo de que haja viciações nos concursos produzidos pelas várias entidades”, adiantou António Nunes aos deputados.
Ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito aos Negócios dos Incêndios Rurais, o presidente da Liga adiantou que, se tivesse tido conhecimento de algum caso concreto eventualmente ilícito, “teria feito uma participação ao Ministério Público”.
Segundo referiu, quando a LBP recebe alguma denúncia passível de ser averiguada, por exemplo, através de cartas anónimas sobre a prestação de socorro, reencaminha-a para a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde ou para a Procuradoria-Geral da República.
Nas respostas aos deputados, depois de questionado sobre o eventual interesse dos madeireiros na perpetuação dos fogos rurais, António Nunes adiantou ter “muitas dúvidas sobre essa matéria”, alegando que os incêndios se propagam, muitas das vezes, “por alguma falta de organização que, em alguns momentos, o Estado apresenta”.
Para isso contribui uma “avaliação errada do fogo, uma mobilização tardia de meios e uma distribuição dos meios de combate numa frente de fogo que deve ser feita de outra forma”, defendeu o presidente da Liga, manifestando-se um “grande defensor” da retoma do Comando Nacional de Bombeiros para que haja liberdade na capacidade de gestão operacional dos meios.
“Eu não relaciono um incêndio ser de maior ou menor dimensão com os madeireiros, mas relaciono, por exemplo, com o estado em que a floresta está“, referiu ainda António Nunes.
De acordo com António Nunes, é “utópico pensar” que toda a floresta portuguesa pode estar limpa, alertando que vão continuar a existir incêndios florestais, que estão “cada vez mais complexos na sua resolução”.
A CPI aos Negócios dos Incêndios Rurais, imposta pelo Chega, pretende investigar as causas, a gestão e os eventuais negócios associados aos grandes fogos florestais entre 2017 e 2025.