Milhares de professores manifestaram-se esta quinta-feira pelo segundo dia consecutivo em Madrid no arranque de uma greve que os sindicatos anunciam como indefinida e o governo regional, liderado pelo Partido Popular espanhol (PP), qualifica como “política e eleitoralista”.
A greve e as manifestações foram convocadas por vários sindicatos, incluindo as duas grandes centrais sindicais espanholas (UGT e CCOO), para reivindicar aumentos salariais, redução de horários ou diminuição do número de alunos por turma, assim como mais meios para a escola pública.
Os protestos começam com três dias de greve de 24 horas e manifestações (14 a 16 de outubro) e prosseguem, a partir do dia 19, com paralisações parciais, sem haver um final anunciado. Foram definidos serviços mínimos para os dias da paralisação.
A convocatória de greve (anunciada em setembro) abrange todos os professores dos níveis não universitários (cerca de 65.000 docentes), mas associações de estudantes e sindicatos de duas universidades (Complutense e Rei Juan Carlos) somaram-se aos protestos na quarta-feira.
Além disso, está anunciada uma greve nas seis universidades públicas da região autónoma de Madrid em 4 e 5 de novembro, com o argumento de o executivo regional as ter levado à “asfixia financeira” e estar a “privatizar o setor da educação”.
A educação, em Espanha, é tutela dos governos regionais.
No primeiro dia do protesto, na quarta-feira, milhares de professores estiveram nas ruas da capital espanhola em várias manifestações, com a maior a reunir cerca de 25.000 pessoas, segundo as autoridades.
Os manifestantes terminaram uma marcha de protesto junto à sede do departamento de Educação do governo autonómico e do edifício da presidência regional, na praça Porta do Sol.
Neste local, a manifestação dos professores juntou-se ao protesto pela crise na habitação, que instalou nesta praça há quase três semanas um acampamento.
Esta quinta-feira, milhares de professores voltaram a concentrar-se nas imediações da Porta do Sol, em frente do departamento de Educação do governo autonómico, na primeira manifestação do dia.
Os porta-vozes sindicais estão a apelar ao governo regional que “oiça, dialogue e negoceie de maneira imediata”, para evitar que este conflito se arraste por todo o ano letivo.
Segundo os sindicatos, a greve teve uma adesão de 62% esta quinta-feira e de 70% na quarta-feira, enquanto o Governo de Madrid referiu uma participação de 44,5% no primeiro dia e de 32,2% no segundo.
A presidente do governo regional de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, acusou esta quinta-feira a esquerda do país de estar “a rebentar” a cidade desde que o primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, convocou na semana passada eleições antecipadas para 29 de novembro.
Ayuso disse que a esquerda está a “sequestrar as ruas” da cidade com greves e manifestações, porque está prestes a perder as eleições.
“A esquerda, neste país, quando se vê nessa encruzilhada, torna-se extremamente violenta, porque não aceita as regras do jogo democrático”, defendeu.
A presidente regional criticou em especial o acampamento pela habitação na Porta do Sol que disse que “dá vergonha de ver”.
Na quarta-feira, Ayuso escreveu na rede social X que a greve dos professores é uma “greve política” convocada “com a cumplicidade do Governo” espanhol.
Amenazaron a los madrileños con el “No habrá paz en las calles de Madrid”.
Con la complicidad del Gobierno, hoy comienza la primera huelga política que no respeta el derecho de los niños, de los alumnos ni al trabajo.
Si no quieren paz: ¿qué buscan? pic.twitter.com/4thaPoyehs
— Isabel Díaz Ayuso (@IdiazAyuso) October 14, 2026
Num debate esta quinta-feira na assembleia regional, a oposição de esquerda respondeu-lhe que os professores dos níveis pré-primários já estavam em greve contínua desde abril e que se há pessoas nas ruas é porque existe “um clamor” que diz que “é preciso subir os salários e baixar as rendas de casa”.
Também a conselheira de Educação regional (equivalente a ministra num governo nacional), Mercedes Zarzalejo, considerou na quarta-feira que a greve é “eleitoralista”.
A governante garantiu que o executivo está disposto a ouvir os professores e que há negociações em curso, mas considerou que sindicatos e docentes “não têm qualquer vocação de negociar nem de melhorar a educação” e que “o único objetivo é queimar as ruas”.
O primeiro destes protestos ficou também marcado por uma carga policial sobre um grupo de manifestantes na Universidade Complutense, que acabou com vários feridos (um deles polícia) e cinco pessoas detidas.