Chamaram-lhe “decisão à José Mourinho”, não deixou de ser uma “posição à Ruben Amorim”. O ex-técnico de Sp. Braga, Sporting e Manchester United nunca foi propriamente de ter muitas aparições públicas, com a maior diferença a surgir na transição de Portugal para Inglaterra – por cá, era raríssimo dar entrevistas e só ia a conferências; na Premier League, além de falar antes e depois dos encontros por mais do que uma vez, ainda tinha de ir dando entrevistas que eram “negociadas” pelo próprio clube. Agora, de novo com outra margem para poder gerir esse aspeto, o técnico português acabou por “passar” a antevisão do encontro em San Siro com a Atalanta, falando de uma agenda demasiado “carregada” depois da partida da passada quinta-feira em Salzburgo. Aí, na vitória mais folgada da época, Amorim tinha deixado elogios mas sempre a manter a bitola para cima, argumentando que a equipa pode (e deve) render ainda mais.

“Fomos mais controladores noutros jogos mas aqui conseguimos marcar. Jogámos melhor noutros encontros mas focámo-nos demasiado no resultado. Há coisas a melhorar mas foi uma boa noite. Fomos melhores coletivamente noutros jogos. Se eles tivessem sido mais acutilantes, podiam ter-nos ferido em cinco ocasiões. Mudanças na equipa? Todos fazem parte do plantel. É impossível jogar sempre com os mesmos, temos de rodar. Isso acarreta riscos, mas tento fazer o que é melhor para a equipa. O mais importante é que toda a gente saiba que pode jogar e que pode perder o seu lugar. Por isso é que preciso de 22 jogadores competitivos durante todo o ano. Jogos como estes ajudam-nos a acreditar mais. Refiro-me aos mais jovens, mas também ao Loftus-Cheek, que mostrou muito mais agressividade”, comentou à Sky Sport após o jogo.

Alphadjo Cissè? Não me deve nada. Merece as oportunidades por aquilo que tem feito. Sabe ser explosivo, tem muito coração. Pode ser melhor nos treinos e nos jogos. Tem muito potencial e coisas a melhorar”, referiu ainda o técnico português sobre o avançado italiano que, aos 19 anos, se tornou o mais novo transalpino de sempre a marcar um hat-trick nas provas europeias.

Em paralelo, Ruben Amorim falou também da pressão de orientar um clube como o AC Milan. “Não é por mim mas sei que em redor do clube o ambiente é difícil. Eu escolhi os dois clubes mais difíceis que poderia ter escolhido nas últimas duas experiências. Estamos no início da temporada, por isso quero continuar o meu trabalho para ajudar os jogadores e vencer partidas. Rodar jogadores é um risco mas vi durante os treinos como os rapazes estavam a trabalhar e precisávamos de rotações. Foi um bom dia mas agora vamos preparar o jogo com a Atalanta”, voltou a reforçar na antecâmara do regresso à Serie A e antes de nova revolução na equipa que manteve apenas Mike Maignan, Pavlovic e Rabiot nas opções iniciais com as inclusões de Mario Gila, De Winter, Chukwueze, Musah, Modric, Diego Moreira, Pulisic e Gonçalo Ramos.

A dinâmica da Áustria teve prolongamento no arranque da partida, com o AC Milan a assumir por completo as despesas do jogo depois de minutos iniciais onde foi percebendo referências com e sem bola da Atalanta. Na sequência de duas aproximações com perigo, Pulisic marcou mesmo após assistência de Gonçalo Ramos na área mas o lance acabou anulado por fora de jogo (14′). Krstovic, num lance que seria anulado por mão de De Ketelaere no início da jogada, ainda aproveitou a profundidade para atirar às malhas laterais (19′) mas eram os rossoneri que continuavam a dominar por completo jogando de uma forma bem mais consistente até ao golo inaugural de Gonçalo Ramos, na marcação de uma grande penalidade (24′), que seria confirmado antes do intervalo com o 2-0 de Rabiot após assistência de Diego Moreira da esquerda (42′).

O segundo tempo manteve a tónica do jogo, com Hutchinson a entrar e a acertar no poste na primeira ação que teve com bola (55′) antes de Gonçalo Ramos desperdiçar uma segunda grande penalidade que teve no encontro (57′). No entanto, o 3-0 seria mesmo uma questão de tempo: na sequência da defesa de Carnesecchi que acabou por valer um canto, Rabiot desviou de cabeça e Mario Gila empurrou ao segundo poste para o golo (58′). A partida parecia estar de vez arrumada, a Atalanta ainda tinha uma palavra a dizer e, perante o abrandamento do AC Milan, Krstovic acertou no poste e Gaetano reduziu para 3-1 após assistência de Zalewski (66′), o que ainda acabou por reavivar alguns fantasmas em San Siro. Primeiro alguns, depois… muitos: Bellanova assistiu Krstovic para o 3-2 (81′) e Zappacosta viu Maignan impedir o 3-3 de seguida (84′). Apesar do susto, os rossoneri voltaram mesmo aos triunfos, passando para o quarto lugar da Serie A com 15 pontos a quatro do líder Inter e a dois da Roma (a Lazio ainda joga esta jornada em Turim com a Juventus).