Três jornadas, três derrotas. O FC Porto voltou a perder na Liga dos Campeões e continua sem qualquer ponto ao fim de três jogos, voltando também a não marcar qualquer golo, caindo contra o PSV numa partida em que nunca conseguiu ser superior, estar confortável ou demonstrar o domínio que tantas vezes aparece para consumo interno. No fim, ouviram-se os assobios do tribunal das bancadas do Estádio do Dragão. 

Farioli e uma panela que afinal também transborda quando a pressão é muita (a crónica do FC Porto-PSV)

Depois das derrotas com Manchester City e Betis, a equipa de Francesco Farioli entrou no confronto com o PSV muito pressionada, mas nunca conseguiu propriamente transformar essa pressão em pragmatismo. Jan Bednarek estreou-se na Liga dos Campeões depois de cumprir dois jogos de castigo, Samu e Oskar Pietuszewski saltaram para o onze, mas nada evitou um registo que já é histórico: este FC Porto igualou o pior arranque de sempre do clube nas competições europeias, recuperando as três derrotas em três jornadas do FC Porto de António Oliveira na mesma Liga dos Campeões de 1997/98.

Depois do apito final, na zona de entrevistas rápidas, Francesco Farioli estava naturalmente desagradado com o resultado. “Foi um jogo com duas caras. Começámos com dribles favoráveis para nós, depois sofremos na primeira parte. Nos 64 jogos em que sou treinador do FC Porto foi o jogo em que tivemos mais dificuldades para fazer pressão, especialmente na primeira parte. É uma equipa que movimenta muitos jogadores e cria dificuldades. Mas é uma equipa que pode conceder e tivemos duas ou três situações em que devíamos tê-los castigado. Não o fizemos. Sofremos o primeiro golo e depois na segunda parte tivemos uma reação muito positiva. Criámos o suficiente para justificar um resultado diferente. Mas é a terceira vez que venho aqui na Champions dizer que fizemos suficiente para ter um resultado diferente. Há algo que temos de fazer melhor”, começou por dizer.

“Mudámos algumas coisas ao intervalo. Disse que o PSV é uma das equipas da Europa que corre mais, com intensidade. É uma equipa muito física. Sabíamos que ia ser um jogo muito exigente e era importante ganhar duelos porque tudo era homem a homem. Tivemos os nossos momentos, não tirámos vantagem. E numa das poucas situações que tiveram marcaram e isso fez a diferença. Tivemos a sensação de que se jogássemos mais 25 minutos podíamos construir, mas não íamos marcar. Tivemos essa sensação e é frustrante. Mas criámos o suficiente para justificar algo mais do que a derrota”, acrescentou o italiano, que nunca tinha perdido duas vezes seguidas desde que chegou ao Dragão.

Mais à frente, o treinador explicou as substituições que foi fazendo, principalmente as saídas de Zaidu, Samu e Pietuszewski. “Já estava planeado. Não foi fácil para eles voltar ao onze muito tempo depois. Tiveram um impacto forte num momento difícil do jogo. Na segunda parte era claro que o jogo ia chegar ao fim para eles, então seguimos o que estava planeado”, detalhou, afastando depois as contas da Liga dos Campeões para lembrar a importância do Campeonato.

“Antes de pensar no próximo jogo da Champions teremos muito tempo para pensar. Vamos ter muitos jogos domésticos entretanto. A partir de amanhã de manhã temos de mudar o chip para a Liga. Vamos jogar em Barcelos num campo muito difícil, especialmente este ano. Temos de estar prontos para o jogo no fim de semana”, terminou, antecipando desde já a deslocação ao terreno do Gil Vicente no próximo sábado.

Já Diogo Costa, também na flash interview, foi crítico em relação à exibição da equipa. “Sabíamos o que é o PSV, como jogava, as ideias. Muito agressivo e idêntico a nós. Sabiam onde nos podiam ferir. Conseguimos fazer mais remates do que eles, mas não fizemos com que a bola entrasse na baliza. Temos de analisar e continuar a acreditar. Enquanto houver oportunidades temos de as aproveitar. A entrega esteve lá. Às vezes há muita entrega e queremos fazer as coisas demasiado rápido. Queremos muito, mas pequenos pormenores fazem a diferença. Quando não somos eficazes a defender, por vezes sofremos só com um remate. Está-nos a faltar essa pontinha de sorte”, disse.

“As equipas começam a perceber como jogamos. Temos de ser mais agressivos e talvez arriscar mais um pouco. Temos de analisar o que está mal e bem e colher os frutos para que o futuro seja melhor. Todos os jogos são finais. Queremos elevar o FC Porto nesta competição. Sinto que queremos demais. Há que continuar a acreditar e só assim é que conseguimos resultados”, concluiu o guarda-redes português.