A Missão Escola Pública (MEP) questionou esta quarta-feira o Ministério da Educação sobre o que está a ser feito para evitar que se repitam os problemas ocorridos na época de exames nacionais deste verão.
Num requerimento enviado esta quarta-feira à tutela, a MEP defende que “o país tem direito a saber” o que é que o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) está a fazer para garantir que “os erros identificados na época de exames de 2026 não se repetirão em 2027”.
O movimento faz 25 perguntas sobre a preparação dos próximos exames nacionais numa carta que começa por lembrar as falhas no processo de classificação digital que levaram a atrasos na divulgação das notas e à desconfiança em relação ao sistema de avaliação externa que existe há cerca de três décadas.
“Essa confiança, construída ao longo de décadas, ficou seriamente abalada num único ano“, critica a MEP, que apoia a decisão de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o que aconteceu, mas exige também saber o que está a ser feito para que 2027 seja diferente.
A MEP quer conhecer as decisões tomadas quanto ao modelo de classificação, à fiabilidade do sistema, às condições de trabalho dos professores classificadores, custos e planos de contingência.
“Não basta anunciar que os problemas serão corrigidos. É necessário demonstrar o que foi feito, o que está a ser preparado, quem assume a responsabilidade e quais os prazos para a sua concretização”, defende.
Entre as muitas perguntas, a MEP pergunta à tutela se mantém a intenção de continuar com a classificação digital e se irá abranger o mesmo número de provas e disciplinas.
“Tendo em conta os constrangimentos identificados nos relatórios do Júri Nacional de Exames e da Deloitte, quais são as principais alterações que o MECI decidiu introduzir no processo de classificação dos exames de 2027?”, questiona.
Pergunta também se o MECI pondera regressar à classificação em papel ou de um modelo misto até existirem “garantias efetivas da fiabilidade do sistema digital”.
Num outro bloco de perguntas sobre a digitalização das provas, equipamentos e plataformas, pergunta se o Ministério “pretende manter a centralização” de um único centro de digitalização, localizado na região de Lisboa, e quais as alterações previstas para corrigir falhas na associação de respostas aos alunos, na leitura de códigos QR e no registo das classificações.
Questiona ainda se serão realizados testes completos ao sistema antes da próxima época de exames e pede esclarecimentos sobre as condições de trabalho dos professores classificadores, a eventual criação de uma bolsa estável de docentes e mecanismos para evitar erros ou perdas de informação.
Por fim, solicita informação sobre o envolvimento de entidades externas, incluindo a Deloitte, os respetivos contratos e custos, bem como sobre o custo global previsto para a digitalização e classificação dos exames em 2027.
“A Deloitte continuará a prestar serviços de acompanhamento técnico ao processo de classificação digital dos exames nacionais de 2027? Em caso afirmativo, quais serão as suas funções, o período de contratação e os custos previstos”, pergunta a MEP.
No bloco de perguntas sobre “planeamento, fiscalização e garantias para 2027”, a MEP quer saber se existe um plano de contingência, incluindo a possibilidade de regressar ao papel caso ocorram falhas graves no sistema digital.
A carta termina defendendo que “o país tem o direito de saber o que correu mal em 2026. Mas tem, sobretudo, o direito de saber o que está a ser feito para que 2027 seja diferente.”