Morreu o ator norte-americano Tom Skerritt, aos 93 anos. Era conhecido pelos papéis em filmes como Alien e Top Gun. De acordo com um comunicado familiar, o ator morreu de causas naturais.

“Enquanto o mundo conhecia o Tom pela sua carreira notável enquanto ator, nós conhecíamo-lo pelo seu humor, curiosidade, sabedoria, generosidade e pelo amor que trouxe para as nossas vidas”, lê-se no texto partilhado esta quarta-feira.

Tom Skerritt é um rosto conhecido do cinema e da televisão, desde a década de 1960, tendo também passado pelo teatro. O reconhecimento internacional, porém, vem sobretudo dos quase 200 filmes e produções de televisão em que entrou.

Skerritt foi o par de Shirley MacLaine em “A Grande Decisão”, o marido de Sally Field e pai de Julia Roberts em “Flores de Aço”, dois filmes que fez com Herbert Ross. Foi também o oportunista de “Contacto”, de Robert Zemeckis, o capitão Duke Forrest, um dos cirurgiões do filme “M.A.S.H.”, de Robert Altman, o patriarca William Walker da série televisiva “Irmãos e Irmãs” e o xerife Jimmy Brock, de “Picket Fences” – uma das mais aclamadas séries norte-americanas da década de 1990, que deu ao ator um Emmy em duas nomeações.

No teatro, interpretou o narrador de “Our Town”, no Intiman Theatre de Seattle, em 2004, e estreou-se na Broadway em 2013 numa adaptação de “Tempo de Matar”, de John Grisham — peça na qual, segundo a Associated Press (AP), “consegue interpretar com mestria um advogado caído em desgraça, alcoólico e, ainda assim, cativante”.

Numa entrevista ao jornal Seattle Post-Intelligencer, em 1997, hoje recordada pela AP, Tom Skerritt afirmou: “Um escritor descreveu-me uma vez como um ator de personagens, preso no corpo de um galã, e sempre adorei isso. É um belo elogio. Consegui transitar bem entre a televisão e o cinema”.

Skerritt cresceu numa família de classe média de Detroit, onde nasceu em agosto de 1933. O pai era um pequeno empresário, a mãe, doméstica. Esteve quatro anos na Força Aérea, frequentou a Wayne State University e, mais tarde, a Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), para estudar cinema, inspirado pelo clássico “Citizen Kane”, de Orson Welles.

O seu desempenho numa encenação de “The Rainmaker”, em Los Angeles, abriu-lhe as portas para o primeiro papel no grande ecrã — um papel secundário como sargento em “War Hunt” (1962), de Denis Sanders. Tratava-se de uma produção independente de baixo orçamento, sobre a Guerra da Coreia, que no entanto conseguiu marcar a estreia, como atores, de quatro nomes maiores da 7.ª arte nas décadas seguintes: Skerritt, Robert Redford, Sydney Pollack e Francis Ford Coppola.

Redford e Skerritt disputaram o papel principal, com Redford a levar a melhor. Ficaram amigos para a vida, recorda esta quinta-feira a AP. “Desenvolvemos uma ligação tão profunda que amadureceu, transformando-se em amizade. Os valores [de Skerritt] eram próximos dos meus, e ele manteve sempre a sua integridade”, disse Redford ao Seattle Times, em 2007.

Após “War Hunt”, Skerritt filmou com Robert Altman, entrou em “Ensina-me a Viver” (“Harold and Maude”), de Hal Ashby, e em “A Grande Decisão”, desempenho que o levou a primeiro plano e lhe valeu o prémio do National Board of Review, em 1977. Seguiram-se “Alien”, de Ridley Scott, para ser o capitão da nave Nostromo, destinado a um fim trágico, e “Top Gun”, de Tony Scott, onde foi o instrutor de Tom Cruise.

Na galeria de centenas de papéis, conta-se ainda o humor do cliente regular de “Cheers” Evan Drake, sem esquecer o sucesso de “Picket Fences”, de David E. Kelley.

“Broke”, filme de Carlyle Eubank, estreado no ano passado, marca o seu derradeiro desempenho.

Para trás, ficou a realização, o sonho inicial do ator, embora tenha dirigido e protagonizado o telefilme “Divided by Hate”, em 1997.

“As coisas acontecem”, disse Tom Skerritt ao jornal The Ottawa Citizen. “É-se contratado para um filme e os papéis continuam a surgir. Pensei que, se continuasse a representar, isso serviria como um bom treino para compreender a realização. Depois, veio a família, e precisei de a sustentar. Os anos passaram a voar, e houve uma altura em que cheguei a dizer que abandonaria a representação para tentar, de facto, a realização. Mas as coisas não aconteceram assim. E não me arrependo”.

[Em dezembro de 2009, uma mulher é encontrada assassinada a tiro no estado do Rio de Janeiro. A polícia brasileira há-de confirmar que o corpo é de Rosalina Ribeiro, a herdeira de um milionário português, que tinha sido dada como desaparecida. A última pessoa conhecida a vê-la com vida tinha sido o advogado português dela, o ex-deputado e antigo líder parlamentar do PSD Domingos Duarte Lima. Já pode ouvir, em antestreia, o primeiro episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]