Um grupo de psicólogos que aderiu ao programa do governo de consultas gratuitas para jovens denunciou esta quinta-feira que os profissionais estão a prestar o serviço sem serem pagos e casos de jovens que esperam meses por acompanhamento.

“Não recebi o pagamento de nenhuma consulta”, lamentou à Lusa uma das psicólogas do grupo que denunciou a situação em comunicado, posição subscrita por 493 profissionais.

Em causa está uma medida do Governo que arrancou a 2 de julho e que prevê a disponibilização de cheques psicólogo e nutricionista para consultas gratuitas destinadas a jovens entre os 12 e os 35 anos.

Rosana Milhomens disse à Lusa que estava previsto que as consultas fossem pagas, 40 euros por consulta aos profissionais aderentes, num prazo de 90 dias e esse prazo já foi ultrapassado, uma vez que ainda não recebeu qualquer pagamento desde julho.

A psicóloga disse que já realizou cerca de uma dezena de consultas sem a emissão dos cheques para os jovens não ficarem mais de 30 dias sem acompanhamento.

Em relação ao acompanhamento psicológico, depois das primeiras duas consultas, os psicólogos podem pedir um novo conjunto de cheques para o jovem, mas de acordo com o comunicado dos psicólogos, existem casos de jovens que já tiveram as duas primeiras consultas e estão à espera de retomar o acompanhamento psicológico desde agosto e outros que ainda esperam pelos dois primeiros cheques, sem saberem quando poderão iniciar as consultas.

“Esta demora pode obrigar à interrupção ou ao adiamento de acompanhamentos psicológicos em curso, independentemente das necessidades clínicas dos/as beneficiários/as. Estas interrupções comprometem a continuidade e a qualidade do trabalho terapêutico, podem fragilizar o vínculo estabelecido com o/a psicólogo/a e dificultar o progresso alcançado em consulta”, denunciaram os profissionais no comunicado.

Segundo os psicólogos, a entidade que gere a medida, o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), admitiu que ainda não começou a emitir os cheques de continuação de acompanhamento e não deu prazo para o fazer.

O comunicado refere que o IPDJ admitiu aos utentes que “está a haver erros com os pedidos de alguns jovens, mas esses erros só são resolvidos se o próprio jovem contactar a entidade”.

Para resolver a situação, os profissionais apelaram “à disponibilização de mais orientações, claras, completas e acessíveis sobre todos os procedimentos administrativos e financeiros associados à medida e a definição de prazos previsíveis e curtos para a emissão e disponibilização de novos conjuntos de cheques”.

Os profissionais também apelaram para a “redução dos prazos de pagamento e a garantia de maior previsibilidade nos pagamentos aos profissionais”.

A medida faz parte do programa “Cuida-te”, um programa do IPDJ que visa a promoção da saúde juvenil e de estilos de vida saudáveis.

Os cheques devem ser requisitados através da plataforma gov.pt com a Chave Móvel Digital para verificar a idade dos jovens.

A medida, originalmente lançada em setembro de 2024, esteve suspensa no último ano letivo para avaliação e identificação de melhorias, tendo sido retomada em julho deste ano.

Nas edições anteriores, apenas eram disponibilizados cheques psicólogo e nutricionista a universitários.

Rosana Milhomens acrescentou que na edição do ano passado não houve problemas com os pagamentos, que os psicólogos recebiam em menos de um mês.

A Lusa pediu reações ao IPDJ, à Ordem dos Psicólogos e à Ordem dos Nutricionistas e aguarda resposta.