A Acampada do Porto negou esta sexta-feira os contactos classificados pelo presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, como “muito cordiais”, existindo apenas com o coletivo o convite formal inicial.

Pedro Duarte revela contactos “muito cordiais” com manifestantes no Porto

“Nós, enquanto coletivo organizado horizontal com as nossas estruturas organizativas, não temos nenhum contacto, além do convite formal que ele nos enviou antes”, disse esta sexta-feira à Lusa Sérgio Bastos, membro do grupo de imprensa da Acampada.

Sérgio Bastos disse que “as pessoas são livres, a título individual, de conversarem com quem quiserem sobre o que quiserem”, mas negou qualquer contacto formal por parte da estrutura da Acampada.

Questionado sobre quem poderá estar a fazer contactos com a Câmara do Porto à margem, Sérgio Bastos admitiu poder ser “outro grupo ou qualquer coletivo”.

“Não o [Pedro Duarte] quero desmentir, mas não está a falar connosco, com o nosso coletivo, estará a falar com outras pessoas a título individual ou outros coletivos. Mas a nosso título, não, porque as nossas redes estão controladas pelas nossas estruturas organizativas”, disse aos jornalistas.

Questionado sobre se este tipo de ação pode provocar alguma dissonância, Sérgio Bastos disse não ter dúvidas de que o autarca “queira provocar alguma dissonância, alguma rutura”.

“Mas nós continuamos firmes, continuamos a seguir o mandato que nos é imputado pela Assembleia Popular, a respeitar acima de tudo a vontade da Assembleia Popular”, vincou.

O movimento continua a ver a Assembleia Popular “como um instrumento democrático e de legitimidade” não para “suplantar qualquer outra instituição democrática, mas para reforçar o poder de negociação e o poder de pressão”.

“Assim sendo, se o Pedro Duarte quiser falar com o movimento que mantém a ocupação pacífica e simbólica da praça e que mantém as assembleias populares a escutar o povo que ele não quer ouvir, que fale com esse movimento em vez de procurar pontos de rutura”, vincou o membro da acampada.

O presidente da Câmara do Porto revelou esta sexta-feira estar numa fase bastante avançada de “contactos muito cordiais” com o Movimento pela Habitação que está, desde 10 de outubro, em protesto na cidade.

À margem da 3.ª edição do Encontro de Gestores de Entrada, na Alfândega do Porto, o autarca, eleito pelo PSD/CDS-PP/IL, referiu que o movimento ainda não lhe sugeriu uma data para a reunião, mas tem estado a “trocar comunicações” para a concretizar.

O movimento pela habitação que desde 10 de outubro tem organizado protestos e uma acampada na Praça D. João I, no Porto, reiterou esta sexta-feira o convite para a manifestação de sábado, deixando críticas ao Governo.

A Acampada confirma ainda ter “recebido oficialmente o convite da Câmara do Porto na segunda-feira”, para se reunir com o presidente e não quer “fechar linhas de diálogo”, mas reitera “a vontade de dialogar e discutir soluções em assembleia popular”.

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.

A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.

[Em dezembro de 2009, uma mulher é encontrada assassinada a tiro no estado do Rio de Janeiro. A polícia brasileira há-de confirmar que o corpo é de Rosalina Ribeiro, a herdeira de um milionário português, que tinha sido dada como desaparecida. A última pessoa conhecida a vê-la com vida tinha sido o advogado português dela, o ex-deputado e antigo líder parlamentar do PSD Domingos Duarte Lima. Já pode ouvir, em antestreia, o primeiro episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]