As empresas de transporte coletivo de passageiros Carris e Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) assinaram esta sexta-feira, em Lisboa, um protocolo de cooperação estratégica para desenvolvimento de soluções de mobilidade e acessibilidade urbana e candidaturas a fundos comunitários.
“Reconhecendo a sua longa história no setor dos transportes e o património singular que as caracteriza, a Carris e a STCP avançam com esta parceria estratégica que, acreditamos, reforçará a resposta a dar aos desafios comuns”, afirmou Rui Lopo, presidente da transportadora lisboeta, citado numa nota.
Entre esses desafios, acrescentou, estão “a descarbonização, a crescente exigência dos passageiros, a segurança, a transformação digital, a evolução tecnológica e a qualificação dos recursos humanos”.
“Este protocolo tem um propósito muito concreto: juntar a experiência e o conhecimento das nossas equipas para melhorar o serviço que prestamos às pessoas. A cooperação entre a STCP e a Carris permite-nos aprender em conjunto, desenvolver novas soluções e dar maior alcance a projetos que respondem a necessidades comuns”, referiu Luís Osório, presidente da STCP, citado na mesma nota das duas empresas.
“Queremos tornar o transporte público uma escolha cada vez mais atrativa, valorizando os nossos trabalhadores e o património que faz parte da identidade do Porto e de Lisboa”, salientou.
As duas empresas, que garantem a prestação de serviços de transporte coletivo urbano de passageiros em Lisboa e no Porto, conforme assumem no comunicado, “partilham uma responsabilidade comum na promoção de cidades mais sustentáveis, acessíveis, inclusivas e eficientes, e esta parceria pretende contribuir para esse propósito”.
O protocolo, explica-se na nota, visa o desenvolvimento de, entre outros projetos, “ações de formação, programas de intercâmbio de trabalhadores, conferências, iniciativas dirigidas às escolas e à comunidade”.
Entre outras iniciativas previstas estão, ainda, iniciativas “relacionadas com a preservação, recuperação, valorização e inovação associadas aos sistemas dos carros elétricos históricos” e apresentação de “candidaturas conjuntas a programas nacionais e europeus de financiamento”.
Na assinatura do protocolo, no Museu da Carris, em Alcântara, estiveram presentes os conselhos de administração das duas empresas e o vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Gonçalo Reis (PSD).
Embora não faça parte do âmbito do protocolo, a articulação da bilhética entre os transportes coletivos urbanos de passageiros de Lisboa e do Porto poderá ser uma realidade no futuro, através da Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) e da congénere TMP, responsável pelos serviços públicos de transporte de passageiros na Área Metropolitana do Porto (AMP).
O presidente da TML, Carlos Humberto de Carvalho, anunciou este mês que está em preparação uma “articulação do título de Lisboa e Porto, para uma integração que permita que um passageiro possa deslocar-se” nas duas áreas metropolitanas independentemente de ter um cartão navegante ou andante.
Numa mensagem divulgada na apresentação da funcionalidade Planeador, da aplicação digital navegante, a secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, afirmou que a integração entre o navegante e o andante “é mais um passo importante neste caminho” de um sistema integrado de acesso generalizado ao transporte público, esperando que “se possa concretizar a breve trecho, se possível, até ao final do presente ano”.
A STCP, de acordo com o seu site, presta serviço de transporte público urbano de passageiros em seis concelhos da AMP, com uma rede de 503 quilómetros, 2.517 paragens, 451 viaturas e serve 43 freguesias.
A Companhia Carris de Ferro de Lisboa, fundada em 1872, assegura transporte público urbano de superfície no município de Lisboa, sendo gerida pela câmara municipal, e segundo o site da empresa, possui 2.505 trabalhadores, 773 autocarros, 64 elétricos, três ascensores (seis cabines) e um elevador.