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O presidente da Câmara do Porto disse esta ssexta-feira que as declarações do presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) sobre os jovens e o problema da habitação não refletem o posicionamento da generalidade dos políticos em Portugal.

“Acho que o senhor ministro das Infraestruturas e da Habitação foi já muito claro quanto a esta matéria (afirmações do presidente do IHRU), foram umas afirmações que, evidentemente, não refletem, julgo eu, aquilo que é o posicionamento da generalidade dos políticos em Portugal, nomeadamente quem tem responsabilidades”, afirmou Pedro Duarte.

O autarca, eleito pelo PSD/CDS-PP/IL, teceu estes comentários depois de questionado pelos jornalistas à margem da 3.ª edição do Encontro de Gestores de Entrada, na Alfândega do Porto.

Numa sessão sobre a proposta do Plano Diretor Municipal de Gaia, na quinta-feira, o presidente do IHRU, Benjamim Pereira, referiu não saber se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício da anterior, recordando que os próprios avós e o pai emigraram para ter uma casa.

Nesse mesmo dia, e numa entrevista ao Jornal Nacional da TVI, o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, considerou infelizes essas declarações e revelou já ter pedido explicações.

Pinto Luz considera “absolutamente infelizes” declarações de presidente do IHRU

Já  esta sexta-feira, Benjamim Pereira admitiu que as expressões que utilizou sobre a capacidade de sacrifício dos jovens foram infelizes, esclarecendo que não teve intenção de desvalorizar as dificuldades na habitação ou sugerir a emigração.

Falando acerca das manifestações pela habitação que têm ocorrido sobretudo no Porto e em Lisboa, Pedro Duarte considerou que a situação “felizmente está a adquirir uma normalidade democrática”.

“Eu acho que a nós compete-nos ouvir essa mesma manifestação de convicções, de posições ou de protestos por parte da população e, isso, julgo que está a ser feito”, assinalou.

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.