O Comité de Direitos Humanos do partido Vente Venezuela (VV), da líder da oposição, María Corina Machado, denunciou a detenção de sete pessoas que participaram na manifestação da oposição realizada na quinta-feira, em Caracas. Centenas de venezuelanos saíram às ruas de várias cidades da Venezuela, em apoio à líder da oposição María Corina Machado, para exigir a liberdade dos presos políticos e a marcação de eleições presidenciais no país.
“Urgente: O regime da [Presidente interina] Delcy Rodríguez, através da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), sequestrou sete pessoas que estavam encarregadas dos camiões de som utilizados na mobilização cívica na Plaza Venezuela”, denunciou o VV.
Num comunicado divulgado na rede social X, o VV sublinhou desconhecer o paradeiro de Rony Suárez, Yanail Castro, Daniel Colmenares, Andruws Pineda, “Alirito” Ramón Brizuela, Ronaike Suárez e de uma sétima pessoa cuja identidade ainda está por confirmar.
El regimen de Delcy Rodríguez, a través de la Policía Nacional Bolivariana, secuestró a SIETE personas que estaban a cargo de los camiones de sonido utilizados hoy en la movilización cívica de Plaza Venezuela.
Los 3 vehículos fueron confiscados, uno de ellos cuando… pic.twitter.com/5yUoC7CoAP
— Vente Venezuela (@VenteVenezuela) October 22, 2026
“Alertamos a comunidade internacional para este ataque contra venezuelanos que prestaram os seus serviços para a manifestação pacífica deste 22 de outubro”, destaca a nota.
O VV chamou a atenção para o facto de as detenções ocorrerem “enquanto Delcy Rodríguez se reúne com Dinorah Figuera, responsável pela comissão negociadora da Assembleia de 2015, e um dia após os acordos sobre garantias democráticas no país”.
“Libertem-nos já!”, exige a organização política.
Segundo o VV, as autoridades venezuelanas confiscaram os três camiões com aparelhos de som que foram utilizados durante a concentração, “um deles quando o motorista chegava a Antímano”, a oeste da capital venezuelana.
Centenas de venezuelanos saíram à rua em várias cidades da Venezuela para exigir a libertação dos presos políticos e a marcação de eleições presidenciais.
“Venezuela não é só petróleo, somos gente que não desiste de lutar pelas suas liberdades, pela democracia. Têm que deixar entrar María Corina Machado e libertar todos os presos políticos”, disse uma manifestante na quinta-feira.
Com um cartaz a dizer “Eleições já e desta vez não nos vão roubar”, Francys Maldonado explicou à Lusa que, depois da operação militar norte-americana que em 3 de janeiro afastou Nicolás Maduro do poder, a situação no país “permanece difícil, confusa” sem as mudanças que esperava que os EUA impulsionassem.
“Donald Trump está em dívida [para] com os venezuelanos. Aqui não conta só o petróleo, ele tem que ‘pressionar, ordenar’ eleições, uma mudança de regime à democracia (…) os que no passado fizeram parte da repressão e da violação dos direitos humanos, não podem continuar a ter poder, a governar”, disse.
¡INDETENIBLE E INVENCIBLE!
????????Así se vivió la movilización en Caracas este 22 de octubre.
???????? #SetTheDate pic.twitter.com/0GDQysYpG8
— Vente Venezuela (@VenteVenezuela) October 22, 2026
Maldonado explicou que, “nas primárias de 22 de outubro de 2023, os venezuelanos disseram que a sua líder era María Corina Machado e por isso votaram por ela”, recordando que a líder saiu clandestinamente da Venezuela em dezembro, para ir à Noruega receber o Prémio Nobel da Paz, e não conseguiu regressar ao país, apesar de já o ter tentado fazer.
Por outro lado, também do lado direito da fonte de Plaza Venezuela, Julio Garcia Soares explicou à Lusa que “os venezuelanos não estão na disposição de esperar até 2028” para que haja eleições presidenciais.
#Caracas Plaza Venezuela está llena de venezolanos que quieren libertad y que exigen la liberación de los presos políticos, la fecha de la elección presidencial y que María Corina pueda regresar a su país.
Merecemos ser libres ????????#SetTheDate pic.twitter.com/cbZN09BwTG
— Comando ConVzla (@ConVzlaComando) October 22, 2026
“Constitucionalmente, já Delcy Rodríguez é ilegítima. O período de governação interina já acabou e a Venezuela tem que ter um presidente. Atualmente há um vazio do poder executivo e queremos um processo limpo e transparente, em que todos votem, inclusive os jovens e os que emigraram”, disse.
Garcia Soares recordou que nos últimos anos, mais de sete milhões de venezuelanos abandonaram o país “fugindo da crise política, económica e social, e da repressão”.
O dirigente juvenil Carlos Alberto Fernández, do Vente Venezuela, discursou numa das manifestações em Caracas.
???? “Nos dicen que tengamos paciencia, que esto es lo que hay. Y les decimos: Vamos a organizarnos y el año que viene vamos a tener elecciones presidenciales y a llevar a María Corina Machado a la presidencia.”
????️ Carlos Fernández (@Carlosafg_) desde la movilización en Caracas.… pic.twitter.com/dIJzcRFcqt
— Vente Venezuela (@VenteVenezuela) October 22, 2026
Na concentração em Caracas estiveram vários luso-venezuelanos, alguns deles emocionados “pelo regresso dos opositores às ruas”, mas insistindo que “qualquer mudança efetiva no país irá demorar”, porque “a sociedade venezuelana ainda está muito dividida, ainda há muito ódio”.
“Enquanto as pessoas olharem umas para as outras com os olhos da ideologia política, com ódio, a Venezuela não avançará, não mudará”, disse um luso-venezuelano à Lusa.
Venezuela ????????: people are gathering all over th country today in what are expected to be the largest protests since the US capture of Maduro.
Protesters demand a date for the presidential elections as well as the return of Maria Corina Machado.
This protest was in Tachira state. pic.twitter.com/LZU4LWmM0h
— Thomas van Linge (@ThomasVLinge) October 22, 2026
As manifestações de quinta-feira foram convocadas para as principais cidades do país, com Corina Machado apelando para uma forte adesão dos venezuelanos aos protestos.
Corina Machado reitera apelo ao protesto para exigir presidenciais na Venezuela
Alguns internautas queixaram-se nas redes sociais de que as autoridades estavam a provocar lentidão e a dificultar a circulação de viaturas com manifestantes em estradas, em localidades como Carúpano (leste).
Em Caracas, a oposição tinha convocado a concentração para a Torre Polar de Plaza Venezuela (centro-leste) mas uma contramarcha feita pelo ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello, para assinalar o “mês rosa”, de prevenção contra o cancro da mama, obrigou a oposição a concentrar-se na Praça de El Rectorado, da Universidade Central da Venezuela e a marchar até à ponte que liga a instituição com a localidade de Plaza Venezuela.
A mudança de sítio teve como propósito evitar choques ou incidentes com participantes da outra marcha, explicaram vários manifestantes.
Aí se concentraram, exibindo cartazes com mensagens como “deixem entrar María Corina”, “ela é a líder da Venezuela”, “líder legítima”, “Caracas, pulso social”, “Vamos contigo” e “Liberdade para todos os presos políticos”.
Dados do Foro Penal indicam que, a 5 de outubro, havia 322 pessoas presas por motivos políticos na Venezuela, das quais 182 são civis e 140 militares. Do total de detidos, 31 são estrangeiros, 308 são homens e 14 são mulheres.
Desde 2014, o Foro Penal documentou 19.253 detenções por razões políticas no país.
[Em dezembro de 2009, uma mulher é encontrada assassinada a tiro no estado do Rio de Janeiro. A polícia brasileira há-de confirmar que o corpo é de Rosalina Ribeiro, a herdeira de um milionário português, que tinha sido dada como desaparecida. A última pessoa conhecida a vê-la com vida tinha sido o advogado português dela, o ex-deputado e antigo líder parlamentar do PSD Domingos Duarte Lima. Já pode ouvir, em antestreia, o primeiro episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]