Os filmes “Car la Lune”, de Éric Baudelaire, “A voz de todos”, de Manuel Mozos, e “Povo e Poder”, de Ico Costa, estão entre os premiados na 24.ª edição do festival de cinema Doclisboa, anunciados este sábado.
“Car la Lune”, do realizador franco-norte-americano Éric Baudelaire, venceu o Grande Prémio da competição internacional do Doclisboa, com o júri a considerar que o filme “celebra os sons e as imagens do cinema aceitando a presença e ausência do mundo visual”.
O filme foi rodado no Instituto Nacional para Jovens Cegos, em Paris, com cinco estudantes com deficiência visual e questiona “a própria noção do olhar e a construção das imagens quando a perceção do mundo assenta noutros sentidos que não a visão”, lê-se na sinopse.
Ainda na competição internacional, o júri atribuiu o prémio de Melhor Realização a João Pedro Rodrigues e a João Rui Guerra da Mata, por terem alcançado “um grau de riqueza imaginativa e invenção cinematográfica” no filme “13 Alfinetes”, que o júri “simplesmente não podia ignorar”.
O Prémio Doclisboa do júri foi para “Noli me tangere”, de Ghassan Salhab, pela “precisão cirúrgica com que o realizador retrata camadas da história libanesa”.
Na competição portuguesa, o prémio de Melhor Filme foi, por unanimidade, para o documentário “A Voz de Todos — Jornal do Fundão”, de Manuel Mozos, que resultou de um trabalho de pesquisa nos arquivos deste jornal, fundado há 80 anos no distrito de Castelo Branco.
O filme, que aborda um símbolo de resistência no Estado Novo, foi considerado pelo júri “um farol de democracia, liberdade de expressão, resistência ao fascismo e um apelo à coesão social”.
O público do Doclisboa também escolheu os melhores filmes, atribuindo prémios a “Os continuadores da revolução”, de Pedro Neves, e a “Casa do Artista: Não é permitido envelhecer”, de Solveig Nordlund.
O Prémio do júri da competição portuguesa distinguiu “Hipogeus”, de Raul Domingues, enquanto “Povo e Poder”, de Ico Costa, rodado durante as eleições presidenciais de 2024 em Moçambique, recebeu o Prémio Escola — ETIC para Melhor Filme e uma menção honrosa do júri do Doclisboa.
Da longa lista de premiados destaque ainda para “Ponto de Fuga”, de Rita Torres, eleito o melhor filme português da secção Verdes Anos e elogiado pela “mestria, criatividade e rigor”, e também “Crónica del cansancio”, de Natalia Marín, considerado a Melhor Curta-Metragem do festival.
Esta produção espanhola fica pré-indicada na corrida aos Óscares de 2027, para Melhor Documentário de Curta-Metragem.
A 24.ª edição do festival DocLisboa começou no dia 15 e termina no domingo, mas terá programação prolongada para exibição das obras premiadas no Cinema Ideal.
Segundo a organização, o festival Doclisboa regressará em 2027, para a 25.ª edição entre os dias 14 a 24 de outubro.