Antes de ser executado na guilhotina, a 21 de janeiro de 1793, o rei francês Luís XVI terá perguntado se havia notícias do navegador e cientista Jean-André Mongez, que tinha sido enviado numa expedição científica pelo mundo liderada por Jean-François de Galaup, o conde de La Pérouse, em 1785. Os dois navios da missão desapareceram em 1788 e nunca mais foram encontrados. Agora, cartas escritas por Mongez foram descobertas escondidas num livro de gravuras. Os documentos, segundo o jornal The Guardian, revelam uma relação amorosa até agora desconhecida.

Os documentos eram dirigidos a Louise Victoire Le Cloustier, filha de uma família aristocrática de Ruão, na Normandia. Descritas como cartas de amor disfarçadas, revelam a relação próxima entre os dois e o arrependimento do cientista por comportamentos passados.

As cartas foram descobertas durante a preparação de um livro de gravuras para leilão. Ludovic Miran, especialista em livros e manuscritos da leiloeira responsável pela venda, prevista para novembro, descreveu a descoberta como “um milagre”. “Temos alguns documentos da expedição, mas são quase todos científicos, pelo que estas cartas pessoais são extremamente raras“, explicou ao mesmo jornal britânico. Segundo o especialista, os documentos permitem “lançar uma nova luz sobre um acontecimento científico e histórico extraordinário em França”.

Nas cartas, Mongez manifesta desagrado com o casamento de Louise e promete mudar o seu comportamento. “Vou voltar, vou ser outro homem, um homem melhor“, escreveu várias vezes, segundo Miran. O especialista considera que os dois terão tido uma relação próxima, mas que o cientista poderá ter feito algo que levou a mulher a afastá-lo.

“São cartas íntimas, muito pessoais”, afirmou Miran, acrescentando que a relação poderá ajudar a explicar a decisão de Mongez de participar numa viagem longa e perigosa. Numa das cartas, o cientista afirma que parte “um pouco pelo amor à fama e pelo desejo de adquirir novos conhecimentos“. No entanto, já tinha reconhecimento científico e uma carreira consolidada.

A expedição foi organizada em 1785 por ordem de Luís XVI, que pretendia rivalizar com as descobertas do explorador britânico James Cook. Numa época de forte competição entre França e Reino Unido pela expansão colonial, a missão tinha objetivos científicos, comerciais e políticos, incluindo a criação de novas rotas comerciais.

La Boussole e L’Astrolabe (os dois navios comandados pelo conde de La Pérouse) partiram de Brest, na costa atlântica francesa, a 1 de agosto de 1785, com 225 tripulantes, oficiais e cientistas a bordo. Durante quase três anos, enviaram relatos das escalas realizadas em locais como o Alasca, a Califórnia, a Ásia, a Rússia e Samoa. Nesta última ilha, o capitão do L’Astrolabe e outros 11 homens foram mortos.

Em março de 1788, os navios partiram da baía de Botany, na Austrália, e nunca mais foram vistos. Acredita-se que tenham naufragado alguns meses depois, durante um ciclone, ao embaterem em recifes de coral junto à ilha de Vanikoro, a leste das Ilhas Salomão. Foram encontrados destroços em 1826 e em 1964, mas os naufrágios só foram formalmente identificados em 2005.

[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]