Reabertura das investigações pretende “pôr um ponto final a esta história”. Entre as várias teorias sobre os motivos do homicídio, possibilidade de chantagem ou de um crime encomendado

A justiça italiana reabriu a investigação ao homicídio do escritor e cineasta Pier Paolo Pasolini, ocorrido há 51 anos, para tentar esclarecer as circunstâncias do crime e identificar outros eventuais envolvidos, anunciou esta segunda-feira o advogado que requereu a reabertura.

O advogado Stefano Maccioni, que há vários anos reclama uma nova investigação, declarou à Agence France-Presse (AFP) esperar que a reabertura das investigações “possa pôr um ponto final a esta história”.

“Apelo àqueles que sabem alguma coisa e que não tiveram coragem de falar para que o façam agora”, acrescentou o advogado, que no passado representou um primo de Pasolini, e que representa atualmente a Ordem dos Jornalistas da região italiana do Lácio, assim como um cineasta e um escritor, não identificados pela AFP.

Pier Paolo Pasolini, um dos mais destacados intelectuais italianos de esquerda, foi encontrado morto numa praia nos arredores de Roma, no dia 2 de novembro de 1975, aos 53 anos. O escritor e cineasta tinha sido violentamente espancado e atropelado por um automóvel Alfa Romeo GT, não tendo sido possível determinar se o veículo utilizado no crime era o seu.

No mesmo dia, Giuseppe “Pino” Pelosi, um jovem de 17 anos que se prostituía, foi detido ao volante do automóvel de Pasolini.

Giuseppe Pelosi assumiu a autoria do crime, alegando que tinha agido em legítima defesa, depois de o realizador ter tentado violá-lo.

Condenado a uma pena de prisão, da qual cumpriu quase dez anos, o jovem alterou a sua versão dos acontecimentos em 2005, afirmando que Pasolini tinha sido assassinado por três homens não identificados, que falavam com sotaque siciliano.

Segundo o advogado Stefano Maccioni, análises de ADN revelaram indícios da presença de outras pessoas no local do crime, pelo que apelou aos investigadores para que reúnam os elementos necessários ao cabal esclarecimento do homicídio.

As circunstâncias da morte de Pier Paolo Pasolini continuam a suscitar dúvidas e, ao longo das últimas cinco décadas, surgiram várias teorias sobre os motivos do homicídio, nomeadamente a possibilidade de chantagem ou de um crime encomendado pela extrema-direita ou pela máfia.

Conhecido pelas suas posições políticas e pela natureza provocadora da sua obra, Pasolini criticou os valores da sociedade burguesa, a censura da Igreja Católica e o avanço do neofascismo, abordando frequentemente nas suas obras a violência, a marginalidade e as desigualdades sociais.

O seu último filme, “Salò ou os 120 Dias de Sodoma”, estreado após a sua morte, constitui uma crítica ao fascismo italiano e provocou grande controvérsia pela representação explícita da violência e dos abusos sexuais.

[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]