A edição do Cinanima – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho que arranca sexta-feira terá, pela primeira vez nos 50 anos do evento, uma competição cujo júri é constituído apenas por crianças e adolescentes.
Como revelou à Lusa a direção do certame que decorre até 22 de novembro na referida cidade do distrito de Aveiro e noutras salas da Área Metropolitana do Porto, em causa está a categoria de filmes infantojuvenis, na qual 38 filmes de 21 países vão disputar o novo Prémio Pequeno Golfinho.
“Ao olhar para 50 anos de festival, a equipa do Cinanima entendeu que, apesar de o cinema de animação para crianças sempre ter feito parte da nossa história, ele não estava a ser devidamente premiado, como as restantes categorias”, admite à Lusa um dos programadores do festival, André Ramada.
O programador defendeu: “A criação de uma nova competição para estes filmes surge para dar o devido valor a algo que sempre fez parte de nós: o envolvimento das crianças no nosso festival é algo de que a equipa sempre se orgulha e, no ano em que o evento celebra meio século, nada melhor do que promover à posição de jurados este grupo, que é um dos nossos mais fiéis aliados”.
Para o diretor do Cinanima, Henriques Neves, a nova competição pode ter demorado a surgir, mas reflete uma preocupação que, na prática, o evento sempre teve. Vem apenas reforçar “a aposta do Cinanima na formação de públicos desde as idades mais jovens, aproximando as crianças do cinema de animação e proporcionando-lhes o contacto com obras selecionadas para a sua faixa etária”.
Atendendo à diversidade geográfica na origem dos 38 filmes candidatos ao Prémio Pequeno Golfinho, o diretor do festival acredita que a audiência a que essas obras se destinam irá assim contactar com diferentes perspetivas temáticas, distintos estilos de narrativa e diversas técnicas e formas de expressão artística, o que, além de lhes proporcionar uma experiência cinematográfica mais rica, também lhes permitirá alargar horizontes culturais.
Quanto ao júri que irá avaliar esses filmes e selecionar os melhores, André Ramada adianta que será constituído por dezenas de “alunos de escolas locais, abrangendo diferentes faixas etárias, do 1.º ao 3.º ciclo”, e incluirá também estudantes do ensino secundário envolvidos na residência artística da presente edição do festival.
“Pretende-se proporcionar aos mais jovens uma experiência de participação direta, estimulando o pensamento crítico, a partilha de opiniões e a sua relação com o cinema animado”, conclui o programador.