A Polícia Nacional do Paraguai informou esta sexta-feira que o ex-presidente Santiago Peña, destituído horas antes pelo Senado em julgamento político, “já se encontra oficialmente detido” na sua residência, após ordem emitida pelo Ministério Público.
“Já se encontra oficialmente detido, acabou de ser notificado e foi informado de que oficialmente vai ficar preso na sua residência”, disse aos jornalistas um oficial da Polícia perto da residência de Peña.
A ordem de prisão pede a garantia da detenção domiciliária de Peña “até que seja colocado à disposição do Ministério Público na Unidade de Crimes Económicos e Anticorrupção” da capital do país, Assunção.
“Foi confirmado que ele se encontra na sua residência e foi posto à disposição”, disse aos jornalistas Silvia González, uma das fiscais do caso.
O documento também determina a detenção de Carlos Carvallo Spalding, que até terça-feira passada dirigia o Banco Central do Paraguai (BCP), dia em que renunciou ao cargo devido ao escândalo do esvaziamento do Ueno Bank.
Imagens da televisão local mostraram cerca de vinte agentes protegendo a casa do presidente destituído, enquanto alguns manifestantes pediam que ele fosse preso ainda esta noite.
“O povo exige que ele vá para a prisão, vamos ficar de vigília para que ele não fuja, não fique em casa, que durma atrás das grades”, afirmou uma mulher que se identificou como Andrea Salazar.
O Paraguai entrou em crise depois de o Banco Central (BCP) ter ordenado um procedimento de resolução do Ueno Bank, uma instituição com 2,94 milhões de clientes num país de 6,1 milhões de habitantes, que recebeu durante o mandato do agora ex-Presidente do Paraguai milhões dos cofres públicos.
A isto somou-se a preocupação de milhares de aforradores que denunciaram não ter acesso aos seus recursos, entre eles 32.000 reformados do Instituto de Previdência e Segurança Social (IPS), uma das principais caixas de pensões do país.
Ex-presidente de Banco Central do Paraguai entrega-se no âmbito do caso Ueno Bank
O ex-presidente do banco central paraguaio Carlos Carvallo entregou-se às autoridades, após emissão de um mandado de detenção no âmbito do escândalo relativo ao encerramento do Ueno Bank, que levou à destituição do Presidente Santiago Peña.
Meios de comunicação social locais publicaram este sábado fotografias do ex-presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), que se apresentou na noite de sexta-feira no Departamento de Investigações da Polícia Nacional, em Assunção, capital do país.
Carvallo estava incluído no mandado de detenção emitido contra Peña no âmbito de um processo por abuso de confiança e outros crimes de que os ex-funcionários são acusados, publicou o jornal ABC Color.
O agora ex-presidente do BCP demitiu-se na terça-feira, após o anúncio do processo de resolução ou dissolução ordenado contra a Ueno, ao qual Peña tem sido associado e que recebeu, durante o seu mandato, fundos milionários de entidades estatais.
Antes de chegar à instituição emissora, em 2023, Carvallo tinha dirigido a Financiera Ueno, que deu origem ao banco sob intervenção. Para o substituir, Peña nomeou na quarta-feira o economista e ex-ministro Raúl Vera Bogado como novo presidente do BCP, uma nomeação que terá de ser aprovada pelo Senado.
Depois de comparecer perante a Justiça, Carvallo foi transferido para a ‘Agrupación Especializada’, uma unidade policial que funciona como centro de detenção para determinados detidos e que se situa em Assunção.