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Nunca é avisado recolher tudo contra esta equipa com desconto (a crónica do FC Porto-Sporting)

Este artigo tem mais de 6 meses

Farioli arriscou, ganhou aposta com Mora e estreante Fofana mas, quando os cones e as bolas tinham sido tirados de campo, Suárez materializou na recarga a um penálti uma reação de bicampeão (1-1).

Diogo Costa ainda conseguiu travar o penálti de Luis Suárez mas colombiano foi mais rápido na recarga e fez o empate no Dragão no último minuto de descontos
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▲Diogo Costa ainda conseguiu travar o penálti de Luis Suárez mas colombiano foi mais rápido na recarga e fez o empate no Dragão no último minuto de descontos

▲Diogo Costa ainda conseguiu travar o penálti de Luis Suárez mas colombiano foi mais rápido na recarga e fez o empate no Dragão no último minuto de descontos

Um minuto impediu que a desvantagem pudesse aumentar para quase inalcançáveis nove pontos, um jogo fez com que essa potencial diferença alargada passasse para apenas quatro pontos, uma semana depois era a hora de fazer contas em relação ao que falta no Campeonato. Até aqui, a matemática era fácil de fazer e tinha o condão de contrariar perceções e lógicas que se pudessem formar: o Sporting não estava pior em relação à última época, o próprio Benfica também não caíra muito em comparação com a derradeira temporada, era o FC Porto que estava a anos luz do rendimento que alcançara em 2024/25. A equipa liderada pelo estreante Francesco Farioli pulverizou todos os recordes internos e nacionais, somou 55 pontos dos 57 possíveis nas 19 jornadas iniciais mas teve depois um inesperado desaire em Rio Maior frente ao Casa Pia com uma primeira parte falhada que não foi a tempo de ser corrigida. Agora, era momento de perceber se tivera impacto.

FC Porto e Sporting empatam no Dragão e deixam tudo na mesma no topo do Campeonato (1-1)

André Villas-Boas não demorou a destacar os “máximos históricos no início da prova”, apontando o dedo à “esquizofrenia de alguns meios a tentarem aproveitar-se de uma derrota do FC Porto” e falando de um “show off de uma onda verde propagada pela imprensa”. Já Farioli apontou para uma espécie de lei de Murphy que se abateu sobre a equipa, com tudo o que podia correr mal a correr ainda pior. Depois da série de 11 vitórias seguidas na Liga, com a qualificação direta para os oitavos da Liga Europa e para as meias-finais da Taça de Portugal pelo meio, os dragões tinham como principal objetivo retomar o trilho dos triunfos frente a um adversário direto na corrida ao título e ao mesmo tempo desmistificar os trabalhos que têm vindo a ser feitos sobre as quebras das equipas do técnico italiano nas segundas voltas, como se viu no Nice e no Ajax.

“Podemos esperar o FC Porto de sempre, uma equipa com atitude, com um grande espírito, com o desejo de entrar em campo e abordar o jogo de forma dominante. É isso que temos feito durante toda a época e é o que vamos querer fazer agora também. Após o jogo com o Casa Pia já se viu uma afirmação muito importante de todos os adeptos que estiveram no estádio para mudarmos a página muito rapidamente. Isso ajudou-nos. Foi uma semana boa, muito positiva. Palavras do presidente? Se as lermos, se as ouvirmos… O Sporting vem de ser campeão duas vezes seguidas, com a experiência e o futebol de Liga dos Campeões. Nós somos um clube que está a reconstruir um certo processo, a trabalhar para trazer o FC Porto de volta ao lugar a que pertence. É aqui que estamos. A 15 de julho, todos assinaríamos por baixo estarmos onde estamos, numa boa posição para competir pela Liga, qualificados no top 8 da Liga Europa e na corrida também pela Taça. Estamos todos alinhados e na mesma página sobre onde queremos ir, como queremos ir e quem queremos ser nos próximos meses”, destacara Francesco Farioli, técnico dos azuis e brancos, na antevisão do clássico.

Já o Sporting regressava ao Dragão num dos melhores momentos da época, com seis vitórias seguidas após a derrota nas meias-finais da Taça da Liga com o V. Guimarães, a aproximação ao primeiro lugar da Liga e a histórica passagem aos oitavos da Liga dos Campeões batendo o campeão europeu PSG e o Athl. Bilbao. O coração para aproveitar todos os minutos para fazer a diferença voltou a revelar-se durante a última semana com um triunfo na parte final do prolongamento frente ao AVS para seguir para as meias-finais da Taça de Portugal, confirmando a tentativa de retoma depois de um período em que a equipa baixou pelas ausências por lesão. O que faltava? Dar uma outra resposta nos encontros frente a conjuntos do top 5 depois de somar só três pontos em 12 possíveis na primeira volta com FC Porto, Benfica, Sp. Braga e Gil Vicente.

“O jogo da primeira volta foi muito competitivo, podia ter dado para ambos os lados. Agora é um momento diferente, são duas equipas já mais adaptadas às ideias do treinador. Espero um jogo intenso, competitivo e parecido como o da primeira volta, um jogo importante indiferentemente dos pontos. É só um jogo. Não acho que seja um jogo que vá fazer diferença, não é decisivo. Claro que temos noção da diferença mas é um jogo que não vai ditar o campeão. Basta ver o que aconteceu no ano passado, estivemos muitos pontos à frente, também estivemos atrás e acabámos a ser bicampeões. Prolongamento com o AVS? A parte física ou mental do cansaço não pode servir de desculpa, eles vão estar preparados para aquilo que vai ser o jogo. É um jogo grande, que em termos mentais nos torna mais focados. Não há desculpas”, salientara Rui Borges.

Era neste contexto que chegava o segundo de quatro duelos entre FC Porto e Sporting na presente época, que vai envolver também a eliminatória das meias da Taça de Portugal, e com o Benfica a olhar de forma atenta para o que poderia sair do clássico tendo em conta a possibilidade de encurtar distâncias para o topo, para o segundo lugar ou para ambos ainda com 14 encontros e 42 pontos por disputar até ao epilogo da Primeira Liga. Foi isso mesmo que aconteceu. Por um lado, Farioli ganhou quando mexeu na equipa, mudou toda a história do encontro e chegou à vantagem com um golo do estreante Fofana mas o FC Porto perdeu quando decidiu arrumar tudo mais cedo entre cones e bolas no campo frente a uma equipa que aproveita todos os minutos para ir ao golo (literalmente). Por outro, Rui Borges perdeu pela forma como demorou a colocar Trincão no meio mas o Sporting ganhou pela capacidade de reação que teve depois de ficar em desvantagem.

Ficha de jogo

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FC Porto-Sporting, 1-1

21.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)

FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa, Bednarek, Kiwior (Thiago Silva, 63′), Martim Fernandes (Francisco Moura, 84′); Alan Varela, Froholdt, Gabri Veiga (Fofana, 63′); Pepê, Borja Sainz (Rodrigo Mora, 63′) e Samu (Deniz Gül, 46′)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Pablo Rosario, Oskar Pietuszewski e Terem Moffi

Treinador: Francesco Farioli

Sporting: Rui Silva; Iván Fresneda, Diomande, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo; Morita (Luis Guilherme, 79′), Hjulmand; Geny Catamo (Souleymane Faye, 84′), Trincão, Pedro Gonçalves (Daniel Bragança, 84′) e Luis Suárez

Suplentes não utilizados: João Virgínia, Vagiannidis, Eduardo Quaresma, Ricardo Mangas, João Simões e Rafael Nel

Treinador: Rui Borges

Golos: Fofana (76′) e Luis Suárez (90+10′, g.p.)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Froholdt (45+1′), Diomande (45+3′), Morita (75′), Hjulmand (79′), Francisco Moura (84′), Luis Suárez (86′), Maxi Araújo (90+3′) e Deniz Gül (90+3′)

Com Morita a jogar de início em vez de João Simões para dar mais critério na posse e jogo organizado dos leões, Rui Borges tentou tirar referências às marcações dos dragões com a colocação de Francisco Trincão à esquerda de início com Pedro Gonçalves no meio e Maxi Araújo a projetar-se na profundidade em saídas que procuravam mais verticalidade do que Iván Fresneda. Já o FC Porto, com a dupla polaca de centrais refeita perante a condição de suplente de Thiago Silva, mantinha as referências de pressão mais altas na primeira fase de construção verde e branca e mais posicionamento à zona sem tanta agressividade em movimentos de defesa organizada entre constantes tentativas de saída em transições rápidas explorando a velocidade de Pepê e Borja Sainz. Ações nas áreas? Quase nenhuma. Oportunidades? Zero. E o primeiro quarto de hora foi esgotado com mais posse do Sporting, um canto após corte de Bednarek numa perda no primeiro terço de Alberto Costa e um time-out “assumido” com Farioli a chamar todos entre “queixas” de Diogo Costa.

Essa paragem fez bem ao FC Porto, com os dragões a conseguirem depois pegar as rédeas do jogo obrigando o Sporting a jogar mais vezes direto em lances que ficavam de forma invariável em Bednarek e Kiwior, a irem forçando o erro dos leões na primeira fase de construção e a colocarem maior velocidade nas ações, como foi o caso de um lance em que Pepê ganhou a Maxi Araújo, tentou passar pelo uruguaio e ficou no chão a pedir penálti depois de um toque com Luís Godinho a mandar seguir (17′). Ainda assim, os dragões conseguiram o primeiro remate do encontro na melhor jogada coletiva até aí, que começou na esquerda, passou por vários jogadores e terminou com assistência de Samu para o remate de Alan Varela de fora da área ao lado (20′). O jogo de xadrez mudava de cores, agora com os verde e brancos a tentarem aproveitar esse balanceamento ofensivo dos visitados para saírem em transição quase sempre a explorar o rasgo de Geny Catamo.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do FC Porto-Sporting em vídeo]

A chuva caía com maior intensidade no Dragão, o encontro foi também desligando da corrente. Os pequenos despiques individuais com ou sem bola continuaram mas a qualidade do jogo decresceu (muito), ainda mais quando dezenas de tochas foram abertas pelas claques portistas nos dois topos e levaram a que o encontro parasse cinco minutos devido ao fumo que teve Diogo Costa como primeiro a queixar-se de… não ver a outra baliza. Foi isso que levou a que a primeira parte contasse com sete minutos de descontos, com as paragens para assistências a Diogo Costa, Luis Suárez e Samu a ajudarem também a esse prolongamento, altura em que Luís Godinho exibiu os dois primeiros amarelos a Froholdt e Dioimande e em que houve um cruzamento perigoso de Maxi Araújo na esquerda após jogada com Trincão sem desvio de Suárez nem Geny Catamo. De forma inevitável, o intervalo chegou com um nulo, três remates sem perigo e apenas nove ações nas áreas, sendo que o 0-0 era um desfecho previsível porque não houve sequer uma tentativa enquadrada.

A segunda parte começava com uma novidade, depois da saída por lesão de Samu para a entrada de Deniz Gül. Mudavam as características da unidade mais avançada do FC Porto, outras coisas tinham de mudar nas duas equipas para quebrar a tendência de haver mais receio de sofrer do que vontade de marcar. Da parte do Sporting, que quase “sacrificava” Trincão na esquerda para ter Pedro Gonçalves a explorar os espaços entre linhas (sem sucesso), os três cantos nos quatro minutos iniciais não trouxeram qualquer perigo mas ficou de novo a ideia de que era pela direita com Geny Catamo que poderia estar o “segredo”. Do lado do FC Porto, o jogo pelo corredor central tinha de ser ativado bem como os movimentos em diagonais dos alas que dessem o flanco à subida dos laterais para criar superioridade. As ideias estavam lá, a prática continuava a esbarrar num clássico amarrado e foi preciso esperar 57 minutos para o primeiro remate enquadrado sem perigo de Fresneda, que puxou para dentro, tentou de pé esquerdo mas viu o tiro ser prensado num defesa.

Era do banco que podia vir o crédito em falta no jogo, com um problema adicional para Farioli com a lesão de Kiwior quando tentava fazer uma recuperação que levou à entrada de Thiago Silva além das apostas em Seko Fofana e Rodrigo Mora em vez de Gabri Veiga e Borja Sainz que pretendiam dar outros argumentos na luta pela conquista do corredor central numa fase em que o Sporting, mesmo não aproveitando a nível de último passe, conseguia encontrar mais vezes as costas dos médios portistas. Encontrar os poucos espaços em vazio nas organizações defensivas contrárias era a chave para desbloquear o encontro, como se viu numa jogada em que Froholdt caiu mais sobre a direita e criou superioridade para um cruzamento cortado e um remate de Fofana contra um adversário que “abanou” de novo com o encontro (73′). Rui Borges continuava sem mexer na equipa mas este começava a ser um momento com o FC Porto a crescer com novas dinâmicas ao meio.

Foi nesse momento, quando João Simões e Luis Guilherme se preparavam para entrar, que o FC Porto fez mesmo o golo inaugural: Hjulmand ficou a pedir uma falta de Deniz Gül com os jogadores leoninos quase a pararem à espera de uma infração não assinalada, Mora recebeu e temporizou antes de fazer o passe na área e ao quarto remate a bola entrou mesmo, com Alberto Costa, Fofana e Gül a verem as tentativas prensadas em defesas contrários antes da tentativa com sucesso do estreante Fofana (76′).

Só mesmo Luis Guilherme foi a jogo no lugar de Morita com o recuo de Pedro Gonçalves e a colocação de Francisco Trincão no meio, com o jogador português a ficar muito perto do empate logo na primeira ação jogando nessa posição num remate em arco descaído sobre a direita (81′). Luis Guilherme também tentou numa diagonal da direita para o meio com uma tentativa de saiu ao lado (88′), houve um canto com um remate com selo de golo de Gonçalo Inácio cortado por Bednarek (90′) mas o resto da história do encontro ainda por escrever, com Alan Varela a cortar em cima da linha um remate de Hjulmand (90+6′) mas Luis Suárez a empatar numa recarga a um penálti por corte com a mão de Francisco Moura depois de um cruzamento de Iván Fresneda que Diogo Costa ainda começou por travar mas para a frente (90+10′).

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