1226,8kWh poupados 1226,8 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Mais um título que foi conseguido há 373 dias em Copenhaga (a crónica do FC Porto-Torreense)

O erro faz parte do jogo mas final da Supertaça teve demasiados erros das três equipas, que deram o melhor num encontro que voltou a ser decidido pelo melhor: Victor Froholdt, de novo o MVP (1-0).

Victor Froholdt marcou o único golo da final da Supertaça ainda na primeira parte após cruzamento de Pepê
i

Victor Froholdt marcou o único golo da final da Supertaça ainda na primeira parte após cruzamento de Pepê

Victor Froholdt marcou o único golo da final da Supertaça ainda na primeira parte após cruzamento de Pepê

De madrugada, Pedro Proença deslocava-se até Tomar para falar com todos os árbitros que tinham decidido suspender a primeira Ação de Reciclagem e Avaliação da nova temporada de 2026/27. Fez aquele pedido de desculpas “formal”, ouviu alguns pedidos da classe a nível de condições de treino, assegurou que existe um processo em construção para melhorar a arbitragem nacional, “desfez” a suspensão e a Supertaça já estava garantida. Antes, os responsáveis do FC Porto tinham passado pelo relvado do Estádio Cidade de Coimbra e ficaram horrorizados com o estado do campo, que mereceu mesmo um protesto formal por parte dos dragões antes da final. E havia também dúvidas em relação à escolha do recinto no primeiro dia de agosto, com tudo o que isso poderia ter em termos de assistência. Afinal, remédio santo, era só uma questão de rolar a bola e tudo passou. 68 dias depois da final da Taça de Portugal no Jamor, começava a nova época nacional.

Supertaça. Conhecidos os onzes iniciais do FC Porto-Torreense, André Silva joga de início

Isso era também o gatilho para equilibrar na teoria aquilo que seria sempre desequilibrado. Em condições normais, o FC Porto partia como claro favorito. Por ser o campeão em título, por defrontar uma equipa do segundo escalão, por ser melhor em termos individuais e coletivos. No entanto, e como o Torreense mostrou no final da última temporada, a teoria nem sempre passa à prática de forma lógica. E era isso que nivelava aquilo que dificilmente poderia ser nivelado, mesmo tomando em linha de conta que se tratava do primeiro encontro oficial da época depois de alguns testes que foram desbloqueando o melhor dos dragões.

“Acho que trabalhámos da forma correta durante a pré-época, desde o primeiro dia. Obviamente que este tem sido o nosso objetivo, tínhamos uma contagem decrescente para chegar a este dia na melhor forma possível. Os jogadores voltaram das férias em excelente forma, trabalharam muito afincadamente, dia após dia. Por isso, penso que mentalmente e fisicamente estamos onde temos de estar. E, claro, agora cabe-nos transferir todo o trabalho que investimos numa grande exibição para fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para vencer este troféu”, apontara Francesco Farioli, sem passar ao lado da questão do relvado: “Estávamos a brincar há pouco que descobrimos um novo tipo de relvado híbrido: com relva e sem relva! Mas é o que é. Chegamos a este jogo com muita incerteza, mas temos de colocar tudo agora de parte”.

“Acredito que, no futebol moderno, as surpresas são surpresas por não mais do que 45 minutos. A forma como jogámos e a forma como queremos ser foi muito clara no passado e será clara no futuro. Depois, isso não significa que não tenhamos margem de melhoria. Quando falamos de coisas a melhorar, há coisas que é preciso repetir e fazer melhor e há algumas que temos de considerar mudar – não mudar apenas por mudar mas mudar porque as exigências vão ser diferentes. A competição interna e também, claro, a Liga dos Campeões vão obrigar-nos a fazer coisas diferentes. Por isso, agora estamos novamente num momento em que temos de ver quem somos e quem queremos ser. Há princípios que não são negociáveis: ser uma equipa muito intensa, que coloca um certo nível de pressão no adversário, que com bola tem clareza sobre o que quer fazer. E, depois, há o estudo e a análise semanal sobre contra quem jogamos”, frisara.

O que faltava saber? Se os testes tinham ou não sido bem feitos e que novidades poderia trazer um Torreense apostado em fazer mais história como aconteceu com o Sporting. “É sempre um pouco mais complicado ter uma imagem clara sobre quem vamos enfrentar com as novas adições e, especialmente, sobre como essas novas adições vão interagir no novo sistema. Mas acho que a imagem de quem eles são e do que fazem está lá, graças ao trabalho das pessoas envolvidas na análise do adversário. Agora cabe-nos a nós encontrar a solução adequada e a resposta certa para enfrentar o encontro”, destacara como mote para o “regresso”.

Havia um motivo extra para procurar a vitória do lado do FC Porto, depois de uma semana complicada para Diogo Costa que, sendo o último a regressar de férias depois do Mundial, perdeu o avô esta semana, num momento com impacto no balneário. Por aí, objetivo cumprido: vitória pela margem mínima frente a um Torreense que vendeu cara a derrota, 25.ª Supertaça na história, 88.º título no futebol a passar mais uma vez o Benfica numa corrida muito particular entre ambos pelo topo dessa classificação. No entanto, e em tudo o resto, os dragões ficaram a léguas do que se esperava: atacaram mal, criaram pouco, não foram tão intensos como é habitual, andaram longe daquilo que conseguem fazer em termos físicos num encontro, concederam várias transições que não são habituais. Mais uma vez, sobrou aquele suspeito do costume. Depois do Campeonato, os portistas venceram mais um troféu graças a uma operação relâmpago concluída há 373 dias, quando Victor Froholdt foi desviado do Eintracht Frankfurt para ser o MVP e Melhor Jogador Jovem da Liga em 2025/26 e voltar agora a ser o principal destaque entre uma exibição cinzenta dos azuis e brancos.

Ficha de jogo

Mostrar Esconder

FC Porto-Torreense, 1-0

Final da Supertaça

Estádio Cidade de Coimbra

Árbitro: André Narciso (AF Setúbal)

FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa (Martim Fernandes, 83′), Jan Bednarek (Alan Varela, 46′), Kiwior, Zaidu; Pablo Rosario, Gabri Veiga (Hwang Inbeom, 73′), Victor Froholdt; William Gomes (Borja Sainz, 62′), Pepê e André Silva (Deniz Gül, 62′)

Suplentes não utilizados: João Costa, Nehuén Pérez, Francisco Moura, Rodrigo Mora, Eustáquio e Oskar Pietuszewski

Treinador: Francesco Farioli

Torreense: Adriel Ramos; David Bruno (Mutombo, 77′), Stopira, Mohamed Diadié, Javi Vázquez; Léo Azevedo, Alejandro Alfaro (Zohi, 83′), Nuha Jatta (Joel Romero, 77′); Dany Jean, Luis Quintero (Baradji, 67′) e Drammeh (Zoabi, 83′)

Suplentes não utilizados: Lisandru Olmeta, Hugo Pérez, Juan Alcedo, Zé Breno, João Costinha e André Simões

Treinador: Luís Tralhão

Golos: Froholdt (38′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a David Bruno (12′), Luis Quintero (18′), William Gomes (45′), Pablo Rosario (60′), Kiwior (90′) e Dany Jean (90′)

Quando Jan Bednarek recebeu a bola aos quatro minutos sem pressão da primeira linha do Torreense e foi aplaudindo de mãos no ar os companheiros quase que a acalmar os ânimos, o arranque da partida já estava descrito. Mais: se é verdade que o conjunto de Torres Vedras inaugurou o marcador no Jamor com menos de cinco minutos jogados, em Coimbra, mesmo sem golos, estava a conseguir ter muito mais bola no terreno adversário, chegava com facilidade ao último terço, ganhava cantos e deixou o campeão irreconhecível em termos ofensivos, em ataque organizado ou transições. Javi Vázquez, de livre direto, obrigou Diogo Costa à primeira intervenção apertada (3′), Drammeh teve uma má decisão na área descaído sobre a direita arriscando o cruzamento/remate com outros jogadores à espera da assistência (10′), Dany Jean arriscou a meia distância numa transição mas saiu fraco e à figura do número 99 portista (11′). Ainda houve um desvio de cabeça na área de André Silva para defesa de Adriel (12′) mas o Torreense estava por cima.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do FC Porto-Torreense em vídeo]

Só mesmo a partir daí houve “equilíbrio”, mesmo com o FC Porto a ter muito mais posse. Os movimentos de Victor Froholdt e Gabri Veiga pelo meio conseguiam encontrar os espaços que faltavam, havia momentos de jogo planeados que tinham um efeito zero como as constantes procuras do espaço interior por Zaidu antes de tempo que deixava a largura pela esquerda “coxa”. O que ainda não se tinha visto? A intensidade, vontade e agressividade nas disputas de bola que se tornaram uma imagem de marca daquilo que é a formação azul e branca com Farioli. Foi isso, a par das pilhas inesgotáveis de Froholdt, que deu o mote para mudar essa história da partida, já depois de um bom lance na direita com Alberto Costa a cruzar na linha de fundo para André Silva falhar o desvio na área (22′). Ainda assim, a tendência virara de forma assumida.

A eficácia, ou a falta dela, também teve a sua importância. Na primeira jogada em velocidade em que o FC Porto conseguiu apanhar a organização defensiva contrária em falso na profundidade e pelo lado esquerdo, o movimento de Froholdt levou consigo o adversário para deixar o espaço à entrada de Pepê mas o cruzamento ao segundo poste não teve a melhor conclusão, com William Gomes a desviar de pé direito por cima quando estava sozinho na pequena área (30′). O brasileiro parecia não querer acreditar naquilo que tinha acabado de fazer mas a partida estava em definitivo inclinada para o lado dos dragões, que procuravam em posse os melhores caminhos para chegarem à área contrária. Quando isso aconteceu, apareceu o 1-0: mais uma jogada de qualidade pela esquerda com Pepê a ter espaço para jogar 1×1, cruzamento de pé direito de novo ao poste mais distante, entrada de Gabri Veiga a arrastar Stopira e desvio de cabeça de Froholdt (38′). O Torreense ainda teve uma boa oportunidade após subida de Javi Vázquez, com Kiwior a intercetar o toque de Drammeh e Diogo Costa a evitar a recarga de Quintero (45+2′), mas o intervalo chegaria mesmo com o 1-0.

Apesar dessa vantagem, nem tudo eram boas notícias para Francesco Farioli, que juntou o útil ao agradável ao intervalo: Bednarek continuou em dificuldades do joelho direito depois de um lance em que ficou com o pé preso no relvado logo no arranque da partida e acabou por sair ao intervalo, com Pablo Rosario a descer para central e Alan Varela a entrar para assumir de outra forma o meio-campo. Num plano teórico, os azuis e brancos ganhavam capacidade de construção e circulação; na prática, foi o Torreense que conseguiu ir puxando o encontro para o que mais lhe convinha, “secando” todas as ações ofensivas dos dragões e arriscando pela certa em saídas rápidas como aquela que colocou Drammeh na área a desviar de cabeça um cruzamento do lado esquerdo que ficou nas mãos de Diogo Costa (53′). Afinal, enquanto a vantagem mínima fosse aguentando, tudo continuava em aberto. Era nisso também que a equipa da Segunda Liga apostava.

André Silva voltou a criar perigo na marcação de um livre direto descaído sobre a direita, com Adriel ainda a desviar para canto uma bola que ia no ângulo (58′), mas essa acabaria por ser a última ação do avançado no encontro, com Farioli a mexer cedo à procura do golo da tranquilidade com as entradas de Borja Sainz e Deniz Gül para as saídas de William Gomes e André Silva (62′). No entanto, não foi por isso que o FC Porto melhorou. Nem o FC Porto, nem o jogo, que atravessava o momento com menos motivos de interesse e sem perigo junto das balizas – até tendo em conta que ninguém conseguia sequer chegar ao último terço. E foi com o estreante sul-coreano Inbeom Hwang em campo, em vez de Gabri Veiga, que chegou a parte final.

Léo Azevedo, num dos raros momentos em que a formação de Torres Vedras arriscou a meia distância, teve um remate que não passou muito longe da baliza do FC Porto (86′) mas seria preciso esperar pelos últimos minutos para voltar a haver jogo nas duas áreas, com Zoabi a falhar isolado na área com um remate forte que passou por cima (87′), Inbeom Hwang a ter um remate defendido por Adriel que por pouco não teve recarga na área (88′) e um lance que motivou muitos protestos do lado do Torreense, com Dany Jean a ser tocado na área num lance com o médio sul-coreano sem que André Narciso marcasse penálti (90+1′).

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.