Nos últimos anos, dois nomes desconhecidos do público — mas cada vez mais importantes no panorama musical — começaram a aparecer mais e mais nos créditos de algumas das canções mais populares do país. O que têm em comum Let You Go, de Richie Campbell; Perguntam Como, de Plutonio; Como Tu, de Bárbara Bandeira e Ivandro; Colãs, de Dillaz; ou WUOW, de ProfJam? Todas elas foram compostas e produzidas pela mesma dupla de músicos, Ariel e Migz.
Só trabalham juntos há quatro anos, mas é do estúdio deste duo que têm saído alguns dos mais impactantes temas da música urbana nacional. Cada um deles já soma mais de 40 singles de platina, a maior parte construídos em comum, alguns em separado. Fazem o trabalho invisível, mas crucial, para as carreiras de sucesso de diversos artistas portugueses. E tudo sem saírem do anonimato, percorrendo de forma discreta os corredores de salas como a MEO Arena enquanto 20 mil pessoas vibram ao som das suas composições.
Numa entrevista rara, abrem-nos a porta do estúdio para contar a sua história, refletem sobre como conquistaram lugar entre os produtores mais requisitados da música portuguesa, explicam como trabalham, o que os motiva e aquilo que desejam conquistar. Fazer música original em nome próprio é um objetivo declarado, mesmo que as circunstâncias sejam difíceis; mas acima de tudo estão focados em construir uma carreira internacional, de olhos postos no mundo.
De Barcelos a Mem Martins
Dão pelos nomes de Migz e Ariel, mas falamos de Bruno Ribeiro e Bernardo Mizrahi. Têm 32 e 29 anos, respetivamente, e chegaram à música de forma distinta. Comecemos por Migz, mais um nome fundamental do hip hop a surgir de Mem Martins, a freguesia mais populosa de Portugal e o último subúrbio da Linha de Sintra antes da serra. Na adolescência, mudou-se com a família para Santo Tirso, na Área Metropolitana do Porto, onde se tornou DJ de música eletrónica.
Mais tarde, já em 2014, seria apresentado por um amigo comum a Fumaxa, produtor e DJ de Mem Martins que na altura acompanhava os concertos de Bispo, outro conterrâneo. Num par de concertos deste rapper no norte, Migz começou a entrosar-se na comitiva. Especialista em som, juntou-se à equipa durante cerca de um ano, ajudando na logística do dia a dia como road manager.
▲ Enquanto produtor, Bruno Ribeiro é mais conhecido por Migz; já Bernardo Mizrahi assina como Ariel
TOMÁS SILVA/OBSERVADOR
Como Fumaxa compunha instrumentais, o processo criativo despertou curiosidade em Migz, que graças ao companheirismo e amizade também começou a produzir batidas. Depois de se ligar a mais um ícone local do rap, Landim, tinha uma rampa de lançamento estabelecida para começar a colaborar com outros artistas, sobretudo do universo hip hop.
Já Ariel cresceu entre Barcelos e Ofir, filho de pais brasileiros. A ligação à música começou aos oito anos, depois de partir uma perna na sequência de um atropelamento. “Tive de ficar com o gesso durante seis meses, tive quase de aprender a andar de novo”, recorda ao Observador. “Não havia smartphones nem nada para me entreter, tinha lá uma guitarra parada em casa e comecei a tocar para passar o tempo. Ganhei o gosto por aquilo. Em Barcelos, tinhas a malta do stoner rock ou a malta do rap, na altura os Quartel 469 e o Cálculo.”
Foi com o rapper e produtor Cálculo que teve as primeiras experiências. Multi-instrumentista e produtor autodidata, começou a ir para estúdio quando tinha apenas 13 ou 14 anos. O primeiro álbum de Cálculo, A Zul, editado há uma década, continha diversos contributos de Ariel. Quando Cálculo começou a tocar com banda, Ariel tornou-se parte da formação ao vivo.
“Quando acabei o secundário, não tinha formação de música, decidi que queria estudar e fui para a Berklee. Estive dois anos em Boston, não acabei o curso e quando voltei a pandemia estourou.” Sabia que queria trabalhar na música, embora não tivesse certezas sobre a função mais adequada. Na altura, começou a gravar versões que publicava no Instagram, canções que se tornaram virais e que lhe deram uma notoriedade surpreendente. Chegou a colaborar com diversos músicos à distância, em pleno confinamento, inclusive com o célebre músico espanhol Pablo Alborán. “Comecei a receber propostas até lá de fora para fazer songwriting para aqui e acolá.”
Foi contratado por uma editora, onde trabalhava com diversos artistas, tanto portugueses como internacionais, o que lhe foi dando “estaleca considerável” enquanto compositor. “Fazia duas ou três sessões por dia de géneros que normalmente não iria fazer… Só queria fazer neo-soul, e o facto de me meterem num ambiente em que tinha de fazer pop ou reggaeton em sessões curtas, foi quase como um bootcamp para aprender a ser rápido, eficaz e ganhar técnica a fazer outras coisas.”
A formação da dupla e a rejeição de fórmulas criativas
Ariel e Migz cruzaram-se pela primeira vez entre 2020 e 2021, quando foram apresentados por um amigo comum, o engenheiro de som José Pedro Janga (que Migz conhecia de Santo Tirso e que se tornou, por seu intermédio, técnico de som de músicos como Bispo e Ivandro). Migz encontrava-se a trabalhar na produção do primeiro álbum de Julinho KSD, Sabi na Sabura (2021), um dos grandes fenómenos de popularidade da música urbana portuguesa dos últimos anos e mais um artista nascido e criado no subúrbio lisboeta de Mem Martins.
“Ele precisava de ajuda para algumas músicas, o Janga recomendou-me e funcionou logo super bem”, recorda Ariel. Estava a ponte feita para que depois colaborassem em temas com Valas ou Fumaxa, mas só começaram mesmo a trabalhar juntos quando Migz foi convocado para produzir o novo álbum de Richie Campbell, Heartbreak & Other Stories (2023) — que até inclui uma faixa instrumental intitulada Migz Interlude.
Por essa altura, Migz já tinha assinado contrato com a Bridgetown, editora e agência co-fundada por Richie Campbell, a maior das independentes em Portugal. Num writing camp organizado para construir o disco, Ariel foi convidado para ser um dos músicos presentes e começou a contribuir para uma série de faixas do álbum que tornar-se-iam êxitos, nomeadamente Let You Go, Love Again, Heartless ou Floating.
Foi Richie Campbell quem sugeriu a formação oficial da dupla, juntando Ariel ao seu leque de artistas na Bridgetown. “Experimentem trabalhar juntos em tudo durante um tempo, a ver como é que corre”, terá dito. O resto está agora à vista.
“Havia géneros musicais que eu estava mais à vontade para fazer e ele não tanto, e vice-versa. No início parecia meio estranho a colaboração em certas coisas, mas depois fomo-nos apercebendo de que há sempre uma mais-valia em termos ouvidos diferentes para a mesma coisa”, explica Ariel. “As coisas foram correndo bem. No início andávamos um bocado às turras porque cada um está habituado a trabalhar sozinho e tem a sua opinião, depois conseguimos arranjar uma maneira de criar consensos.”
▲ "Só se alguma coisa corresse muito mal é que as coisas não iriam acontecer, porque metemos isto à frente de tudo"
TOMÁS SILVA/OBSERVADOR
Desde então, estão juntos todos os dias há quatro anos. “Todas as coisas peculiares que esta indústria traz… Vivemos juntos a parte da música e tudo o resto. É quase uma relação de casamento [risos]”, brinca Ariel.
Enquanto compunham o álbum de Richie Campbell, fizeram uma das canções mais populares da música portuguesa dos últimos anos, Como Tu, single de Bárbara Bandeira com a participação de Ivandro. Assinaram temas para veteranos como Paulo Gonzo, para rappers underground como Lord XIV, para novas fadistas como Beatriz Rosário, para ícones da pop africana como Cubita ou para novatos folk como Miguel Carmona.
“O jogo que o produtor tem de jogar… É algo que funciona para qualquer carreira. Os ‘nãos’ que dizes são tão importantes quanto os ‘sins’. Houve fases em que não estávamos na posição de dizermos muitos ‘não’, mas mesmo assim tentámos sempre que não fosse algo que retirasse a nossa identidade ou credibilidade. Há coisas que fazes porque queres trabalhar com aquele artista, há coisas que tens de ir fazendo para equilibrar a tua carteira.”
A ausência de uma fórmula e de um método criativo específico é a chave para a diversidade sonora que Migz e Ariel têm conseguido alcançar com o seu trabalho. “Todos os artistas têm maneiras diferentes de fazer música e nós temos que nos adaptar ao método deles”, explica Migz. “Entre nós, quando estamos a criar um beat, muitas vezes muda muito a maneira como começamos a fazê-lo. Às vezes fazemos os drums primeiro, ou ele manda-me samples, já houve alturas em que ligámos duas placas para estarmos a criar em simultâneo. Às vezes fazemos sozinhos… Não há nenhuma maneira certa para começar um instrumental, nunca fazemos da mesma maneira. E como trabalhamos com vários artistas, é sempre diferente. Em termos de sonoridades, às vezes vamos de 8 para 80.”
Ainda assim, costuma haver uma certa lógica. Contam que os artistas não têm por hábito apreciar uma ideia inicial “muito elaborada”, então preferem começar com uma base “mais contida” para que exista “liberdade para criar”. O artista explora então como pode usar a sua voz por cima daquele instrumental e começa a escrever uma letra, ou pelo menos as linhas melódicas onde futuramente poderá encaixar palavras. Quando essa parte está concluída, Ariel e Migz acrescentam tudo aquilo que for necessário, de instrumentos a sons digitais, passando pelos diferentes segmentos que um tema pode exigir.
Migz fica encarregue das baterias e percussões, enquanto Ariel trata da parte harmónica, dedicando-se também por vezes ao processamento vocal. Como Ariel toca piano, guitarras ou baixo, Migz praticamente abandonou o método clássico do hip hop de ir recolher samples — afinal, tem ao seu lado uma fonte musical que lhe assegura matéria-prima exclusiva que muitas vezes acende o rastilho para um próximo instrumental.
“Há beats que fazem a música e há beats em que só temos de servir o songwriting. Isso varia consoante a sonoridade e de artista para artista. E há artistas que nos dão mais liberdade do que outros para metermos as coisas mais ao nosso gosto. Mas, no final, como é o artista a representar e a defender a música, também temos que acreditar na sua visão”, explica Ariel.
Embora acumulem dezenas de singles de platina, explicam que o foco no momento da criação não é gerar um hit. “Como produtor é mais importante a tua consistência do que a tua capacidade de fazer hits”, defende Ariel. “Não vamos para estúdio à procura de um hit. Vamos para o estúdio à procura de uma música de que gostemos. Se for um hit, ainda bem. Mas nunca é com esse intuito, de que tem de bater. Porque isso também é inimigo de se fazer algo novo ou de se ser criativo, porque assim vais estar a repetir uma fórmula e se calhar não é isso que o público está à procura. Importante é fazeres algo de que gostes.”
Entre outros, Migz e Ariel aparecem nos créditos de canções de Nininho Vaz Maia, Diogo Piçarra, Agir, Syro, Blaya, Jimmy P, Dengaz, Anselmo Ralph, Diana Lucas, Karyna Gomes ou Yuri NR5. Tanto trabalharam com nomes mais consagrados e populares como com nomes emergentes, como Raissa ou Miguel Carmona.
“Não estamos presos a nenhum género musical. Sabemos fazer tudo e somos ecléticos e abertos para perceber: uma sonoridade que não seja para ti não quer dizer que seja má. Conseguimos ver o lado bom em todos os géneros. Fazer uma canção ao piano não é rocket science. Como consumimos tanta música diferente, conseguimos fazer quase tudo”, conta Ariel. “Há artistas que não sabem o potencial que têm. O nosso papel às vezes também é propor por onde é que o artista pode ir. ‘Eu imagino-te a fazer isto, ‘bora experimentar’. Isso também é o trabalho de um produtor. Nós tentamos fazer isso com todos, só que os que estão a começar têm mais abertura. Quando não tens nada a perder, é muito mais fácil.”
Cada vez mais, têm sido procurados para produzir discos na íntegra, o que implica um envolvimento mais profundo no projeto e a construção de dezenas e dezenas de maquetes e esboços. “É cansativo mas também é recompensador podermos acompanhar a curva dos artistas e perceber que também fazemos parte do projeto e, havendo uma confiança mútua, tentar conseguir algo com esse artista — porque muitas vezes uma grande parte da identidade sónica do artista vem do produtor”, diz Ariel.
Com agenda cheia, dizem que o principal critério para quererem trabalhar com um vocalista é a sua personalidade. “A pessoa pode ser super talentosa, mas se tiver um mau carácter, vai tirar-nos a vontade. Se for um projeto de longa duração, provavelmente vamo-nos chatear. É que tens de estar praticamente um ano numa sala com essa pessoa”, argumenta Migz. “Depois, claro que ligamos à sonoridade ou se a visão do projeto se enquadra na nossa sonoridade.”
Objetivo assumido: a internacionalização
Embora ainda existam artistas em Portugal com quem desejam colaborar e que gostavam de incluir nos seus currículos, Ariel e Migz estão de horizontes alargados e de olhos postos num mercado internacional.
“O nosso plano é a internacionalização, é trabalhar fora de Portugal. Apesar de gostarmos muito das pessoas com quem trabalhamos, o mercado aqui tem um teto”, defende Ariel. “Queremos ter alguns projetos de que gostamos de trabalhar aqui, mas cada vez passar mais tempo fora de Portugal. Um produtor é muito mais exportável do que um artista. O nosso teto é muito maior, isso também nos dá uma certa motivação. Mas isto não é uma meritocracia, de quem é que faz melhor. É uma junção de coisas, tem a ver com o teu networking e a tua capacidade de aproveitares a oportunidade. O trabalho mais difícil não é a parte da música, isso para nós é a parte fácil e divertida; o desafio é o resto, conseguir chegar aos artistas e às sessões. Agora, se estamos numa sala com alguém do nosso interesse, temos de estar prontos e fazer o nosso trabalho bem feito, porque as oportunidades são poucas e, quando as tens, tens de saber aproveitá-las da melhor maneira.”
▲ Como Ariel (em pé) toca piano, guitarras ou baixo, Migz praticamente abandonou o método clássico do hip hop de recolha samples — afinal, tem a seu lado uma fonte musical que lhe assegura matéria-prima
TOMÁS SILVA/OBSERVADOR
No último ano, estiveram a trabalhar por diversas semanas em Espanha, como forma de “plantar sementes” num mercado significativamente maior e numa língua com um poder global. “Queremos trabalhar muito lá e talvez conseguir alguma coisa naquele mercado para irmos para a parte latina dos Estados Unidos, Miami ou Los Angeles”, explica Migz.
Já fizeram alguns trabalhos noutros países, colaborando com o nigeriano Kel-P ou com artistas brasileiros, mas o foco está, por enquanto, na Europa. “Temos mercados na Europa bastante interessantes que se calhar estão menos saturados e que funcionam de uma maneira mais próxima àquilo a que estamos habituados em Portugal, por isso talvez faça mais sentido para nós começar aí, em vez de estar a ir para outro continente só porque a língua é igual.”
Agenda cheia e o objetivo (difícil) de concretizar um álbum em nome próprio
Antes de ser um profissional da música, Migz trabalhou como operador de logística num armazém do Lidl, além de ter produzido bobinas de cabos elétricos numa outra empresa. Já Ariel era professor de surf. Embora ambos vivam hoje do trabalho que fazem na música, sublinham que é mais difícil para um produtor, para quem faz o trabalho invisível por trás dos êxitos.
“Não temos um mercado muito grande e, financeiramente, para os produtores, é uma indústria chata nalgumas coisas”, assume Migz. Ariel acrescenta: “Se tivéssemos um mercado maior, fazer um ou dois álbuns por ano seria suficiente para estarmos confortáveis e não dispendermos de imensa energia. Aqui sentimos que temos de estar sempre a fazer coisas para estarmos OK, isso é que às vezes pode ser um bocado esgotante”. Migz remata: “Mas não nos queixamos, estamos numa fase em que não dá para aceitar mais nada”.
Embora estejam a traçar um trajeto meteórico em tão pouco tempo, Ariel nunca duvidou de que iriam conseguir concretizar as suas ambições. “Sei do talento que temos e do número de horas que investimos nisto. Só se alguma coisa corresse muito mal é que as coisas não iriam acontecer, porque metemos isto à frente de tudo. Quem trabalha nisto sabe os sacrifícios da tua vida que tens de fazer para isto acontecer. Não são só as muitas horas, é a obsessão por fazeres isto. Se não me pagassem, eu fazia isto na mesma. Eu nunca pensei que haveria um plano B. E quando tens isso na cabeça, vais sempre fazer tudo para as cenas correrem o melhor possível. Vais sacrificar horas de sono, por vezes relações, mas quem trabalha nesta indústria percebe do que estamos a falar. Não estamos à procura do mediatismo do público geral, para nos pararem na rua para tirarem fotos connosco. Não é isso que queremos. É mais importante para quem está dentro da indústria saber. O mais importante para mim é o artista com quem trabalhamos reconhecer a dedicação e o trabalho que metemos naquilo.”
Outro mercado em que também já se envolveram é na composição de trilhas sonoras, tendo já assinado trabalhos para uma série da Opto, plataforma de streaming da SIC, para a Federação Portuguesa de Futebol e para um videojogo norte-americano.
Em cima da mesa está o objetivo de os dois fazerem um projeto em nome próprio, colaborando com rappers ou cantores. “Temos esse objetivo, mas sinto que há uma dificuldade muito grande em isso se concretizar”, admite Migz. “Num projeto em nome próprio não podes ser só produtor. Tens de ser manager, A&R e tudo e mais alguma coisa. Tens de estar em contactos, chamar os artistas, organizar sessões, ver se os artistas estão dispostos a colaborar com outros, há uma densidade de trabalho que não é só produzir uma música. Existem outras vertentes da indústria que muitas vezes nem temos paciência para fazer, por isso acho que, para nós, enquanto dupla, seria difícil lançar produções em nome próprio. Mas temos esse objetivo. Ainda não conseguimos começar porque temos agenda cheia. Como nos dedicamos ao mesmo tempo a vários projetos e artistas, é muito difícil termos 100% do tempo dedicado a um projeto nosso. Acho que será a grande dificuldade.”
Tanto estão abertos para um disco de produtor para o qual convidariam uma série de artistas como poderiam aliar-se a um só rapper ou cantor para um disco colaborativo apresentado como um projeto a três. Enquanto isso não acontece, expandem-se internacionalmente e continuam a moldar de forma exponencial o som da música urbana portuguesa.