Desde 1 de setembro que Alexandre Pascoal é o novo diretor do Arquipélago — Centro de Artes Contemporâneas, instituição sediada na Ribeira Grande, ilha de São Miguel, Açores. Com mais de 9000 metros quadrados, é a maior infra-estrutura de arte contemporânea da região.
O sucessor de João Mourão (que abandonou funções em janeiro de 2024), chegou na sequência de um concurso público aberto em dezembro de 2023, e que motivou disputas judiciais com o Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), após Pascoal ter sido excluído do concurso por não ser funcionário público, uma decisão revertida pelos tribunais em duas instâncias.
Alexandre Pascoal, licenciado em Sociologia, foi presidente do conselho de administração do Teatro Micaelense (2011-2022), deputado regional do Partido Socialista (2008-2011) e adjunto do então ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva (2022-2024).
Na primeira grande entrevista, o diretor do Arquipélago fala pela primeira vez sobre a atribulada chegada à direção do equipamento, descartando qualquer interferência política, e justificando-a com uma “questão de interpretação da lei”. Desvenda, também, as suas ambições para o centro de artes: mais público, mais apoio à comunidade artística local e uma verdadeira política de aquisições para a coleção de arte contemporânea da região. No ano em que o centro de artes completa 10 anos — foi inaugurado em 2015 pelo Governo Regional, no ano em que chegaram os voos low cost aos Açores — Pascoal ambiciona “abrir o Arquipélago o mais possível” e converter aqueles para quem “contemporânea ainda é uma palavra estranha”.
Chegou há um mês. O que definiu como prioritário?
O edifício e a equipa não me eram estranhos, conhecia já muito bem porque estive envolvido no arranque do Arquipélago há 10 anos. Entrei num momento de enorme azáfama por razões externas ao Arquipélago, houve um atraso na programação, na calendarização, e tivemos este mês de setembro em sucessivas inaugurações. Toda a equipa tem estado muito atarefada e não sendo uma equipa muito extensa, tem sido um mês de profunda observação. Tenho participado ativamente no acompanhamento da atividade, mas ainda muito como papel de espectador ou de observador das dinâmicas internas.
HUGO MOREIRA/OBSERVADOR
A azáfama foi provocada pelo hiato de mais de um ano que existiu desde a saída o anterior diretor, João Mourão, até à sua chegada?
Não. Pela exposição que ocupa agora a principal área expositiva do Arquipélago, que é uma grande exposição da artista Lourdes Castro, uma parceria que temos com o MUDAS [Museu de Arte Contemporânea] da Madeira e que depois irá ser apresentada em Lisboa na Sociedade Nacional de Belas-Artes. É uma exposição que teve três datas de inauguração, era para ter sido inaugurada em março, foi apenas inaugurada agora em setembro…
Porquê?
Teve a ver com questões de financiamento, orçamentais da Madeira e do MUDAS, o que atrasou, infelizmente, todo esse processo. Há aqui um enorme investimento de todos, mas sobretudo da Madeira, é uma exposição extensa e, infelizmente, todas as questões logísticas são muito morosas e complicadas. Toda a atividade teve de ser ajustada a um novo calendário.
Falando de atrasos, a sua chegada ao Arquipélago também foi sendo arrastada. É conhecido que o processo passou por disputas judiciais com o Governo dos Açores. Considera que houve interferência política na escolha para este cargo?
Espero que não, não vejo as coisas dessa perspetiva. É um concurso e, portanto, o que está aqui em causa é um concurso. Foi apenas uma questão de interpretação da lei, uma leitura estrita do concurso ou da lei tal como ela existe. A única questão tinha a ver com o vínculo de origem, que não era entendido como válido para aceder ao concurso. Recorri e acabei por ter razão nesse processo. O que esteve aqui em causa foi a minha possibilidade de poder concorrer, a admissibilidade ao concurso. Não teve a ver com o concurso em si. Acabei por, de facto, ficar em primeiro lugar no concurso, mas confesso que concorri sem qualquer tipo de expectativa. O que esteve aqui em disputa foi apenas a minha admissibilidade ao concurso, não o desfecho.
O tribunal deu-lhe razão por duas vezes.
Sim. Foi uma decisão que o Tribunal tomou que, no fundo, põe em causa dezenas de anos de interpretação da lei. Portanto, coloca em causa todo o histórico dos concursos públicos da Administração Pública e Regional. Penso que seria normal [o Governo ter recorrido], eu também teria recorrido. O Governo fez o que achou que faria melhor. Defendeu o seu papel e eu defendi o meu.
Acha portanto que não existiu qualquer desconforto por se tratar de um Governo PSD/CDS-PP/PPM e o Alexandre ter sido adjunto do último Ministro da Cultura socialista, Pedro Adão e Silva.
Não me parece que tenha sido nada desse tipo. Aliás, porque tenho uma ligação ao Partido Socialista dos Açores antes de sequer ter estado a trabalhar com Pedro Adão e Silva. Tenho um histórico também pessoal.
HUGO MOREIRA/OBSERVADOR
É verdade, a sua carreira tem passado tanto pela política como pela gestão cultural. Era deputado regional eleito pelo PS quando se tornou presidente da administração do Teatro Micaelense. Como é que vê a relação entre estas duas áreas e até que ponto a política pesa ou interfere nas decisões de programação artística?
Acho que não deve pesar de todo. Sempre tive um papel muito ativo em termos públicos, de participação cívica. Fui convidado para deputado como independente, mas já tinha, de facto, um percurso na área cultural. Nunca deixei de fazer as duas coisas, sempre participei ativamente em termos cívicos. Escrevo na imprensa regional há dezenas de anos, tomo posição sobre vários assuntos. Gosto de participar ativamente em termos cívicos e políticos. Já participei mais, é um facto, mas, de qualquer forma, a minha experiência é neste setor.
Defendo a independência do poder político da gestão cultural e artística. Acredito na independência que deve existir no desempenho de um cargo destes, sendo que é sempre um cargo político porque a nossa ação é política, quer queiramos quer não. Em qualquer decisão artística assumimos também uma posição política, é inevitável. Uma parte significativa das instituições culturais e os artistas têm, neste momento, tomado inúmeras posições políticas. Não é algo que seja totalmente novo.
Esse posicionamento político de que fala como inevitável, das próprias instituições, da ação que fazem, é mais fácil ou mais difícil quando se está num ambiente insular?
Nos Açores é difícil… É difícil em qualquer circunstância, mas obviamente, meios como o nosso, são muito pequenos, todos nos conhecemos… A tomada de posição… Aliás, por regra, o que existe é uma não tomada de posição. Muitas vezes as pessoas não se querem comprometer com rigorosamente nada, não há uma tomada de posição muito concreta. Isso é um problema.
Não deixa de ser um paradoxo, nos tempos atuais, em que temos mais mecanismos de participação pública e cívica, e, às vezes, o que existe é um fenómeno global de desinformação, de ignorância. Mais informação circular não significa que haja, de facto, uma participação mais informada e mais esclarecida. São os tempos que vivemos. De qualquer forma, aqui nos Açores não estou a dizer que haja qualquer tipo de censura.
Há uma autocensura?
Sim, o que sinto é, às vezes, que existe exatamente isso. Vivemos numa sociedade que nos quer regular de alguma forma, ou nos quer encaixar num determinado parâmetro. É algo que não é novo nos Açores. Até meados dos anos 90 só tivemos um canal de televisão, praticamente uma única rádio. A informação não fluía da forma como hoje em dia flui. Portanto, o acesso à informação hoje em dia é um dado adquirido. Quem quer ser esclarecido procura os meios que estão ao nosso dispor. Essa questão não se põe agora.
Obviamente, quando o Estado, seja municipal ou governamental, é o principal empregador, a economia é frágil. Ao contrário da Madeira somos nove ilhas com nove realidades muito distintas. Sinto que quando falamos dos Açores não há bem essa noção dos constrangimentos que existem numa região como a nossa. São muitíssimos. Nem falo de São Miguel, porque é uma realidade completamente distinta e representa mais de 50% da população, 70% da economia. Mas há ilhas onde há 60 quilómetros quadrados e 4 mil pessoas. Há constrangimentos a vários níveis. O desafio hoje em dia destas comunidades mais pequenas é combater o envelhecimento e a fixação da população. Os Açores não são uma única realidade, são muitas realidades. Mesmo dentro da própria ilha, temos múltiplas dimensões. É uma das realidades com a qual tenho de lidar aqui no Arquipélago, por exemplo.
De que forma?
Não podemos falar de um único público. Há muitos públicos. Ainda mais estando num espaço periférico, em que não estou no centro de Ponta Delgada, estou na Ribeira Grande, na segunda cidade da ilha, com uma forte componente económica. É uma cidade, mas é um meio profundamente rural, tal como Ponta Delgada. Aqui as dinâmicas de públicos têm que ser vistas de forma diferente. Não posso ter uma linguagem única, assumindo que todos vão interpretar a nossa mensagem, comunicação, programação da mesma forma. Este é um aspeto que gostaria de trabalhar: a maior proximidade com a comunidade local, não perdendo o foco de todas as outras que existem, nomeadamente o posicionamento do Arquipélago no panorama nacional, tentando estender a nossa ação para fora da região, através de redes internacionais, também como forma de financiamento. Mas num espaço como este o que pretendemos é apoiar a crescente profissionalização da atividade cultural no arquipélago e fazer com que os artistas locais possam circular, quer internamente na região, quer para fora da região. Esse é o grande aspeto que queremos trabalhar.
Como é o público que visita o centro? Há uma certa ideia de que o Arquipélago é uma ilha dentro da ilha, ou há público local?
50% do público, ou mais, nesta fase, é público externo à ilha. Portanto, são visitantes, são turistas a maior parte deles. Não vejo isso como um bom indicador. Julgo que a ação deste espaço é sobretudo para os residentes. Os turistas serão um público flutuante, é bem-vindo, obviamente, mas a missão deste espaço é, sobretudo, para aqueles que aqui vivem, para a dinamização da comunidade local.
Olho para a cultura como um meio de contribuir ativamente para uma sociedade melhor, mais esclarecida, mais atenta a contribuir para a educação. Não digo isto numa perspetiva paternalista, mas no meio onde estamos a viver nem toda a gente tem acesso a uma visita a um museu ou se confronta com este tipo de espaços. Talvez o primeiro embate com uma linguagem, com alguma programação ou artistas tenha de ser feito aqui.
Não estou preocupado com aqueles que vêm. Estou preocupado com os que não vêm. Os que vêm já estão familiarizados com a nossa atividade e isso é ótimo. É um público fidelizado, mas que ainda é reduzido. A intenção é ampliar estes círculos de participação.
O que o levou a candidatar-se?
O desafio. Sou pouco dado a rotinas. Tenho um percurso no Teatro Micaelense, gosto muito do que fazia, mas achei que tinha atingido os meus objetivos e que com as condições que existiam era-me difícil fazer muito mais. E, portanto, quando abriu esta possibilidade, achei que seria um bom desafio. Porque é difícil, porque é diferente. É um espaço multifacetado: não é um museu, mas acaba por cumprir também esse papel. É um espaço de residências artísticas, tem um centro documental, tem uma black box, um espaço para as artes performativas, que tanto pode ser de apresentação como laboratório. O Arquipélago tem à sua guarda o acervo da arte contemporânea da região. É outro aspeto que gostaríamos de retomar, o desenvolvimento da coleção da arte contemporânea da região.
Diz retomar porque esse processo foi interrompido?
Retomar numa perspetiva mais concreta e consistente. Gostaria de implementar um modelo de tal como existe com a coleção de arte do Estado, obviamente à nossa escala. Não quero escolher obras de arte, mas ter alguém que o faça, tendo por base uma missão, com um orçamento definido. Ter aqui uma comissão.
No fundo, ter uma verdadeira política de aquisições?
Sim, uma política de aquisições consistente. Isso tem existido de forma intermitente. Queria, de facto, garantir que isso fosse contínuo.
Trata-se de um espólio de quantas peças?
Algumas dezenas. Este é um projeto que nasceu em 2008, já teve vários capítulos, vários intervenientes. Não é uma linha contínua, há aqui muitas ruturas a meio e diferentes linguagens. De qualquer forma, ela também tem um foco intrinsecamente regional, mas também tem aspetos internacionais. Neste momento temos alguns contactos de algumas pessoas que querem também doar ou fazer comodatos de coleções privadas… Portanto, há aqui vários desafios com os quais nos confrontaram.
Há algum acordo de cedência ou comodato que já possa avançar?
Não posso ainda. Mas mal cheguei tinha aqui uma boa proposta para pensar. Até a incorporação de uma coleção privada no acervo público aqui na região é um dado novo, pelo menos com a dimensão desta que se perspetiva. Isso também nos coloca alguns desafios no seu acolhimento, preservação, estudo, tudo isso. É mais um desafio a juntar a tudo.
O Arquipélago faz dez anos em 2025. Se tivesse de sonhar alto, que projeto é que gostaria de ver acontecer durante o seu mandato?
Muitos. Mas esta exposição da Lourdes Castro é um bom exemplo daquilo que gostaríamos de fazer no futuro. Pertencermos a um roteiro nacional de grandes exposições de grandes artistas. Muitas vezes é a primeira vez que este tipo de exposições ou de artistas chegam à região ou que há condições para as acolher. Obviamente, é um enorme esforço e um desafio, no nosso caso, logístico. Não há um parceiro aqui ao lado que nos possa auxiliar em equipamento ou recursos humanos. Isso é um aspeto insular: temos que ser muito autosuficientes. Há uma capacidade enorme da equipa de polivalência nesse aspeto para responder a tudo aquilo que nos é exigido. Mas a minha ação é de ambição, gostaria de poder ter aqui um conjunto amplo de exposições e de artistas, obviamente. A minha missão principal é fazer com que este espaço não seja… questionado.
Não quer ser questionado?
Não ser questionado na perspetiva em que a palavra contemporânea ainda é uma palavra estranha. Às vezes não é entendida da melhor forma. Há um desconhecimento enorme ainda sobre o que fazemos. Há um caminho importante também pedagógico a fazer sobre o que aqui fazemos. Quando falava nesta dimensão dos públicos falava de ter atenção de todos aqueles que habitam esta ilha, por exemplo, e que não conhecem este espaço. E são muitos. Os turistas vêm, obviamente, é natural visitar um espaço como este em férias. Num dia de chuva em São Miguel somos a alternativa! Não queremos ser apenas isso. O edifício também é imponente e temos um público frequente. Sobretudo alunos de arquitetura, múltiplos arquitetos são frequentadores habituais do espaço. Mais até do que o projeto artístico, o edifício só por si é um chamariz, uma referência. Também foi finalista e ganhou vários prémios nesse âmbito.
Mas quem o idealizou aqui na Ribeira Grande escolheu criar um espaço não no centro, mas numa periferia. Isso também é um aspeto importante: criar um novo centro na periferia. Ser ele próprio um motor de desenvolvimento fora do centro. É importante não ser apenas um serviço de promoção cultural da Direção Regional da Cultura dos Açores, sediado na Ribeira Grande. Ter, efetivamente, dimensão regional. Ter uma ação que percorra as nove ilhas. É um dos aspetos que falta sedimentar. Vai sempre bater no mesmo plano, que é a questão orçamental e os desafios que esta descontinuidade geográfica nos traz e que também urge ultrapassar.
HUGO MOREIRA/OBSERVADOR
O Arquipélago é financiado pelo Governo Regional, através da Direção Regional da Cultura. Qual é atualmente a verba?
Temos um orçamento de programação de 150 mil euros. Não é muito.
Diminuiu, em 2021 era de 170 mil.
Sim, já foi superior. O que temos é um acréscimo, por via da nossa participação na Rede Portuguesa de Arte Contemporânea [RPAC], que é uma excelente notícia. Faltam é outras redes de financiamento europeu, donativos e mecenatos. Temos que trabalhar aqui um conjunto de financiamentos.
Qual é o valor desse apoio da RPAC?
O valor de comparticipação da participação é de cerca de 80 mil euros neste ciclo de apoio, para a participação em 4 projectos distintos. Terminam agora e haverá um novo ciclo de candidaturas. É uma rede que tem cerca de 60 entidades, na Madeira existem duas ou três entidades, nos Açores existem duas. O Arquipélago e uma galeria de arte contemporânea que pertence ao Museu de Angra do Heroísmo. Estas são redes financiadas pela DGArtes e pelo Ministério da Cultura.
Este financiamento é fundamental porque aqui, nos Açores, à semelhança do país, o turismo passou a ser o motor fundamental em termos económicos. Mas para quem faz o que fazemos trazer artistas a hotéis e tudo passou a ter um valor estratosférico. É caro vir aos Açores neste momento. É bom para quem trabalha no turismo, mas causa-nos alguns transtornos. Em algumas épocas do ano é praticamente proibitivo fazer residências artísticas ou qualquer coisa semelhante, transportar grandes equipas. Tudo isso passou a ser um fator de limitação.
Enquanto administrador do Teatro Micaelense chegou a dizer que a receita pagava a programação [Açoriano Oriental, 2016]. No caso de um centro de arte contemporânea, deve haver esse equilíbrio entre receitas próprias e financiamento público ou não tem essa preocupação com a autosustentabilidade?
A diferença aqui é que o teatro é uma empresa pública e, portanto, a personalidade jurídica assim o obrigava. Fui imensamente criticado nessa entrevista. Alguém na cultura que dê de lucro é visto como estranho. Mas, de qualquer forma, o teatro foi forçado a adaptar-se na anterior crise de 2008-2012, o teatro sofreu um corte de financiamento e foi necessário adaptar toda a estrutura e atividade.
Essa componente era de facto diferente daquela que aqui tenho. Não estou tão focado [na receita], mas é importante ter um equilíbrio. Gosto de sonhar. Há pouco perguntava-me o que gostava de fazer, há coisas que gostaria de fazer, mas tenho de perceber primeiro se há um racional financeiro para poder avançar. Sem isso não faz sentido fazê-lo. Tenho de ter um grande patrocinador ou mecenas que permita fazer certas coisas. Não posso tomar apenas a decisão com base nos números que tenho que já sei que não são suficientes.
Aqui, tal como na área dos espetáculos, o que é programado faz a diferença. Um grande artista, um grande nome, traz público. A minha intenção é fazer isso para poder justificar um conjunto de outras ações de maior risco. Tem de haver uma base de sustentação de público que me permita fazer uma programação mais arriscada. O equilíbrio financeiro é uma questão de bom senso e boa gestão da coisa pública. Parece um cliché, mas é isso. Não vou entrar em megalomanias.
Creio que foi o diretor do Museu de Serralves que em tempos disse que havia esta necessidade de ter algumas exposições-blockbuster [Expresso, 2019].
Sim, ainda para mais Serralves, que tem uma grande participação de mecenas, precisam de justificar, precisam de números. O “Serralves em Festa” dá exatamente isso, a garantia de que há público.
O Arquipélago não precisa de números?
Precisa e precisa de mecenas e iniciativas como essa: de uma grande dimensão popular, mas ao mesmo tempo com uma programação muito exigente, ou quase de iniciação à arte contemporânea. A minha intenção é exatamente abrir o Arquipélago o mais possível. É uma necessidade.