Uma das primeiras polémicas que chegou às manchetes dos jornais foi a suposta luta entre André e Harry, que o duque de Sussex já veio desmentir, ameaçando o autor do livro com um processo legal. Depois vieram as várias revelações relacionadas com o caso Epstein — numa altura em que muito se fala sobre as alegadas conexões a Donald Trump. Um tema que o autor da mais recente biografia dos duques de Iorque garante ao Observador que vai ter novos desenvolvimentos, já que diz ter recebido informações extra nas últimas duas semanas — que serão incluídas numa nova edição em breve. Em Entitled: The Rise and Fall of the House of York, lançado esta quinta-feira, 14 de agosto, Andrew Lownie vai ao pormenor nas extravagâncias do príncipe André em viagens oficiais como representante especial de comércio britânico, como os abusos na contratação de jatos e helicópteros privados; dá detalhes sobre as alegadas comissões irregulares que o príncipe terá recebido na iniciativa Pitch@Palace; aborda as ligações suspeitas com um suposto espião chinês, um traficante de armas líbio ou o Presidente do Cazaquistão; e volta a expôr os negócios associados à ex-mulher, Sarah Ferguson. O livro traz ainda os relatos de antigos funcionários que descrevem um príncipe arrogante e que maltrata os trabalhadores; e detalhes bastante específicos sobre a vida sexual de André, como a idade com que terá perdido a virgindade ou os lenços de papel usados que as empregadas de limpeza eram obrigadas a recolher da sua cama. O biógrafo considera que estes pormenores dão “uma perceção do seu caráter”, formado depois de uma infância “sem limites e disciplina”.
Depois da experiência como jornalista no The Times, Telegraph, Wall Street Journal, Spectator e The Guardian, o historiador Andrew Lownie passou a dedicar-se às biografias, tendo publicado em 2019 um livro sobre os Mountbatten e em 2021 sobre o exílio dos duques de Windsor. Foi há quatro anos que Lownie começou a escrever a biografia dos duques de Iorque. “Achei que havia uma boa história e ainda não havia um livro sobre eles. Também já havia uma associação ao caso Epstein e o tema sobre o abuso da posição de realeza. E havia uma pergunta interessante sobre como eles ainda estavam a viver juntos mesmo divorciados“, justifica em entrevista ao Observador. Três mil pessoas foram contactadas, mas apenas 300 aceitaram falar. Para Lownie, criou-se uma fortaleza em redor de André, das quais participam as autoridades e instituições britânicas que não o investigam, e a imprensa, que não publica todas as suas histórias. Com Entitled, o historiador afirma pretender quebrar este ciclo.
▲ A capa da edição original. O autor promete uma versão revista e aumentada para breve.
Teve acesso a informações muito íntimas sobre a família real. Qual é a sua relação com a realeza?
Bem, não tenho uma relação. Eu não confio, como a maioria dos jornalistas reais, nos relatórios da comunicação do palácio. Faço a minha própria pesquisa, bastante independente, muitas vezes contra obstáculos que podem colocar no meu caminho. E então encontro outras pessoas para falar, para que possa ter a verdadeira história, não a história que eles querem retratar. Não me movo nesses círculos. As fontes com quem falei para este livro foram amigos de escola, funcionários, colegas, jornalistas cujas histórias não tinham conseguido escrever. Então, não, eu não confio nas fontes reais.
André é provavelmente a personagem mais controversa da família real atualmente. O que resta saber sobre ele?
Bem, acho que o que colocamos no livro. Que é um viciado em sexo, financeiramente corrupto, um embaraço para a família. E a sua ex-mulher é igual.
Como aborda as fontes para falar de tópicos tão sensíveis?
Abordei 3 mil pessoas, e 2.700 não responderam ou disseram não. Mas com os outros 300 foi preciso construir uma relação de confiança. As pessoas têm que sentir que o seu material será guardado confidencialmente, ou que vai ser reportado de uma forma rigorosa, e que o livro é um livro sério, como este. É algo diferente de muitos livros reais, que dependem de cortes de imprensa e de poucas fontes. Este tem muitas e muitas fontes.
Há muitos episódios nunca antes revelados no seu livro. Conseguiu verificar tudo? Acredita em tudo o que as suas fontes disseram?
Bem, é difícil. Nós tentámos verificar tudo. Sim, das fontes com quem falei, o que me disseram tem sido confirmado. Não há razão para me mentirem. E, obviamente, verifico com outras das minhas fontes para confirmar o que eles me disseram. E é assinado, de facto, para que os advogados estejam felizes. É um material confiável.
▲ Andrew Lownie é o autor de outros livros sobre a realeza, como a biografia dos Mountbatten em 2019 e os duques de Windsor em 2021
www.NickGreganPhotography.co.uk
“Verdadeiro escândalo de André é financeiro”
No começo do livro descreve um pouco da infância de André e diz que foi criado sem limites ou disciplina. Esta educação poderá explicar as diferenças no seu comportamento em comparação com os irmãos?
Sim. André foi criado de forma muito diferente. Havia muita pressão sobre Carlos, porque era o herdeiro e tinha 12 anos a mais. A Rainha tornou-se Rainha quando ele era um garoto, e acho que não tinha muito tempo para o filho. Teve depois mais tempo para o André, com quem sempre teve uma ligação muito forte. Fazia-a rir, era atrevido, a Rainha mimou-o. E foi, na verdade, um filho único durante os primeiros quatro anos da sua vida. Sim, acho que esse foi o problema. Ninguém lhe disse que não, ninguém o disciplinou, e André sentiu que se podia safar com o mau comportamento. E isso continuou até hoje.
O livro oferece muitos detalhes sobre incidentes sexuais, mas mencionou anteriormente que o verdadeiro escândalo de André é financeiro. Por que diz isso?
Acho que esse é um assunto importante, porque, em alguns aspetos, quando deixou de trabalhar como membro da realeza a sua vida privada passou a ser menos importante. Mas nós pagamos pela nossa família real, partindo do princípio de que eles são completamente honestos e que não usam as suas posições privilegiadas para os seus próprios ganhos pessoais, especialmente ganhos financeiros. E ele abusa dessa confiança. Tenho inúmeros exemplos em que usa posições públicas para fazer dinheiro, particularmente quando era um representante especial de comércio e negócios, quando trouxe os seus próprios amigos de negócios para as viagens oficiais. Também criou algo chamado Pitch@Palace, que era para juntar empreendedores e investidores, e ficou com uma comissão de 2% sobre o dinheiro dos investimentos, que é contra as regras. E isso foi algo que foi apoiado pela Rainha, em palácios reais e era suposto ser uma iniciativa de caridade. Temos também exemplos de André a trabalhar com o Presidente do Cazaquistão e com o Presidente do Azerbaijão em negócios, e a assegurar uma comissão de novo. Nada a ver com o seu trabalho para promover os negócios britânicos. E temos vários casos em tribunais em que pagamentos extraordinários foram feitos e ele não explica o motivo. Acho que há argumentos fortes para ser investigado pelas autoridades.
Atendendo a todas estas alegações, por que é que André nunca foi formalmente investigado, mais escrutinado?
Bem, algumas dessas acusações não são novas, mas no nosso país ninguém iria sonhar em investigar um membro da família real, e isso é o que é tão chocante, e é o que espero mudar, que possa haver uma investigação contra ele.
Descreve, por exemplo, os gastos em aviões privados e helicópteros. André gastou mais do que outros membro da família real em compromissos oficiais?
Sim, muito mais do que qualquer outro. Quando outros apanhavam comboios, ele usava helicópteros. Acho que nunca viajou de comboio. Essa foi a grande preocupação, que estava a gastar dinheiro público, geralmente para trajetos muito curtos, só porque não queria demorar um pouco mais de tempo ou não queria a inconveniência de usar carros ou comboios.
Considerando que André já foi afastado das suas funções oficiais na família real, de onde vem o seu dinheiro atualmente?
Herdou dinheiro através de fundos fiduciários e ainda está a fazer dinheiro. Ganhou dinheiro através do Pitch@Palace, através desta comissão de 2%. Estava muito ativo na China, com o alegado espião Yang Tengbo, e sabemos os valores que foram transferidos para as suas contas do Pitch@Palace. Temos só a ponta do iceberg dos negócios que André tinha, mas com comissões muito grandes. Ouvi falar de 5 milhões de dólares numa mala. Não está a precisar de dinheiro.
Depois de lerem este livro, é possível que surjam alguns críticas do público sobre os detalhes excessivos de alguns encontros sexuais. Considera que era necessário revelar pormenores tão íntimos e escandalosos?
Sim, porque algumas dessas atividades sexuais estavam [associadas a compromissos já por si divulgados] na imprensa. Por exemplo, quando estava a sair com prostitutas na Tailândia, encontrava-se numa viagem a representar a Rainha e o público britânico. Portanto, eu não acho que seja uma questão privada. Mas também nos dá uma perceção do seu caráter, que é o ponto chave. E ele é uma figura pública. Estas não são atividades sexuais normais, alguns desses episódios são bastante maus. Acho que é um jogo justo.
Novas revelações no caso Epstein devem resultar em reedição
Qual é a sua opinião sobre os documentos do caso Epstein? Acha que escondem dados que podem mudar a opinião pública sobre o caso?
Acho que estavam cheios de referências a Trump, mas todas já foram retiradas. Acho que haverá algumas revelações se forem tornados públicos. Mas ainda não estou convencido que o serão. Mas sim, é claro, haverá alguns bodes expiatórios que serão oferecidos como vítimas sacrificiais.
▲ Melania Trump, Prince Andrew, Gwendolyn Beck e Jeffrey Epstein numa festa no Mar-a-Lago club, em Palm Beach, em fevereiro de 2000
Davidoff Studios/Getty Images
Também mencionou no livro uma relação romântica entre André e Ghislaine Maxwell. Quão forte é a evidência de que os dois estiveram envolvidos?
Há duas fontes que me disseram isto. Uma é uma amiga de Ghislaine e a outra é o polícia que costumava levá-la ao Palácio durante a noite. Temos evidências em peças de jornais dos dois a serem vistos de mãos dadas em restaurantes. Embora se conhecessem desde os anos 1980, essa relação parece ter sido entre 1999 e 2000. Uma das coisas que descobri foi que Epstein gostou da ideia de a sua namorada também dormir com André.
Acredita que Ghislaine Maxwell está a proteger André agora?
Não acho que vá dizer nada negativo sobre André. Terá outras pessoas sobre quem falar, mas acho que o protegerá a ele.
Um dos casos mais falados devido à exposição foi o de Virginia Giuffre. No livro, escreve que André a escolheu previamente através de um catálogo. Acha que ele sabia, por exemplo, que ela era menor de idade?
Não sei, mas certamente esses catálogos foram recolhidos pelo FBI. Investigadores encontraram referências a esses livros passados entre homens na ilha. E soube que foi assim que Virginia Giuffre foi levada até ele. André escolheu-a. Por que motivo ela a escolheu, e se sabia quão jovem ela era, isso não sei.
Há e-mails entre o príncipe, Ghislaine e Epstein e André foi até fotografado com Virginia Giuffre. Por que acha que o príncipe permitiu ser fotografado com ela, por exemplo?
Acho que não pensou que a história iria ser publicada. Pessoas como Virginia Giuffre foram pagas e forçadas a assinar acordos de confidencialidade, nunca se esperava [que chegasse aos jornais]. Isso só surgiu por causa de uma deposição legal. Acho que pensou que estava seguro. Pensou que se essas histórias surgissem, poderiam ser negadas, e continuam a ser negadas até hoje, e as pessoas iriam confiar nele em vez de confiarem em alguém como Virginia Giuffre. Mas há muitas provas no livro sobre o facto de [André] estar com Virginia Giuffre, tanto em Londres quanto na ilha. Há várias provas em correspondência de e-mail entre ele e Ghislaine a discutirem como iriam derrubar Giuffre no seu caso. Os registos estão lá, ele só tentou encobri-los.
Também fala da visita de André ao apartamento de Epstein em Nova Iorque em 2010. O que acha que motivou esta visita?
Foi lá não para dizer adeus, mas para receber mais dinheiro de Epstein para Fergie, para pagar as suas dívidas. Acho que também estava preocupado que Epstein pudesse tentar chantageá-lo, e acho que quis assegurar que não o fizesse. E estava a fazer negócios, havia um acordo com uma empresa petrolífera, a Cazenove, que estava em curso e queria discutir isso.
Considera que as novas alegações presentes no seu livro também podem trazer novos elementos para o caso e mudar o desfecho para o príncipe?
Sim, as pessoas estão a dar-me mais e mais informação nas últimas duas semanas. O que se fez foi encorajar as pessoas a falar, ou saber onde vir ter para falar. Estou a reunir muito material para uma reedição, baseada nas novas revelações, e tenho que dizer que nenhuma é muito elogiosa.
Então tem mais informação agora que do que quando escreveu o livro?
Sim, e ainda não vendemos a tradução em português, possivelmente a tradução em português terá esse novo material. O plano é passar um mês ou mais adicionando o novo material e depois vender o livro. Espero que no final do ano ou no começo do próximo ano, sim, teremos uma edição em português.
Harry “foi mais punido” que André
Menciona que membros da família real sabiam das acusações que pendiam sobre André. Acha que demoraram muito para afastar o príncipe do seu trabalho oficial como membro da realeza?
Sim, demoraram muito para o retirar do papel de representante especial quando estava a fazer um mau trabalho e demoraram muito para o afastar devido ao tipo de dano reputacional que estava a causar por causa de Epstein. Mas isso sempre acontece. Muito pouco, muito tarde.
▲ André foi afastado do trabalho como membro sénior da realeza em 2019
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Acha que a punição foi branda?
Eu não acho que tenha sido punido o suficiente. Ainda é cavaleiro da guarda, ainda é vice-almirante, ainda é o duque de Iorque, ainda vive no Royal Lodge, ainda é conselheiro de Estado. Não acho que tenha realmente caído em desgraça. Havia muito mais que poderia ser feito.
Nesse caso, considera que Harry foi mais punido do que André?
De algumas formas, sim. Acho que o crime de Harry foi ser desobediente à instituição. André foi obediente à instituição, mas levou um grande embaraço para dentro dela.
Acredita que se o caso do Epstein não tivesse vindo a público, André ainda seria um membro sénior da família real?
Bem, André não é mais um membro sénior da família real. Mas não podemos negar o facto de que é o segundo filho da Rainha. Eu sei que o príncipe William está muito preocupado com o facto de André ainda poder ir a eventos de família e ser fotografado. Acho que se distanciarão mais e mais dele.
Tem ideia de como os outros membros da família real veem André?
Nós sabemos que o William não gosta dele. Nós sabemos que o Harry não gosta dele. Nós sabemos que o seu irmão, Carlos, tentou tirá-lo do Royal Lodge e pensa que está a causar um dano reputacional. Acho que a princesa Ana tem sido algo apoiante, pelo menos das suas filhas. Quem sabe quais são as relações? Eu acho que a sensação é que há alguma forma de lealdade familiar, mesmo que ele seja um embaraço. Penso também que há alguma simpatia pelas filhas, tendo os pais que elas têm. E que há uma crença de que eles precisam manter a Sarah Ferguson perto, porque senão ela irá falar coisas sobre eles, irá fazer algo, revelar segredos.
E as filhas, Beatrice e Eugenie? Elas também têm uma relação muito próxima com ele. Como acha que vão receber este livro?
Claramente ficarão envergonhadas, não vão ficar felizes. Se alguma das coisas é novidade para elas, eu não sei. Mas é claro que é embaraçoso. Elas são hoje adultas, têm mais de 30 anos, têm as suas próprias famílias, as suas próprias carreiras. Seguiram em frente, mas estão muito próximas, particularmente da mãe. Elas referem-se a elas próprias como “o tripé”, as três. As filhas estão envolvidas nos mesmos tipos de negócios dos pais, portanto não acho que sejam totalmente inocentes.
De certa forma parece mais fácil escrever sobre André, que já é uma figura muito controversa, e pouco surpreende que tenha algo a esconder. Há pessoas na família real sobre as quais não escreveria?
Não, acho que todos estão suscetíveis. Alguns são mais populares do que outros. Mas quando escrevo os meus livros não estou a tentar apanhar ninguém. Estou aqui para contar a verdadeira história. E se há membros da família, por exemplo, como a princesa Ana, que fazem um trabalho fantástico, então, claramente, o livro que eu escreveria seria um livro muito positivo. Mas as pessoas sobre as quais escolho escrever tendem a ser as que estão envolvidas em escândalos, como André. Porque, de certa forma, elas são mais interessantes do que apenas escrever sobre alguém que faz um bom trabalho. Por isso tendo a escolher os escândalos.
A “parceria” entre André e Sarah Ferguson
O livro não é apenas sobre André, mas também sobre Sarah Ferguson. Acha que ela tem um papel decisivo em fazer as coisas acontecerem como aconteceram?
Sim. Uma das razões pelas quais se envolveu com Epstein foi para pagar as dívidas dela. Causou-lhe embaraço por tentar vender acesso a ele no famoso caso do News of the World. Ela viveu uma vida bastante extravagante. Foi apanhada com amantes enquanto ainda estavam casados. Como a princesa Margarida disse, ninguém trouxe mais vergonha para a família real.
▲ Andrew Lownie considera que André e Sarah Ferguson têm uma parceria nos negócios
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Quando escreve sobre o caso da câmara escondida do News of the World, deixa claro que acredita que André sabia sobre a negociação com Sarah Ferguson. Acha que os dois agiam como parceiros nas transações financeiras?
Sim. Absolutamente. Não se pode vender acesso a alguém que não sabia que ia ter que fazer algo. E eles falavam cerca de cinco vezes por dia. Não há forma de ele não saber. Eu sei que sabia. As negações são completas mentiras.
O benefício para Sarah foi financeiro, mas qual foi o benefício para André nessa relação pós divórcio?
Acho que se sentiu culpado. Sarah fê-lo sentir-se culpado por não ter sido um bom marido. Acho que se sentiu culpado por ela o apoiar e ser leal, o que ainda é. Acho que queriam criar as filhas juntos, não queriam separar-se da família. André gostou da ideia de ser um homem de família, mesmo que também pudesse ter negócios ao lado. Para ela, é claro, isso mantém-a dentro do clã. E esse é o seu trunfo para ganhar dinheiro. Então não quer ser afastada. Por isso, a família estava muito empenhada para que Sarah deixasse de viver com André, porque sentiam que emocionalmente ele não podia seguir em frente porque ainda a amava. Mas também, porque ela o impedia de ter outras relações e era uma vergonha para a família.
Disse anteriormente que ficou surpreendido com o conteúdo do livro que os advogados deixaram passar. Preocupa-se com as potenciais ações legais que possam surgir?
Sim, claro. Isso é o que eles fazem. Tentam impedir que as coisas sejam publicadas ou mandar fechar as coisas fechadas ao usar a lei. Mas a minha editora é muito robusta, grande e rica. E nós vamos desafiar qualquer ação legal que recebermos.
Teve alguma reação da família real, além da reação do príncipe Harry?
Ainda não. Ainda não tiveram a oportunidade de ler o livro. Sobre a reação de Harry, confio nas minhas fontes. As lembranças podem variar, mas o que eu diria é que Harry tem uma longa tradição de usar os braços e tem uma longa tradição de processar as pessoas. Em poucos casos ganha. E tem uma longa tradição de nem sempre contar a verdade completa. Então eu acho que isso foi apenas um ato para tentar afetar a minha credibilidade. Eu não acho que Harry vá seguir em frente com uma ação legal.
E como se sente sobre a reação pública ao livro? Ainda não foi publicado e já está a ser muito comentado.
Sim, é emocionante. Quando escrevemos livros esperamos que eles sejam lidos e que tenham algum impacto, mas isso é mais do que eu esperava. Trabalhámos há anos a fazer pesquisas silenciosamente, e então quando apresentamos o nosso bebé nunca se sabe como as pessoas vão responder. Mas é encorajador que a reação tenha sido positiva. E há um sentido de que isso adiciona algo novo à história.