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Pois é, pois é: o homem que se recusou a viver escondido a vida inteira, para quem domingo nunca soube de cor o que vai dizer segunda-feira, comemora 50 anos de canções.

Desde que em 1972 editou o seu primeiro single em nome próprio, The Nine Billion Names of God, Jorge Palma dedicou a vida a cantar-se e, por arrasto, a cantar-nos: as nossas paixões e as nossas solidões, os prazeres e as ressacas, as curvas errantes da vida, as imprevisibilidades, os dias em que nos sentimos in e as noites em que, frágeis, ficamos out.

Palma, o autodidata da guitarra que a transportou às costas de metro em metro, de cidade em cidade e de país em país, o estudante de piano clássico que nos deslumbrou só por existir e duvidar, chegou a descrever-se em tempos como “individualista romântico”. Como não o queremos copiar, chamemos-lhe antes romântico desalinhado.

Qual discípulo de Marx, Groucho, não Karl, traçou um caminho sem escolas ou clubes. Logo no segundo disco, ‘Té Já, em 1977, avisava: “Estão a perder tempo se pensam que um dia me hão-de amarrar” (“Podem Falar”). E cumpriu, gozando bem a sua rota, discos e canções estrada fora, vivendo no limite, crente de que (regressemos a “Podem Falar”) “a distância que existe entre o não ser e o ser é uma questão de não se ter medo de ir longe demais”, certo de que “para quem ama a liberdade o importante é nunca parar”.

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