Um passeio pelos corredores ocultos do Palácio Nacional de Sintra /premium

18 Abril 2019973

A dívida de Maria Pia, o misterioso sistema hidráulico e o quadro de D. Sebastião... ou não. Esta quinta-feira é o dia do Monumento. Vagueámos pelas salas desconhecidas do Palácio Nacional de Sintra.

Chá verde, 1.500 reis. Bacalhau, 2.145 reis. Batatas, 1.080 reis. A 4 de outubro de 1910, Maria Pia de Saboia, um “anjo da caridade”, uma “mãe dos pobres”, mas ainda assim mulher com inclinação para os luxos e algo shopaholic“Quem quer rainhas, paga-as!”deixou uma dívida na mercearia junto ao Palácio da Vila.  Nunca teve tempo de a saldar. Na madrugada do dia seguinte, 5 de outubro, a revolução destituiu a monarquia constitucional e implantou a República em Portugal. Maria Pia teve de fugir.

A dívida que Maria Pia deixou numa mercearia na véspera da Implantação da República. Créditos: Pedro Lopes

Já não se queriam rainhas e já ninguém as queria pagar. D. Maria Pia, rainha-viúva desde a morte de Luís I de Portugal, “O Popular”, em 1889, e psicologicamente fragilizada pela morte do filho e do neto durante o regicídio de 1908, exilou-se em Itália. Morreu lá e por lá foi sepultada, no panteão real dos Saboias na Basílica de Superga, em Turim. Já no leito da morte, pediu para voltar a Portugal e ser enterrada ao pé dos filhos, dos netos e do marido. O desejo nunca lhe foi satisfeito. Maria Pia tornou-se no único membro da família real que nunca regressou ao país após o exílio.

Um dia, muitos anos depois, duas mulheres bateram à porta do gabinete de Maria Inês Ferro. “Eram duas senhoras sintrenses, mãe e filha, que com algum humor me disseram: ‘Sotôra, o Palácio tem uma dívida para connosco’“, conta ao Observador a diretora do Palácio Nacional de Sintra. Nas mãos traziam umas faturas amareladas e roídas pelo tempo deixadas por um antepassado, “um tetravô de uma delas, talvez”, que era fornecedor da “Real Ucharia de Cintra”.

Segundo nos explica Maria Inês Ferro, esse homem, António José Soares, “tinha um estabelecimento com alguma dimensão, como podemos ver pela qualidade do papel timbrado, que ficava perto de onde agora é o Posto de Turismo de Sintra”. Os alimentos que Maria Pia comprava — chá verde, café, toucinho, massa napolitana, banha de porco, chouriço, açúcar areado, álcool ou batata, por exemplo — iam para a “ucharia”, isto é, para a despensa da casa real. Naquele dia, a comida chegou ao Palácio. Mas o dinheiro nunca chegou ao bolso de António. A dívida de Maria Pia foi então carimbada de “incobrável” à conta da Implantação da República.

O escritório de Inês Ferro, que aqui posa com o Livro de Honra ao colo. Créditos: Pedro Lopes

Esta é uma das histórias escondidas entre as paredes do Palácio Nacional de Sintra. De todos os palácios mandados construir durante a Idade Média pelos reis que governavam Portugal, este é o único que atravessou as eras e chegou até nós praticamente intacto. Mesmo depois de tantos séculos de vida — tantos que não se sabe ao certo quantos passaram desde que foi erguido –, o Palácio da Vila continua vivo e de portas abertas. Um típico passeio pelo interior não exige mais do que meia hora. Nós precisámos de seis horas para explorar as salas (e as histórias) nunca antes visitadas do Palácio.

É assim porque a história do Palácio Nacional de Sintra, o mais antigo de Portugal e o único sobrevivente íntegro entre os paços reais medievais, é feita de camadas. Tem fundações árabes, sugerem as investigações, mas a primeira referência a “dois castelos de extrema solidez” em Sintra — provavelmente o Castelo dos Mouros e este Palácio — só surge no século XI pelas descrições de Al-Bakrî, um geógrafo árabe. Quando D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, conquistou Lisboa aos mouros, já o Palácio Nacional de Sintra estava de pé. A partir daí assistiu a todos os momentos da monarquia portuguesa. Até mesmo à sua decadência.

Do pagode às porcelanas

Ao longo de todo esse tempo — que provavelmente quase aos mil anos — o Palácio passou por várias mudanças. A fachada norte é a mais antiga, mas foi reconstruida e alterada pelo rei D. Dinis no final do século XIII. Depois o rei D. João I, no início do século XV, construiu tudo o que está à volta do pátio central, assim como as duas enormes chaminés — não existe mais nenhum palácio na Europa com duas chaminés deste tamanho, 33 metros de altura, lado a lado. O resto é acrescento de D. Manuel I no início do século XVI, que manda destruir a Torre de Meca e ergue a Torre dos Brasões.

Tudo isso nos é explicado por Cláudio Marques, antropólogo e técnico superior do Palácio que leva nos bolsos as chaves de todas as portas deste paço real. Foi ele quem, ao longo deste passeio, nos orientou pelos corredores labirínticos do Palácio, nos levou aos bastidores do monumento e nos desvendou as histórias escondidas nos espaços que toda a gente pode visitar. Não é tarefa fácil: na mesma sala podemos encontrar portas góticas, esculpidas com detalhes microscópicos, e colunas lisas mais maneiristas. “É nessa complexidade que se desvenda a vivência do palácio”, resume Cláudio.

Cláudio Marques na Sala Rosa, nos aposentos de Maria Pia, que ficavam na ala manuelina do Palácio. Créditos: Pedro Lopes

Uma das salas veladas aos olhos dos turistas fica para lá de uma porta de madeira discretamente colocada ao lado de uma das maiores atrações do Palácio, o Pagode Chinês — uma obra com quase 2,50 metros de altura com peças milimétricas (incluindo pequenos sinos) feitas em osso, marfim e madeira. Quem se deixa deslumbrar pela opulência do Pagode, oferecido à rainha D. Maria I pelo senado de Macau, não sabe que, para lá dessa porta, estão as coleções de loiça dos reis portugueses. Até mesmo as porcelanas que Maria Pia comprou em Paris para receber a rainha britânica Alexandra em 1905, numa época em que as relações diplomáticas entre Portugal e Reino Unido ainda estavam melindradas pelo episódio do Mapa Cor-de-Rosa e do Ultimato Britânico.

Cá dentro, um batalhão vestido com batas brancas e luvas cirúrgicas de látex organiza as chávenas, pratos, travessas, covilhetes, frascos, terrinas e saleiros que os reis deixaram para trás no Palácio Nacional de Sintra. Há pouco, estes técnicos tinham estado na Sala Manuelina, debaixo de um lustre de murano com 600 quilogramas e 90 lâmpadas, a desenrolar, centímetro a centímetro, um tapete de coleção que tinha sido retirado para que uma festa privada acontecesse neste salão — que em tempos foi o quarto de D. Luís. Às vezes, se o tapete não ficasse na posição desejada, os técnicos voltavam a enrolá-lo para começar tudo novamente. “A trama, por ser tão antiga, se não for tratada com delicadeza, desfaz-se”, justifica Cláudio Marques.

Inês Figueiredo, funcionária da loja do Palácio Nacional de Sintra, mostra-nos uma réplica que a Vista Alegre fez da loiça de Maria Pia. Créditos: Pedro Lopes

Agora, a mesma equipa está na sala oculta a esvaziar um dos armários de madeira e vidro onde as reservas reais que não estão em exposição ficam guardadas. Estão a redistribuir as estantes dos armários para reorganizar as coleções: “Há demasiados pratos empilhados numa mesma coluna. Os pratos de baixo estão a aguentar com demasiado peso e isso pode afetá-los. Vamos tirar alguns para outro lado para aliviar esse peso”, explica-nos Joana Amaral, que está a comandar a equipa. Cada peça é levada cuidadosamente para o interior do armário e tapada com uma folha de polietileno. Assim, quando outra peça for colocada em cima dessa, ela fica protegida do choque e dos raspões.

Em conversa com o Observador, Joana Amaral, responsável pela “conservação preventiva”, explica que é “como um médico de família” para as reservas do Palácio Nacional de Sintra: “Os médicos de família recebem os pacientes e dizem-lhes para comer menos açúcar e fazer mais exercício antes que as coisas corram mal. Eu sou como um médico de família para estas peças”, compara. Por isso é que as luvas e as batas são tão importantes: “As luvas também servem para nos protegerem a nós do que possa haver nos objetos. Por exemplo, antigamente usavam-se produtos para desinfestações que agora são proibidos por serem nocivos para a saúde. Além disso, a nossa própria pele também transporta partículas para as peças”, explica a técnica.

Joana Amaral junto a um armário com uma das coleções nas reservas do Palácio. Créditos: Pedro Lopes

Joana Amaral e os colegas estão constantemente de olho em tudo o que possa danificar não só estas peças, mas também o próprio edifício do Palácio, que já por si é uma relíquia — “Nós devíamos andar todos aqui a levitar, que isto é tudo património”, brinca. E essa é uma tarefa que exige olhar de lince, descreve: “A gravidade é sempre um problema porque se colocarmos um objeto na posição errada, ele pode deformar com o passar do tempo. Até a limpeza é tramada, mesmo que necessária, por causa da abrasão. Ao limparmos perde-se sempre material. Mesmo que seja só um átomo, já se está a deteriorar”.

“Algumas coisas podem durar milhares de anos”

Mas esses fatores nem sequer são dos mais preocupantes. Um dos que realmente tiram o sono a Joana Amaral é a radiação eletromagnética porque “nós não a podemos simplesmente desligar, chega-nos à boleia da luz” e “ajuda a potenciar algumas reações químicas, que podemos atrasar mas nunca travar ou reverter”, concretiza a técnica. “Algumas coisas podem durar milhares de anos, outras podem sobreviver enquanto estamos vivos, mas muitas não duram muito mais do que isso se forem afetadas”, prossegue. Por isso é que, no Palácio, todas as janelas e lâmpadas têm filtros contra a radiação ultravioleta. Algumas das salas que recebem exposições são minimamente iluminadas. E os objetos em exposição são trocados de tempos a tempos para regressarem às sombras.

O outro grande inimigo da equipa da conservação preventiva é o pó trazido pelos visitantes, que é limpo com pincéis para chegar até às reentrâncias das peças e dos móveis. Um estudo preliminar apurou que cada turista leva 0,38 gramas de pó para o interior do Palácio da Vila. São 177 quilogramas de pó que se instalam anualmente no monumento. “Isto é tudo fibras que se desprendem da roupa dos visitantes, lixo que vem na sola dos sapatos, partículas de pele, cabelos. É incontrolável”, descreve Joana Amaral. Havia três soluções possíveis para este problema. Uma era obrigar os turistas a vestir fatos desenvolvidos em laboratório, o que não é possível. Outro, também impossível, era criar uma pressão atmosférica superior do que a da rua, para que o ar tenda a escapar lá para fora em vez de entrar e levar impurezas.

A terceira solução era a única viável e aquela que o Palácio Nacional de Sintra adotou: colocou dois tapetes, e não apenas um, à entrada do monumento. “Inicialmente pusemos só um tapete e não houve alteração na quantidade de pó diária no interior do palácio. Quem tem passos compridos, como os holandeses ou alemães, podia nem chegar a pisá-lo. Mas com dois já vimos diferença porque os dois pés pisam o tecido pelo menos uma vez”, explica Joana Amaral.

Joana Amaral mostra uma das peças da reserva do Palácio Nacional de Sintra. Créditos: Pedro Lopes

Ou seja, o trabalho da equipa da conservação preventiva não se cinge aos preceitos exigidos dentro desta sala oculta. Na verdade, estende-se também a uma outra, aninhada num labirinto de corredores nos confins do Palácio Nacional de Sintra. É muito fria e tem um ambiente muito controlado: a temperatura e a humidade são equilibrados ao detalhe conforme as necessidades dos materiais aqui guardados. É que, dentro das caixas brancas que preenchem os armários e forram as paredes, está um dos tesouros mais apreciados do Palácio da Vila: os objetos encontrados nas escavações arqueológicas e os exemplares dos gigantescos painéis de azulejos que embelezam (ou já embelezaram) o monumento.

Nos armários, cada estante tem uma letra e cada caixa tem um número acompanhado por uma etiqueta e uma fotografia do que está no interior. E no interior estão os famosos azulejos do Palácio de Sintra. “Este é o sítio da Europa com os azulejos mais antigos in situ. Nesta reserva temos azulejos que estão cá há tanto tempo que nem sabemos quanto. Mas também temos os que foram instalados a mando dos reis que passaram por cá”, descreve Joana. Alguns dos azulejos no interior destas caixas nunca chegaram a ser usadas, algo que se repara por estarem completamente livres de argamassa no verso.

Segundo a técnica, “cada vez que se faz um buraco no Palácio encontra-se um azulejo”. Literalmente. São tantos que alguns foram usados ao longo da história do monumento para tapar furos nas paredes. Agora, quando são encontrados, mesmo que não passem de pequenos fragmentos, são guardados nestas caixas brancas. Alguns, no entanto, não param aí para sempre: houve um conjunto de 84 azulejos, por exemplo, que já serviu para restaurar a cozinha — agora decorada com panelas de bronze e equipada com espetos, fogões a carvão e um gigantesco forno a lenha.

É dentro deste espaço atulhado mas apertado que Joana Amaral e os colegas tentam desvendar a história de cada peça: “É um problema porque muitos destes azulejos são todos iguais. Acontece o mesmo com as loiças. Como é que distingo uma da outra? Pode ser importante para efeitos de exposição porque é possível, por exemplo, que eu possa dizer que esta chávena em específico foi usada por uma determinada rainha quando veio cá visitar o Palácio. Com os azulejos acontece isso porque queremos descobrir a história de cada uma das peças”, concretiza a responsável.

Os azulejos na Sala das Pegas. Créditos: PSML/ Angelo Hornak

A história está nos azulejos

Mas porquê tanto preciosismo em redor dos azulejos? Porque a história deles em Portugal confunde-se com a história do próprio Palácio: aqui está a maior coleção de azulejos hispano-mouriscos in situ da Europa, provenientes maioritariamente de Sevilha, Espanha. Mais do que isso: a azulejaria chegou cá através da cultura árabe presente na Península Ibérica — a mesma cultura que está nos genes deste monumento.

Essa azulejaria não congelou com o tempo. Pelo contrário, evoluiu com a nossa monarquia. Por exemplo, o quarto onde Afonso VI esteve preso — e onde não, não há sinais de desgaste no chão provocada pelo desespero do monarca, como reza a lenda — exibe dos pavimentos hispano-mouriscos mais antigos de Portugal. Em todo o palácio, tão depressa se encontram painéis com motivos geométricos, flores do Lis e desenhos de vegetais, como nos cruzamos com os painéis azuis e brancos, tipicamente portugueses, que no século XVIII chegaram à Sala dos Brasões.

Essa é uma sala que transpira o patriotismo do século XVI, quando os Descobrimentos tinham atingido o auge da expansão portuguesa pelo mundo. As janelas têm vista para os quatro pontos cardeais, as paredes estão ornamentadas com painéis de azulejos com motivos de caça e, na cúpula, talhas douradas elevam o brasão da família real na época de D. Manuel I. Estamos, aliás, na zona onde o rei fez a maior contribuição para o Palácio: um verdadeiro trono às conquistas portuguesas pelo mundo. “O rei queria que houvesse aqui uma sacralidade. Por isso é que parece que estamos numa esfera com um centro de luz no tecto. É como se o rei estivesse a dizer que é um representante divino que atua sobre os homens na terra”, interpreta Cláudio Marques.

Aqui, onde antes ficava a Torre de Meca, do qual pouco ou nada sobrou, o rei D. Manuel I mandou construir “uma espécie de homenagem a todas as famílias que contribuiram para a prospersidade de Portugal”, explica Cláudio. Olhando para o teto, mesmo no meio está o brasão do rei rodeado de oito brasões dos oito filhos que teve durante o segundo casamento. “D. Manuel casou-se três vezes, teve 13 filhos e neste período entre 1516 e 1520 tinha oito. Dois deles têm brasões em losango porque pertencem às infantas D. Isabel e D. Beatriz. Ambas têm um espaço em branco porque, quando o tecto foi concluído, elas ainda estavam solteiros. O espaço servia para colocar os brasões dos maridos”, contextualiza o museólogo.

O tecto da Sala dos Brasões. Créditos: PSML/ Angelo Hornak

Todos os brasões dos infantes são iguais, exceto um: o do “infante D. Yoam”, que não tem pendentes de outras casas reais à semelhança dos brasões vizinhos. Segundo Cláudio Marques, é assim porque esse é o príncipe: “Em Portugal e em Espanha só chamamos príncipe a quem vai herdar a coroa. E como ele vai herdar as armas do pai, o brasão não tem de fazer menção a outras armas”. Logo abaixo estão pinturas de 72 cervos que simbolizam as famílias nobres mais influentes do reino, como a de Vasco de Gama ou a de Pedro Álvares Cabral. Logo abaixo, a rodear toda a sala, está a frase: “Pois com esforços leais serviços foram ganhados com estas e outras tais devem ser conservadas”.

Quando o rei pediu desculpa

Pormenores como estes são espalhados por todo o Palácio. A Sala dos Cisnes, por exemplo, herda o nome do facto de o tecto estar completamente decorado com 27 pinturas desses animais. O motivo começa numa lenda que sugeria que o duque de Borgonha tinha oferecido um casal de cisnes à infanta D. Isabel. Ora, o cisne era o emblema de  Henrique IV de Inglaterra, irmão de Filipa de Lencastre, tio da infanta. E era também um símbolo de fidelidade eterna comum dos romances da época, em que os cavaleiros navegavam pelos rios numa barcaça puxada por um cisne para salvar as damas.

Outra sala tão recheada de história como esta é a Sala das Pegas, onde D. Sebastião terá ouvido Luíz Vaz de Camões a ler “Os Lusíadas”. É aqui que reside a lenda que Almeida Garrett conta em “O Romanceiro”, uma obra de 1843. “Conta-se que D. João I foi apanhado certo dia a dar um beijo na bochecha ou na testa à donzela mais bela da Corte de Sintra de seu nome dona Mécia. E foi apanhado por D. Filipa de Lencastre, rainha inglesa e viciada na ordem moral”, começa por contar Cláudio Marques. O rei, ao ser apanhado, terá dito: “Foi um beijo por bem. Ela é muito bonita e eu quis dar-lhe um beijo, nada mais do que isso”.

A rainha aceitou as desculpas do rei, mas atrás da porta estavam outras donzelas e foram falar mal do beijo do rei. “O rei, quando soube, não gostou. E para as castigar mandou pintar 136 pegas no tecto desta sala, supostamente o número de donzelas da Corte que existiam em Sintra à época. As pegas têm fama de fazer barulho. E como elas fizeram barulho a dizer por mal, ele mete no bico uma frase a dizer: ‘Por bem’. Mas, como estava a ser acusado de infidelidade, na pega que corresponde à rainha colocou uma rosa — símbolo da casa de Lencastre — e a frase: ‘A quem sou fiel e agarrado, à minha mulher e a mais nenhuma outra’“.

Vista geral para a Sala das Pegas. Créditos: PSML/ Angelo Hornak

Tudo indica que esta estória não passa mesmo de uma lenda. Até porque a Sala das Pegas era, na verdade, uma sala de reuniões. Terá sido aqui, por exemplo, que D. João I decidiu a conquista de Ceuta. “Um Prior do Hospital disse ao rei que não lhe explicaria Ceuta a não ser que lhe trouxesse umas cousas, que eram uma escudela, areia, favas e um novelo de fitas. Os infantes lá convenceram o rei a ceder. O Prior sentou-se nesta sala e desenhou Ceuta: onde havia muralhas punha fita, onde havia casas punha favas. E desenhou Ceuta em 3D para o rei ver”, conta Cláudio Marques.

Ora, é esta vivência de D. João I nessa mesma sala que nos obriga a olhar novamente para cima. É que “Por bem” — a frase no bico das pegas — era o mote pessoal do rei, “Mestre de Avis” e “O da Boa Memória”: “O que quer que faças, fazei por bem”, desvenda o antropólogo. Além disso, “a pega é uma ave que, por fazer sons muito ricos e variados, está associada à eloquência e aqui era um sítio onde as pessoas falavam muito”, concluiu Cláudio.

Lendas como estas desvendam-se — mas também se desmontam — pela mão de dois técnicos do Palácio. Um deles chama-se Bruno Martinho, é conservador e está equipado de luvas brancas de pano, parecidas às que os atletas de bilhar utilizam durante as partidas. Em cima da pesada mesa de madeira escura  onde nos recebe, Bruno tem várias caixas pretas. É dentro delas que guarda os documentos, inclusivamente cartas, que foram enviadas para ou a partir do Palácio enquanto ele era habitado. A documentação mais antiga é por norma guardada na Torre do Tombo ou na Biblioteca Nacional.

Mas à nossa frente temos alguns dos documentos posteriores a 1800. São 220 anos de história. “A maior parte do nosso arquivo tem a correspondência que entra e sai do Palácio. Conseguimos reconstituir a história do Palácio quase dia-a-dia”, começa por nos contar o conservador. De uma caixa com a documentação de entre 1837 e 1844, Bruno retirou uma carta com “umas questões importantes”, afirma ele: “É uma licença que a rainha dá para o marquês de Saldanha poder ter a sobra da água do Palácio. Todo o monumento é abastecido por água que vem da Serra, mas era habitual que as famílias de Sintra, principalmente as nobres, pedissem para usar o que sobrava de forma gratuita”, contextualiza.

Bruno Martinho na sala onde nos recebeu. Créditos: Pedro Lopes

Para nos contar tudo isto, Bruno Martinho tem de folhear os documentos com muito cuidado. O papel está envelhecido, enfraquecido e mordido pelo tempo. Fica guardado dentro de caixas com um inventário até poder ser restaurado: “As folhas têm de ser limpas e consolidadas individualmente. São preenchidas com papel japonês para poderem ser manuseadas. E depois são armazenadas em salas com temperaturas e humidades controladas”, descreve Bruno.

“Cousas ocultas”

Durante o século XIX, fazia-se uma cópia de todos — mesmo toda — a correspondência que saía do Palácio. “Se houvesse algum problema, o almoxarife, que é o funcionário principal do Palácio, responsável pela gestão de todo o edifício, ele tinha um registo que podia consultar para resolver falhas de comunicação. É um cargo antiquíssimo, que acumulava essas tarefas com as fiscais na época em que o Palácio era não só uma residência real mas também a capital de um território”, recorda o conservador.

O livro de honra do Palácio assinado pela princesa Diana a 15 de fevereiro de 1981. Créditos: Pedro Lopes

As cartas guardadas no Palácio não falam apenas da vida dos reis. Na verdade, essa é uma dimensão muito pequena quando se exploram estes documentos. “Falam sobretudo da gestão das pessoas que faziam o edifício funcionar. Por exemplo, o que se passa com o moço dos recados, ou seja, se está a trabalhar bem ou não. Há um documento que conta como o almoxarife tinha estado a preparar com todo o cuidado a vinda da Família Real para o Palácio, mas tudo tinha ficado arruinado porque o boticário tinha estado a fazer experiências de alquimia e contaminou as salas com gases e com enxofre”, lembra Bruno Martinho.

Mas um dos documentos mais curiosos do Palácio Nacional de Sintra é o “Livro das Alturas dos Alicerces e das Cousas Ocultas do Paço de Cintra de 1689”, o único registo inferior a 1700 que está no monumento. Está tão velho e deterioriado que Bruno não o pode folhear para nós porque só isso ameaçaria a integridade do papel. Mas o conservador adianta-nos ainda assim que nada tem de sobrenatural, apesar de o título sugerir que sim: “É um livro de medições de tudo o que não se vê, isto é, da estrutura arquitetónica das vigas, do telhado e dos canos”, desvenda Bruno.

Um dos documentos guardados nos arquivos do Palácio. Créditos: Pedro Lopes

Uma dessas “cousas ocultas” do Palácio da Vila é a Mãe d’Água, um pequeno reservatório onde raramente falta água e que, apesar do tamanho singelo,ainda hoje consegue alimentar as salas do monumento, todos os jardins e fontes que o embelezam. Segundo a arquiteta paisagista Ana Sanches, o Palácio é abastecido por minas e nascentes localizadas na Serra de Sintra, principalmente dentro do Parque da Pena. Daí, a água percorre galerias, galga pequenos aquedutos, escava túneis na rocha — sempre conduzida pela gravidade — e entra em canos de chumbo até chegar ao reservatório.

É um sistema complexo e intrincado, uma obra de engenharia inovadora para a época, mas também intrigante. É que ainda hoje se está por perceber exatamente de onde vem a água. E até onde é que ela vai. Ana Sanches explica que os canos de chumbo que a água percorre têm um problema: “Esta tubagem é muito frágil e fica rapidamente esmagada pelas raízes das árvores. E por isso ao longo dos anos, as tubagens foram sendo substituídas por manilhas de grés. Atualmente já se usam tubos de plástico, que são mais eficientes, mas são instalados dentro dos canos originais para reduzir o custo da reabilitação e para não comprometer a integridade do sistema”, conta-nos a arquiteta.

Assim como o Palácio evoluiu em função de quem chegava ao trono, também o complexo sistema hidráulico do edifício foi adaptado para responder às necessidades de cada época. Hoje em dia, algumas tubagens já foram cortadas, outras foram readaptadas para responderem a novas funções. Mas há uma boa parte desta teia de chumbo cuja função ainda é desconhecida. “Fazemos campanhas arqueológicas com escavações para responder às dúvidas que temos. Ou então colocamos um pouco de corante e vemos onde é que a água colorida vai ter”.

A partir da Mãe d’Água ramificam-se os tubos que serpenteiam o Palácio de Sintra. São cinco: o primeiro de todos está cortado, o último não sabe sabe para onde vai, o segundo vai para um grande reservatório logo ao lado deste poço (que abastece o edifício do Palácio), o terceiro segue até ao Pátio de Diana e o quarto vai até ao Pátio Central. Mas uns brotam da base do reservatório, enquanto outros estão localizados mais acima. De acordo com Ana Sanches, “isso revela prioridades distintas”: “Em princípio, a tubagens que está mais em baixo alimenta uma região mais prioritária do Palácio. Se houvesse escassez de água, garantia-se que essas zonas eram irrigadas de certeza. As zonas menos prioritárias ficavam para segundo plano”, conclui.

Ana Sanches junto à Mãe d'Água que alimenta o Palácio. Créditos: Pedro Lopes

“Devemos muito a Maria Pia”

Enquanto aqui se investiga o intrigante sistema hidráulico do Palácio, lá dentro estudam-se as obras de arte do monumento. Essa é a função de Fernando Montesinos: “A minha responsabilidade são as coleções. Enquanto a minha colega Joana Amaral está na parte da conservação preventiva, eu estou na parte da investigação. Sempre que possível também organizo exposições”, descreve-nos ele. Uma das exposições organizadas por Fernando foi uma reconstituição da época final da monarquia constitucional em que os investigadores colocaram uma mesa de jantar tal como Maria Pia tinha feito quando recebeu Alexandra do Reino Unido.

O projeto era internacional, promovido pela Associação Europeia de Residências Reais, e chamava-se “A Place At Royal Table”. Nessa iniciativa expôs-se “um serviço comprado pela rainha em Paris para este palácio”: “Sempre que efetuava uma viagem para algum evento na Europa, aproveitava para se visitar as principais capitais. E França era incontornável”, conta-nos o investigador. E acrescenta: “Devemos muito a Maria Pia a riqueza que temos no palácio. Mas, apesar dos mitos, não excedia em valor o que outras rainhas gastavam. Na verdade, é a única cujo ordenado nunca mudou desde que casou até ao fim do seu lugar no trono”.

Fernando Montesinos chegou ao Palácio Nacional de Sintra em 2012. É natural de Espanha, mas ficou por cá depois de se ter apaixonado por uma portuguesa. Em sete anos, o investigador já aprofundou muitos dos conhecimentos que se têm das coleções e obras de arte deste monumentos. Mas uma das mais sonantes é a do quadro do Cavaleiro de Calatrava, que toda a gente julgava mostrar D. Sebastião. Foi este investigador que descobriu não só que este quadro não ilustrava o mal afortunado rei português, como quem é o homem na pintura. Os resultados da investigação podem ser consultados aqui.

Esse misterioso quadro foi adquirido pela rainha D. Maria Pia em 1885 em Paris. Foi-lhe vendido como sendo um quadro de D. Sebastião pintado por Antonio Moro, numa altura em que era muito crítica pelos gastos que tinha. Ainda assim, decide comprar a obra à mesma porque é um retrato de corpo inteiro: “Isso seria uma raridade. Ainda hoje não há nas coleções nacionais qualquer retrato de corpo inteiro de D. Sebastião. Devem todos ter desaparecido durante o terramoto do século XVIII. Por isso ela compra-o para oferecer ao marido, que na altura estava a constituir a Galeria de D. Luís na Ajuda”, contextualiza o investigador.

Fernando Montesinos junto ao quadro de Diego Gomez de Sandoval, que antes se julgava ser D. Sebastião. Créditos: Pedro Lopes

Assim que chegou a Lisboa, as dúvidas sobre a identidade do homem no quadro começou a ser posta em causa. Os olhares mais conhecedores e atentos perceberam, por exemplo, que o nobre que aparecia na obra tinha ao pescoço uma medalha da Ordem de Calatrava, enquanto D. Sebastião pertencia à Ordem de Cristo. O tempo vai passando e os investigadores continuam a torcer o nariz à verdadeira identidade do homem retratado, embora assumam com reservas que é um rei português. Só em 1960 é que um historiador de arte vem negar essa ideia pela primeira. E disse que o retratado era “um jovem fidalgo da Ordem de Calatrava”.

Em 2006, mais novidades: Pedro Flor, agora um consagrado historiador português, aproveita um colóquio no Palácio Nacional de Sintra para sugerir que aquele quadro era mais antigo do que se julgava — era do final do século XVI, já na viragem para o século XVII — e que tinha sido produzido por Juan Pantoja de la Cruz, o principal retratista de Corte de Filipe II de Portugal e III de Espanha. Em 2011, publica essa teoria mais atualizada. E é então que, poucos depois, entram o contributo de Fernando Montesinos.

O quadro em causa. Créditos: Juan Pantoja de la Cruz

“Quando entrei no Palácio estava especialmente interessado em algumas peças e este quadro era uma delas”, recorda o investigador. Tinha dez perguntas sobre o “Retrato de um Jovem Nobre da Ordem de Calatrava” e para cada uma delas delineou linhas de investigação. Foi assim que deu razão a Pedro Flor: o quadro era mesmo de Juan Pantoja de la Cruz. E também foi assim que descobriu que o homem no quadro não era de todo D. Sebastião, mas sim Diego Gomez de Sandoval y Rojas, comendador-mor da Ordem de Calatrava, Conde de Saldaña.

Então, Maria Pia cometeu um grande erro a comprar este quadro? Na verdade não, explica Fernando Montesinos: “Diego Gomez de Sandoval y Rojas era o filho mais novo do duque de Lerma, que era um protegido de Filipe III de Espanha e II de Portugal, tio da que seria a rainha consorte D. João IV”, o homem que repôs a independência em Portugal. Além disso, “há muitas coisas que me levam a pensar que, às vezes, o destino está lá”, confessa Fernando: “Em 1885, quando Maria Pia compra a obra, há apenas duas ou três linhas sobre isso numa publicação chamada ‘O Ocidente’. Na mesma página havia, na coluna da esquerda, o início da biografia de D. Luísa de Gusmão, mulher de D. João IV.

Aqui no Palácio Nacional de Sintra, as obras de arte não são apenas loiças, quadros ou móveis. São também os jardins, como comprova a perícia e o minimalismo com que Cristina Teixeira cuida dos buxos, pequenos arbustos comuns nos grandes jardins, mas tão sensíveis a pragas que exigem muita atenção dos técnicos do Palácio. “Não usamos químicos. Arrancamos as ervinhas uma a uma e à mão, fazemos plantação e transplante de plantas. E limpamos, conforme a altura do ano. É assim porque de outra forma estaríamos a fazer muito mal ao ambiente”, descreve a jardineira.

A manutenção do buxo. Créditos: Pedro Lopes

De todos os arbustos, rosas e árvores espalhados pelos 2.036 metros quadrados de área útil que compõe os jardins, o buxo é o mais exigente. Fica mesmo ao lado de uma escavação arqueológica onde foi descoberto um canalete, um sistema tradicional de passagem de água neste caso para irrigar os talhões da horta. Sempre que vem para cá, Cristina vem preparada com um balde cheio de água e uma tesoura. “É para limpar regularmente a tesoura, porque depois a seiva das plantas seca e começa a ser mais difícil utilizá-la”, explica-nos a jardineira, que usa umas pedras próprias para afiar as lâminas e garantir que o corte é o mais reto possível.

A parte mais importante, no entanto, é esterilizar periodicamente a tesoura. “Imagine que existe um fungozinho só neste arbusto. Quando o cortar, o fungo vai passar para a tesoura. Mas se depois a for utilizar noutro arbusto qualquer posso contaminar o jardim inteiro. Assim fica mais contido”, justifica Cristina. Esses cuidados têm sido redobrados nos últimos tempos porque há um fungo que tem atacado os buxos por toda a Europa, sendo capaz de o dizimar. “Como temos buxo centenário, temos sempre a preocupação de desinfetar as ferramentas quando transitamos de zona para zona”, prossegue.

O objetivo final é fazer com que o buxo fique amanhado à regra, como se uma lâmina gigante tivesse passado por cima dele para criar uma superfície homogénea no topo. Para que esse efeito seja obtido, Cristina Teixeira procura o corte anterior e elimina as folhas mais recentes. “Tem de ser um corte que fique direitinho. Isso é o que exige mais cuidados, principalmente quando trabalhamos estes arbustos em grandes extensões”, conclui ela, que já traz esse conhecimento dos jardins privados em que trabalhou no passado: “Isto requer muita experiência. Aqui no Palácio estou há meio ano, mas em jardins privados já trabalhei durante seis ou sete anos”.

Sempre aberto para obras

Quem põe todas estas máquinas a funcionar é a Parques de Sintra, que investe 33 milhões de euros para cuidar tanto do Palácio Nacional de Sintra, como de outros nove lugares e monumentos: o Castelo dos Mouros, o Palácio Nacional da Pena, o Palácio Nacional de Queluz, o Parque de Monserrate, o Convento dos Capuchos, o Chalet da Condessa d’Edla, a Quntinha de Monserrate, a Quinta da Pena e a Escola Portuguesa de Arte Equestre. “Este é um palácio onde é possível ver todos os momentos incontornáveis da nossa história. Foi aqui que D. Manuel recebeu a notícia de que tínhamos descoberto o Brasil, foi aqui que nasceu e morreu D. Afonso V, foi aqui que foi encarcerado D. Afonso VI, foi aqui que D. João II foi tornado rei. Tudo isto faz de nós o povo que somos”, enumera José Lino Ramos, administrador da Parques de Sintra.

Lino Ramos nas arcadas do Palácio Nacional de Sintra. Créditos: Pedro Lopes

De acordo com ele, o que torna o projeto da Parques de Sintra especial é que “é auto-sustentável”: “Tudo o que é investido aqui decorre única e exclusivamente da gestão. Não há subsídios nem Orçamento de Estado ou dinheiro dos contribuintes e acionistas a serem colocados aqui. O dinheiro vem da gestão do que é recolhido nas bilheteiras, nas lojas, nos restaurantes, nas cafetarias e nos eventos”, descreve Lino Ramos. E concretiza: “Quando as pessoas investem nos nossos espaços, sabem perfeitamente para onde é que o dinheiro vai. E vai para a requalificação dos monumentos”.

É também por isso que a Parques de Sintra tem uma política diferente quando o Palácio da Vila está em obras: quase nunca fecha. Na verdade, só encerra no Dia de Natal (25 de dezembro) e no Dia de Ano Novo (1 de janeiro). Ou seja, nunca está “fechado para obras”: “A nossa filosofia é que ele esteja sempre ‘aberto para obras’. Estamos em manutenção constante. Precisamos de recuperar a Sala das Pegas, a Sala dos Brasões, a Igreja e as chaminés”, explica Essas chaminés, por exemplo, são melhoradas várias vezes: como não são pintadas, para que se mantenha os modos de construção históricos, mudam para cinzento e amarelo muitas vezes, por isso há sempre técnicos a garantir que voltam a ser brancas.

Mas nem só no que já cá esta intervém a Parques de Sintra. Lino Ramos desvendou que em breve — provavelmente ainda este ano — vai ser exposta no Palácio Nacional de Sintra a cama recuperada dos Duques do Cadaval. “Esse leito foi adquirido em 2017. É uma cama única do final do século XVII ou início do século XVIII, que durante muito tempo foi propriedade da família Cadaval e que depois veio a aparecer no Circuito das Antiguidades em 2000. É uma peça de inegável valor histórico”, descreve Lino Ramos, feita de pau preto, prata e latão.

Esta cama tem 2,90 metros de altura e 2,30 metros de largura. Em 2000, a comunidade científica e histórica quis que o Estado português comprasse a peça, que em 1953 Reinaldo Santos dizia que era “a mais bela da arte portuguesa”. Acabou mesmo por ser comprada, mas só em 2016 e pela Parques Sintra. A cama passou dois anos a ser recuperada e restaurada e agora está prestes a ser exposta ao Parque Nacional de Sintra. O Observador pode espreitar a peça e mostra-lhe aqui em baixo os pormenores do leito de aparato.

A cama dos Duques de Cadaval. Créditos: João Krull

Não queremos ser todos iguais, pois não?

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