Estão a circular nas redes sociais informações em como a Presidente da Namíbia rejeitou um plano de Bill Gates para limitar a natalidade no seu país através de dispositivos intrauterinos.

Em média, cada mulher na Namíbia tem três filhos. A taxa de fertilidade no país africano encontra-se entre as mais reduzidas no continente (3.2) e tem vindo a diminuir significativamente ao longo dos anos. A realidade não é uniforme em África, onde as mulheres em alguns países chegam a ter, em média, mais de seis filhos. Assim, várias são as iniciativas que migram desde o Ocidente até estes países, para promover alguns métodos contracetivos que não estão disponíveis nos mercados internos, ou até mesmo programas de controlo parental.

Umas destas iniciativas vai começar em setembro deste ano e será financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates. O programa, englobado num compromisso multimilionário para promover serviços de saúde reprodutiva às mulheres africanas, trará um novo método contracetivo para o Quénia — que será a “cobaia” deste projeto piloto.

Trata-se de um dispositivo intrauterino (DIU) hormonal, de preço acessível, que tem uma validade de até oito anos, poupando uma grande quantia às mulheres que escolham utilizar o produto, mas também uma maior segurança generalizada.

Nas redes sociais, várias páginas indicam que o programa do fundador da Microsoft foi apresentado a vários outros países, neste caso, a Namíbia. De facto, a Fundação Gates atua em diferentes Estados africanos, como é possível verificar na página online da associação. Entre eles estão o Burkina Faso, a Etiópia, o Quénia, a Nigéria, o Senegal e a África do Sul — sem registo do país mencionado nas publicações.

De acordo com os utilizadores, esta ausência poderá ser explicada por uma decisão que terá sido tornada pública pela própria Presidente do país. Nestes posts, lê-se uma declaração alegadamente oficial de Netumbo Nandi-Ndaitwah, a rejeitar uma proposta de Bill Gates para introduzir o seu estudo na Namíbia.

“A Namíbia é uma nação de tamanho modesto, com uma população de pouco mais de 3 milhões. Se algum país deveria considerar medidas para conter o crescimento demográfico, deveria ser nações como os Estados Unidos, com mais de 347 milhões de pessoas. Qualquer tentativa de impedir ou suprimir o crescimento do potencial humano na Namíbia constitui uma grave injustiça para o nosso povo e para o seu futuro”, lê-se na publicação.

Contudo, nos canais oficiais da presidência da Namíbia não se encontra qualquer menção às declarações remetidas na publicação, mas é possível verificar algo relativamente ao tema. No dia 11 de agosto, no próprio dia em que as publicações começaram a circular em várias redes sociais, a conta oficial da Presidente no X divulgou uma imagem a denunciar este tema como sendo falso — desmentindo, assim, qualquer alegação sobre o estudo de Bill Gates e as supostas declarações oficiais a criticar os Estados Unidos da América.

Conclusão

As publicações que dizem que a Presidente da Namíbia rejeitou a introdução de um dispositivo intrauterino hormonal desenvolvido pela Fundação de Bill Gates e criticou os EUA por tentarem “conter o crescimento demográfico” do país são falsas, como anunciado pela própria Chefe de Estado nos seus canais oficiais.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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