Foi um assunto que gerou indignação. Vários utilizadores nas redes sociais manifestaram revolta contra uma alegada mudança de nome do Mercado de Natal organizado pela Junta de Freguesia de Arroios, em Lisboa, para Mercado Comunitário de Inverno. O tema foi mesmo comentado por líderes políticos, incluindo o presidente do Chega, André Ventura.
“Para estes bandalhos, já não se trata de integrar imigrantes, mas antes de abdicar dos hábitos, costumes e datas que forjam a nossa identidade”, contesta um utilizador, que também lembra alegadas tentativas de cancelamento de “qualquer alusão ao Natal em diversas escolas portuguesas”.
Os utilizadores responsabilizam diretamente a Junta de Freguesia de Arroios, cujo presidente é João Jaime Pires, que foi um candidato independente apoiado pelo Partido Socialista em 2025. A freguesia de Arroios mudou de cor política nas últimas eleições autárquicas em Lisboa: PSD/CDS venceram na localidade em 2021, mas não conseguiram repetir o feito quatro anos depois, perdendo para a coligação encabeçada por Alexandra Leitão (que juntou partidos como o PS, o Livre, o Bloco de Esquerda e o PAN).
“Depois de perceber que na governação da Junta está uma espécie de Geringonça não fiquei espantado”, atira um utilizador. Outro alega: “Fica registado que esta JF [Junta de Freguesia] socialista depois de repor os vistos de residência para todos e de anunciar a celebração do Dia da Vitória do Bangladesh, agora apaga o Natal”.
Contudo, várias destas alegações não têm qualquer sustentação. Isto porque a Junta de Freguesia de Arroios não organiza nenhum mercado de Natal há algum tempo: esse evento já há quatro anos não tinha lugar na localidade lisboeta, como se pode ver nos canais oficiais (redes sociais e site) da Junta de Freguesia — que o Observador consultou.
Em resposta ao Observador, a Junta de Freguesia enviou também uma lista detalhada em que efetivamente não se vê nenhum mercado de Natal. “A última vez que houve uma iniciativa da Junta de Freguesia em dezembro em formato de mercado foi em 2021, ainda fruto da organização do executivo de 2017-2021, denominada Feira Solidária pela Comissão Social de Freguesia, no Mercado de Arroios”, refere fonte oficial.
Segundo a Junta de Freguesia, não houve qualquer “cancelamento ou ou alteração de nome de iniciativa recorrente passada, mas sim a criação de uma nova — o Mercado Comunitário de Inverno”. “O Mercado Comunitário que agora se criou e que serviu de teste para iniciativas futuras, pretendia dinamizar o espaço do Mercado de Arroios e servir de mostra das organizações locais — quer do movimento associativo, quer de pequenos negócios — tendo registado mais de 80 inscrições para bancas, num gesto de clara aceitação da comunidade da freguesia”, lê-se na resposta escrita enviada ao Observador.
Além disso, a Junta de Freguesia recorda que organizou várias “iniciativas natalícias”, deitando por terra a tese de que Arroios queria “cancelar o Natal”. Houve festas, um circo e uma caminhada de Natal na freguesia. “Estão previstas para o ano de 2026, no seu plano de atividades, a continuidade de todas as atividades natalícias de iniciativa da Junta de Freguesia de Arroios”, antecipa ainda a localidade.
A Junta de Freguesia de Arroios lamenta também que o objetivo da partilha destas informações seja criar “um ambiente de ódio e exclusão, ao associar a intenção e espírito de abertura do novo executivo da Junta de Freguesia à comunidade de Arroios como um todo, ao fim de todas as referências culturais pré-existentes, tais como o Natal”.
Conclusão
Não é verdade que a Junta de Freguesia de Arroios liderada por João Jaime Pires tenha alterado o nome do mercado de Natal para Mercado Comunitário de Inverno. Esse evento já não tinha lugar há quatro anos — e o que existia nem sequer era o mesmo formato do mercado deste ano. A Junta de Freguesia organizou também vários eventos que envolvem o Natal e nunca tentou apagar as referências natalícias, como alegam os utilizadores nas redes sociais.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.