Nas redes sociais tem circulado um vídeo que mostra um grupo de pessoas a apreciar um tigre deitado na relva de um recinto de um jardim zoológico delimitado por grades. De repente, uma idosa que aparece em primeiro plano nas imagens cai para junto do animal, depois de as grades terem cedido.

“Momentos de pânico em zoológico: idosa cai dentro de recinto de tigre e é salva por milagre”, lê-se numa publicação. “Desespero no zoológico! Corrimão quebra e vovó cai na frente de um tigre”, vê-se na legenda de outra.

Nestas duas publicações, tal como noutras rapidamente partilhadas nas redes sociais, o texto da descrição acompanha o resto do vídeo: a idosa cai para o recinto, fica deitada no chão ao lado do tigre, o animal levanta-se (mas não ataca a mulher) e outra mulher — supostamente filha da idosa — entra no recinto para retirar a “mãe”.

Face à suposta salvação da mulher que evitou a morte certa por um tigre, os utilizadores do Facebook rapidamente apontam no sentido de um “verdadeiro milagre” — como se lê nas várias publicações com descrições muito semelhantes do sucedido.

Mas, afinal, mais do que um milagre, a história não passará de uma fábula criada por Inteligência Artificial, como comprovam vários detetores de manipulação de vídeos e outros factos facilmente observáveis nas imagens.

Por partes:

1 – As imagens mostram os visitantes a uma distância aparentemente curta dos animais, o que não é normal acontecer em jardins zoológicos, sobretudo quando se trata de um animal atlético como o tigre — que pode saltar entre cinco a seis metros;

2 – No momento em que o gradeamento cede, a idosa é a única que cai, apesar de serem várias as pessoas apoiadas enquanto veem o tigre. Além disso, olhando para as bases do gradeamento, no momento em que este se levanta nota-se que não há qualquer fixação ao solo;

3 – Antes de cair, a idosa está com as mãos colocadas na parte superior do gradeamento, mas quando começa a cair, essa parte ‘evapora-se’ por completo;

4 – Enquanto cai e se levanta, as pernas da idosa trocam de posição, e uma delas está visivelmente partida (no joelho e no tornozelo). Apesar disso, a mulher não grita de dor e quando fala diz apenas: “Eu estou bem, só caí de forma engraçada”. De resto, também não se ouvem sons de gritos que seriam condizentes com uma situação dramática como a apresentada no vídeo;

5 – No final, o tigre aproxima-se das mulheres (a idosa que caiu e a “filha” que seguiu no seu auxílio) sem nunca reagir agressivamente.

Todos estes motivos ajudam a exemplificar a manipulação destas imagens que estão a ser partilhadas nas redes sociais como se fossem verdadeiras. Submetidas as imagens a vários verificadores de Inteligência Artificial (IA) — Image Whisperer, Sightengine, undetectableAI —, todos assumiram que as imagens são, muito provavelmente, geradas por IA.

Conclusão

O vídeo é falso. As imagens partilhadas nas redes sociais foram criadas por Inteligência Artificial, o que é facilmente comprovável por uma análise cuidada aos momentos da suposta queda. Os detetores de imagens manipuladas confirmam que o vídeo não corresponde à realidade.

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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