Já morreram perto de 30 mil pessoas em protestos contra o regime no Irão, de acordo com altos funcionários do Ministério da Saúde de Teerão citados pela imprensa internacional. As manifestações começaram no final de 2025 e têm mobilizado milhares de cidadãos às ruas da capital e de outras cidades iranianas para contestar, inicialmente, o colapso do rial (a moeda); contudo, a tensão acabou por culminar numa manifestação geral sobre o sistema político e as condições de vida que têm vindo a piorar.

O uso da força pelas autoridades tem sido incentivado pelo ayatollah Ali Khamenei, o líder supremo do Irão, o que se tem traduzido em confrontos diretos entre a guarda revolucionária, polícia da moralidade e os manifestantes. Desde o início de janeiro que o acesso à internet foi cortado, com algumas organizações como a Amnistia Internacional a dizer que esta decisão do regime foi tomada para esconder os crimes que têm vindo a ser cometidos na repressão dos protestos.

Mesmo sem o acesso generalizado à internet, certas localizações conseguem ter acesso aos serviços da Starlink e, deste modo, têm sido divulgadas notícias e imagens dos protestos que têm abalado o país há sensivelmente um mês.

Entre os vários vídeos e fotografias destas manifestações, circulam vídeos que mostram não só o comportamento violento das autoridades iranianas, como também as respostas dos manifestantes face a estas agressões. Um dos vídeos, que ficou viral nas redes sociais, mostra uma jovem, com um bastão, a partir as janelas de uma carrinha da polícia.

No entanto, como o Observador pode confirmar com recurso a plataformas de verificação de imagens, este vídeo foi gerado com inteligência artificial e, por isso, não é verdadeiro. O movimento da jovem a atingir a carrinha é pouco natural e nota-se principalmente na forma como os vidros se partem de uma forma que não obedece às leis da física, algo característico de vídeos gerados com IA.

Na legenda de uma destas publicações, os utilizadores mencionam que as “mulheres iranianas livres” retratadas neste vídeo estão a destruir “veículos da milícia Basij”, uma “milícia paramilitar voluntária fundada pelo Ayatollah”. Contudo, através de uma simples pesquisa, percebemos que a carrinha em questão não corresponde aos veículos habitualmente utilizados por este grupo. Os Basij utilizam uniformes que cobrem as suas caras, mas circulam em carros descaracterizados. No vídeo, a carrinha branca com uma risca verde com a palavra “police“, tanto em persa como em inglês, confirma que se trata de um veículo utilizado pela polícia da moralidade, não deste grupo paramilitar.

Conclusão

Os protestos no Irão têm gerado confrontos violentos entre as autoridades e os manifestantes. Contudo, o vídeo que mostra uma jovem a destruir um carro da polícia da moralidade iraniana com um bastão foi gerado com recurso a inteligência artificial.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

IFCN Badge