*|IF:IS_PR!=true|*
|
Bata o pé. O Jornalismo independente precisa do seu apoio. Sem os nossos assinantes, não temos voz.
Torne-se assinante agora
|
*|END:IF|*
|
|
|
Bom dia a todos, |
Um dos grandes temas da semana foi, mais do que a lei laboral, o anúncio, da parte de Ventura, de que estaria disposto a colaborar, caso o governo baixasse a idade da reforma. A ideia foi bastante mal recebida entre os colunistas do Observador. Mostra-o o texto de Paulo Ferreira, A honrosa missão do camarada Andrei Voronov, mas também houve quem pusesse água na fervura. Foi o caso de Rui Ramos, a mostrar o exagero de considerar esta uma grande reforma. |
Também José Manuel Fernandes escreveu sobre a condição que Ventura impôs ao governo para aprovar a lei laboral. O texto é muito crítico de Ventura, e diz mesmo que revela a natureza pouco fiável do presidente do Chega. |
Foi precisamente o ónus da culpa que motivou a primeira pergunta desta newsletter. Perguntámos a José Manuel Fernandes: “O texto põe o ónus em André Ventura. As declarações recentes mostram que ele não é fiável. Mas isso não será resultado de todas as declarações anteriores de Montenegro que deixaram muito claro que não contava com o Chega? Se Montenegro dissesse outra coisa, desde o princípio, a postura do Chega não poderia ser diferente?” |
José Manuel Fernandes não acredita nisso. “creio que não”, diz. “Aquilo que sublinho no texto é que André Ventura e o Chega dão mais sinais de se guiarem na sua acção pela percepção de quais os temas que são mais populares junto do seu eleitorado-alvo do que seguirem uma linha política ideologicamente coerente. Isso ajuda a perceber porque é que o Chega é, numa descrição simplificada, culturalmente de direita (ou conservador) e economicamente de esquerda (ou tendencialmente estatista). Não é um posicionamento muito diferente de outros partidos da sua família política, como a União Nacional de Marine Le Pen, sendo também coerente com a necessidade de atrair uma base eleitoral com menos poder de compra, menos instruída e em boa parte vinda de partidos bem à esquerda, nomeadamente de antigos eleitores do PCP (algo de equivalente também sucede em França). Sendo assim não creio que Ventura se transformasse num parceiro fiável numa agenda reformista com aspectos potencialmente impopulares, mesmo que a atitude de Montenegro tivesse sido outra. Aliás nas autarquias onde o Chega já governa em coligação, mesmo que informal, com o PSD, o partido de Ventura raramente se tem revelado um parceiro fiável”. |
Fora de portas, um texto bastante ácido do Coronel José António Rodrigues do Carmo, sobre a nova flotilha que partiu para Gaza, contrasta com um texto pacificador de Maria João Avillez, sobre a visita de Carlos III aos Estados Unidos da América. Na mesma América, o presidente também motivou um importante texto, de Tiago Moreira de Sá, ainda sobre a troca de palavras de Donald Trump com Leão XIV. |
Num tema mais permanente, duas crónicas importantes, com a mesma origem. Paulo Nogueira fala sobre esta expressão que se tornou um dos bordões mais usados e restritivos do discurso contemporâneo, o “lugar da fala” e Patrícia Fernandes fala sobre o grupo que mais se ressente do uso desta expressão: os homens. |
A figura da semana |
António Costa voltou a estar nas bocas do mundo, depois de ser apanhado numas escutas que dão a entender que sabia, ao contrário do que disse na altura o próprio, do negócio de Sines. José Diogo Quintela escreveu sobre isso, e também Jorge Fernandes escreveu sobre António Costa, o homem que não sabe porque saiu, e aproveita para mostrar como a demissão se tornou uma espécie de salvo conduto que iliba o poder político de prestar contas; o texto denuncia a demissão como uma espécie de modo, da parte do político, de contornar as consequências que vêm das investigações do ministério público. |
Por isso, perguntámos-lhe: não contribuirá isto, a longo prazo, para enfraquecer irreversivelmente os tribunais? Ou seja, não poderá isto significar uma tendência, não para a “judicialização da política”, como é costume dizer-se, mas para o seu contrário, para a absorção do poder judicial pelo poder político? |
E Jorge Fernandes respondeu que ” Um dos problemas centrais que assola, há muitos anos, a política Portuguesa é a noção de que, para citar clássica de Pina Moura “A ética da República é a ética da lei”, no fundo, a ideia de que não havendo problemas legais nada mais há a explicar. Depois do caso Sócrates, houve uma inovação: sabendo que a tolerância dos eleitores face a problemas éticos diminui, os políticos usam agora outros expediente para lavar a alma: a demissão ou, no caso de Montenegro, as eleições. Infelizmente, estes expedientes parecem funcionar. Demitido, Costa nunca mais foi incomodado. Reeleito, Montenegro nunca mais foi incomodado. A culpa, no entanto, apenas é, parcialmente, dos políticos. O sistema judicial está bloqueado e é, neste momento, irreformável — toda a gente concorda que as coisas não estão bem, mas ninguém exactamente o que fazer ou como fazer e sobreviver politicamente. Se os tribunais funcionassem, de forma célere e articulada, investigando, acusando e decidindo a tempo e horas, os eleitores teriam informação real sobre os problemas dos políticos com a lei. Na ausência desta cabeça, a margem de manobra dos actores políticos torna-se muito maior e, por definição, discricionária. O próprio político deve as regras éticas pelas quais se rege até porque sabe que quaisquer consequências legais, a acontecerem, são, na prática, imaterais. Veja-se José Sócrates que, sendo um pária social e político, continua a gozar de plena liberdade 12 passados sobre a célebre noite no aeroporto.” |
|
|
|
|
A incapacidade europeia em geral e de Portugal em particular para construir casas tem a sua imagem trágico-cómica no que é anunciado em Bruxelas e nas medidas do Governo em Lisboa.
|
|
|
|
|
Quando aparecem os negacionistas do costume, tapando os nossos olhos para o que não querem que vejamos e saibamos, é bom que não rendamos a verdade às platitudes mediáticas do dia.
|
|
|
|
|
À pergunta sobre a esquerda populista, Ferro Rodrigues diz solenemente, com aquela hombridade dos puros, que “o populismo é de extrema-direita”, e que para ele a esquerda nunca é populista.
|
|
|
|
|
O mundo é muito mais diverso do que imaginamos. Não está dividido entre bons e maus, estamos cheios de contradições e complexidades irreconciliáveis.
|
|
António Costa
|
|
|
Não pode perder
|
|
1
|
|
|
|
Em vésperas da visita papal a Espanha, Leão XIV reconheceu como mártires mais 50 católicos, das dezenas de milhares de crentes assassinados pelas esquerdas na Guerra Civil
|
|
|
2
|
|
|
|
Quando nasceu, o PSD era um bicho estranho. Não tinha uma ideologia distintiva nem debitava fórmulas teóricas com pedigree internacional. Mas tinha “uma certa ideia de Portugal”. Se perder isso, morre
|
|
|
3
|
|
|
|
A incapacidade europeia em geral e de Portugal em particular para construir casas tem a sua imagem trágico-cómica no que é anunciado em Bruxelas e nas medidas do Governo em Lisboa.
|
|
|
Para a semana voltamos, com mais textos e mais respostas dos nossos cronistas. Até lá. |
|
|
|
|