Há semanas que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, se encontra envolvido em polémicas graves: obras na sua propriedade alentejana feitas por um empreiteiro que, enquanto dirigia a Polícia Judiciária, recebeu milhões em contratos públicos; um atrelado de uma operação de tráfico de droga que surgiu nas instalações dessa empresa; irregularidades urbanísticas e falhas nas declarações de transparência. O Ministério Público investiga suspeitas de abuso de poder e descaminho.
O primeiro-ministro mantém silêncio, recusa comentar e governa sem prestar contas, transformando a prudência em arrogância.
O PS permanece num silêncio cómodo. O receio é legítimo: que a aliança com o PSD sirva para encobrir situações que uma democracia europeia e madura não pode tolerar.
Quando dois dos três maiores partidos se calam perante suspeitas que tocam a polícia e a Administração Interna, a confiança nas instituições esvai-se. Sem confiança não há democracia que resista!