A água é o elixir da vida: representa cerca de 60% do nosso corpo, regula os ecossistemas e impulsiona a economia. Num momento em que o Governo investe fortemente em infraestruturas hídricas sustentáveis, importa reafirmar o seu papel central.
Comecemos, então, pelo essencial. No corpo humano, a água transporta nutrientes, regula a temperatura e elimina toxinas, a hidratação diária é um gesto simples de saúde. Nos ecossistemas, sustenta a biodiversidade dos rios, das zonas húmidas e dos oceanos. E, nas nossas casas, chega através de redes de abastecimento que devem ser progressivamente reabilitadas para reduzir perdas e garantir a saúde pública. Mas nada disto pode ser tomado como garantido.
Com efeito, a escassez de água afeta já mais de 2 mil milhões de pessoas em todo o mundo e é agravada pelas alterações climáticas, com secas mais frequentes e severas, em Portugal, sobretudo no sul. A resposta está em marcha, e é neste quadro que a Estratégia «Água Que Une», aprovada em junho, representa uma oportunidade. Prevê investimentos de cerca de 5 mil milhões de euros até 2035 e reúne medidas de eficiência, reforço da resiliência e melhor conhecimento dos recursos hídricos. Inclui respostas diferentes para necessidades diferentes desde a dessalinização no Algarve à Barragem do Pisão e à modernização de infraestruturas, passando pela recuperação de rios e ribeiras.
Mas aprovar uma estratégia não basta. O seu valor será medido pela capacidade de executar projetos, reduzir perdas, melhorar a qualidade das massas de água e dar aos cidadãos informação clara sobre os resultados. Cada euro investido deve traduzir-se em maior segurança hídrica e em benefícios duradouros para os territórios.
Esta exigência também diz respeito ao centro do país. No Baixo Mondego, por exemplo, a modernização do aproveitamento hidroagrícola mostra como a gestão da água se cruza com a agricultura, a economia regional e a adaptação às alterações climáticas.
O futuro que queremos construir começa nas decisões de hoje com redes mais eficientes, cidades mais preparadas para períodos de seca e de chuva intensa, rios mais saudáveis e cidadãos mais conscientes do valor de cada litro. A tecnologia pode ajudar-nos a detetar fugas e a gerir melhor o consumo; a educação pode ajudar-nos a não desperdiçar.
A água une gerações, atividades e territórios.
Imaginemos assim, então, 2035 com cidades mais verdes e permeáveis, dessalinização a reforçar o abastecimento no Algarve, redes inteligentes a detetar fugas em tempo real e cidadãos a acompanhar o seu consumo. Não é ficção é o caminho que está a ser percorrido, com a digitalização do ciclo da água, o alargamento do Compromisso com a Eficiência Hídrica do Algarve ao Alentejo e a adaptação do território às alterações climáticas. A inovação e a educação ambiental nas escolas garantirão água para as próximas gerações.
É este o fio condutor: a água une o passado, o presente e o futuro. Alinhados com a «Água que Une», a estratégia nacional para a gestão hídrica, cabe a cada um de nós fazer a sua parte: reduzir, reutilizar, participar. É assim, com políticas consistentes e gestos quotidianos, que transformaremos a escassez em segurança hídrica. Cabe ao Estado planear e cumprir, às entidades gestoras melhorar os serviços e a cada um de nós fazer a sua parte. Cuidar da água não é apenas responder à escassez é cumprir o dever de entregar às próximas gerações um recurso que não nos pertence em exclusivo, apenas nos foi confiado.