Assistimos hoje a uma transformação única no ensino. Tardou e o seu ritmo foi assimétrico, mais lento no ensino superior. Até há pouco tempo, as aulas teóricas com centenas de alunos foram o principal método de ensino. Esse é um capítulo que está a terminar, e vai permitir um salto qualitativo há muito esperado. O ensino da Medicina não é exceção.

Quais são as causas para esta transformação? São múltiplas, mas podemos destacar duas que se beneficiam mutuamente. A primeira é a tecnologia atualmente disponível para a aprendizagem de conteúdos online. Mesmo excluindo a Inteligência Artificial, já amplamente discutida, hoje é possível aceder, facilmente, a aulas teóricas de qualidade pedagógica extraordinária na área da medicina. São exemplo disso as plataformas Ninja Nerd e Osmosis.

A segunda está relacionada com a mudança de perfil dos alunos de medicina. No novo perfil, os estudantes não são recipientes passivos que esperam por um conhecimento vertido pelo professor. Passaram de consumidores de educação para contribuintes no ecossistema educativo.  A ciência da aprendizagem já provou que esta é a melhor forma de aprender, mas importa clarificar o que é aprender. Mais do que reter informação durante um tempo curto (por exemplo, até ao dia de um exame escrito), aprender significa reter a informação de uma forma que permita a sua aplicação no futuro, transformando-se em competências.

Continua a existir um lugar para aulas teóricas participadas, mas como forma de integração de conhecimentos, partilha de sabedoria e síntese, resultantes da experiência prática de professores altamente especializados, que uma plataforma online não consegue reproduzir.

A ciência da aprendizagem ajuda-nos a criar aquilo a que chamamos aprendizagens significativas, ou seja, esclarece que métodos devemos usar, consoante os fins, com alta efetividade para os estudantes. Neste sentido, não é diferente do exercício da medicina, quando para determinada doença um médico actua tendo em conta o melhor tratamento disponível, de acordo com a ciência. Não faz sentido tratar alguém doente com um tratamento ultrapassado, como não faz sentindo ensinar alunos de medicina com um método ultrapassado.

Por esta razão, a nível internacional são utilizados métodos activos de ensino em pequenos grupos, nomeadamente oProblem-BasedLearning, aliados a exercícios de prática médica com doentes simulados e a mentoria, a reflexão e ao feedback como ferramentas de ensino. Para todos existe evidência, não só para a obtenção de melhores resultados, como para o maior nível de satisfação dos alunos na área da saúde.