A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) é (era) a agência pública nacional de apoio à investigação em ciência, tecnologia e inovação em todas as áreas do conhecimento. É (era) um instituto público de regime especial sob tutela e superintendência do Ministério da Educação, Ciência e Inovação.
Este modelo foi criado em 1997 quase ao mesmo tempo em que a ciência em Portugal realmente começou a crescer (com Mariano Gago ministro da Ciência e Tecnologia em 1995), de forma tímida ao princípio mas, na realidade, atingiu-se hoje uma maturidade e uma expansão que faz com que haja uma diversidade de unidades de investigação (são mais de 300) distintas no seu funcionamento, nas áreas cientificas (ou área cientifica) que abrangem, umas públicas e outras como os laboratórios colaborativos mistas publico/privadas envolvendo unidades de investigação públicas e empresas.
O sistema científico nacional é realmente complexo e difícil de gerir! Porque o sistema é complexo, (ou porque o modelo da FCT está desadequado) sempre que se fala da FCT aos investigadores, ou sempre que os investigadores falam entre si, sobre a FCT é raro ouvir-se um elogio.
As queixas são variadíssimas: demasiada burocracia, má avaliação dos centros e/ou dos projetos, falta de estratégia de financiamento, baixo financiamento, falta de previsibilidade das aberturas de concursos, demora na tomada de decisões…etc. etc. Muito raramente alguém diz que a FCT funciona bem (se é que alguma vez alguém diz isso)!
O ministro da Educação Ciência e Inovação anunciou recentemente a extinção da FCT e, à boa maneira portuguesa, levanta-se um coro de protestos contra a medida! Todos, de repente, acham que a FCT era fundamental e, em consequência, funcionava bem!?
Não é a FCT que é fundamental, fundamental é APOSTAR na CIÊNCIA. O governo justificou a extinção não para parar o financiamento, mas sim para “…eliminar as redundâncias atualmente existentes entre a ANI (Agência Nacional de Inovação) e a FCT, com ganhos óbvios operacionais e administrativos …”, esta decisão, assim apresentada, parece sensata.
Mas não, todos os que diziam mal da FCT agora “sabem” que não é nada disto, o objetivo é “não financiar mais ciência em Portugal!
Haja paciência!
Juntar os financiamentos europeus que eram atribuídos à ANI com os que eram atribuídos à FCT, acrescentados do “débil” financiamento nacional, parece só poder trazer vantagens por possibilitar, eventualmente, uma gestão mais coesa dos fundos quer nacionais quer europeus.
A única questão que nos pode preocupar é precisamente aquilo que nos garantem que não irá acontecer, já que o ministro assegurou que “o financiamento da ciência será preservado com um financiamento a quatro anos que garanta estabilidade.” Vamos então esperar para ver e comentar após conhecermos e analisarmos todos os dados (como aliás a ciência nos aconselha)?